Foto: André Ambrozio (CC BY) via GBIF
Visgueiro
Parkia pendula
- até 55 mAltura
- Muito grandePorte
Também conhecida como: angelim-rajado, angelim-saia, angelim-saião, angico-vermelho, faveira-bolota, arara-tucupi, fava-bolota, joerana, juerana-prego, juerana-verdadeira, jueirana-vermelha, esponja, urucuba
Botânica
Pelo sistema de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotyledonae), ordem Fabales e família Mimosaceae (Leguminosae: Mimosoideae), dentro do gênero Parkia. O binômio aceito é Parkia pendula (Willdenow) Bentham ex Walpers, publicado em Rep. Bot. Syst. 5: 577, em 1846. Já foi descrita sob os sinônimos Inga pendula Willdenow e Mimosa pendula (Willdenow) Poiret. O nome do gênero é uma homenagem a Mungo Park, viajante de origem escocesa.
Trata-se de uma árvore perenifólia cujos exemplares de maior porte chegam a cerca de 55 m de altura e 300 cm de DAP na fase adulta. O tronco vai de reto a um pouco tortuoso, com fuste de até 25 m e base provida de sapopemas que se erguem até 4 m. A ramificação é irregular e simpódica, formando uma copa ampla e achatada no topo, por vezes em forma de bigorna — uma das silhuetas mais marcantes e bonitas entre as árvores da Amazônia e da Mata Atlântica nordestina, reconhecível à distância por seus galhos horizontais bem grossos. A casca pode alcançar 25 mm de espessura; a parte externa é sempre avermelhada e se solta em grandes placas de formato variável, com mais de 1,20 m de comprimento e 25 cm de largura, recobertas por inúmeras lenticelas em todas as direções. As folhas são grandes, com cerca de 30 cm de comprimento e folíolos de 4 a 6 cm; os foliólulos são minúsculos, pilosos ou quase glabros. As inflorescências formam capítulos globulares pendentes, sustentados por pedúnculos que chegam a 1,60 m. Cada capítulo reúne aproximadamente 1.200 flores tubulares e vermelhas, hermafroditas e femininas, sendo férteis apenas as hermafroditas. Os frutos são planos, glabros e ondulados, com cerca de 35 cm de comprimento, e as sementes são subglobosas e liberam uma goma-resina viscosa.
Uso e ecologia
A madeira é leve a moderadamente densa (0,53 a 0,60 g/cm³ entre 12% e 15% de umidade; massa específica básica de 0,47 a 0,51 g/cm³). O cerne varia de marrom-claro a marrom e contrasta com o alburno amarelo-pálido. Os anéis de crescimento são pouco nítidos, a grã vai de direita a revessa, a textura é média a grossa, o brilho é moderado e o cheiro imperceptível. Em laboratório, mostrou-se moderadamente resistente a fungos apodrecedores e pouco resistente a cupins. O alburno aceita muito bem tratamento sob pressão com creosoto e com solução CCA-A, mas o cerne não é tratável por nenhum preservativo. A secagem em estufa é rápida a muito rápida, com leve tendência a rachaduras médias e encanoamento moderado. Trabalha-se com facilidade: plaina deixa acabamento ruim, lixa e broca resultam em acabamento regular. A madeira serrada e roliça é indicada para construção civil, embarcações, móveis, objetos decorativos e utilitários domésticos, brinquedos, compensados, tábuas e caixotaria. Também fornece lenha de boa qualidade e é adequada para celulose e papel.
Classifica-se como espécie secundária inicial. Apresenta dispersão irregular e descontínua, ocorrendo tanto no interior da floresta primária quanto na vegetação secundária. Na Mata Atlântica, integra a Floresta Ombrófila Densa (Floresta Pluvial Tropical Atlântica), nas formações de Terras Baixas e Submontana, em Alagoas, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco e Sergipe, além da Restinga, na Paraíba. Na Amazônia, ocupa a Floresta Ombrófila Densa de Terra Firme, no Acre, Amazonas e Pará.
A floração ocorre em agosto, no Amapá, e de setembro a novembro, em Pernambuco. Os frutos amadurecem de outubro a janeiro, em Pernambuco, e de janeiro a março, no Espírito Santo.
A espécie é monoica e alógama, com síndrome de polinização quiropterófila. Os principais polinizadores são morcegos de hábito noturno, sobretudo Phyllostomus discolor e P. hastatus. Durante o dia, abelhas da família Apidae (Meliponinae) visitam as flores em busca de pólen e néctar cristalizado. A dispersão de frutos e sementes é autocórica, do tipo barocórica, ou seja, pela ação da gravidade.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser coletados diretamente da árvore quando começam a cair naturalmente, ou recolhidos do chão após a queda; em seguida, são expostos ao sol para secar, o que facilita a abertura manual e a retirada das sementes. Há cerca de 8 mil sementes por quilo (variando de 8.800 a 12.450). Recomenda-se a escarificação como tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento ortodoxo no armazenamento e conservam a viabilidade por cerca de 300 dias.
Indica-se semear em sementeiras e repicar as plântulas, de 2 a 3 semanas após a germinação, para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência entre 7 e 40 dias após a semeadura e poder germinativo de 52% a 80%. Souza e colaboradores não observaram nodulação radicular com Rhyzobium, nem no campo nem no viveiro, em solo de textura argilosa.
As árvores têm fuste bastante reto, em geral inclinado, com galhos grossos. O plantio em consórcio com o sabiá (sansão-do-campo) tem dado bons resultados, com alta sobrevivência e crescimento, graças ao microambiente favorável criado por essa associação.
Em plantios, o visgueiro cresce bem em DAP e altura, com crescimento que se manteve ascendente até 183 meses após o plantio, assim como o incremento médio anual em volume cilíndrico por hectare. A mortalidade, porém, variou bastante, entre 24% e 100%. Existem pequenos plantios com desempenho satisfatório em Maceió (AL), Camamu e Porto Seguro (BA) e Linhares (ES). Em projetos de reposição florestal no Pará registrados no Ibama entre 1976 e 1996, a espécie foi plantada por 4% das empresas.
A precipitação média anual vai de 1.200 mm, no Espírito Santo, a 3.300 mm, no Pará. As chuvas são uniformemente distribuídas nos arredores de Belém (PA); uniformes ou periódicas na faixa costeira da Bahia e em áreas menores de Alagoas e Pernambuco; e periódicas nos demais locais. A deficiência hídrica é nula em torno de Belém; nula a pequena no litoral baiano e em partes de Alagoas e Pernambuco; pequena a moderada no Acre, Amapá, Amazonas, norte de Mato Grosso, Pará, Paraíba, Rondônia e norte de Roraima; e moderada no nordeste do Espírito Santo e no interior costeiro da Bahia. A temperatura média anual fica entre 23,6 ºC (Linhares, ES) e 27,3 ºC (Soure, PA), com mínima absoluta de 6 ºC (Rio Branco, AC) e sem ocorrência de geadas. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Am, As e Aw.
Desenvolve-se naturalmente tanto em solos de fertilidade química alta quanto média, com texturas que vão de arenosa a argilosa, dando preferência aos terrenos bem drenados.