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Foto de Vassourão-preto

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Vassourão-preto

Vernonia discolor

Asteraceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: vassourão, vassourão-da-folha-larga, vassourão-de-folha-larga, vassourão-branco, assa-peixe, assa-peixe-do-roxo, cambará, cambará-guaçu, candeia, pau-de-fumo, pau-toucinho, capichingui-de-bicho

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Asteraceae (chamada de Compositae no sistema de Cronquist), o vassourão-preto recebeu o nome científico Vernonia discolor (Sprenger) Lessing, publicado em Linnaea, 4: 274, em 1829. Já foi descrito sob outros nomes ao longo do tempo, como Eupatorium discolor Sprengel e Vernonanthura discolor (Less.) H. Robinson. O gênero Vernonia homenageia William Vernon, botânico que percorreu a América do Norte em suas expedições, enquanto o epíteto discolor tem origem latina e significa 'de duas cores', uma alusão direta às folhas, que exibem tonalidades distintas em cada face.

Descrição botânica

Árvore perenifólia que, quando adulta, chega perto de 20 m de altura e 60 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco varia de reto a frequentemente tortuoso, com fuste de seção irregular e ovalada, base normal e até 10 m de comprimento. A ramificação é dicotômica ou simpódica, e a copa, baixa e com poucas folhas, vai de arredondada a fastigiada. A casca alcança até 22 mm de espessura; externamente é castanho-acinzentada e sulcada, com fissuras de cerca de 14 mm de largura e 11 mm de profundidade, soltando-se em pó e em pequenas placas grossas e irregulares; a parte interna tem cor que vai do marfim ao acastanhado, com estrias escuras que oxidam rapidamente após o corte, ficando alaranjadas, além de fibras quebradiças, textura fibrosa e estrutura trançada. As folhas são simples, alternas, espiraladas e pecioladas, com lâmina de 8 a 21 cm de comprimento por 3 a 9 cm de largura, nitidamente bicolores: verde-escuras na parte de cima e cobertas por tomento esbranquiçado embaixo; têm consistência subcoriácea, formato oblongo ou oblanceolado, ápice agudo, base cuneada e face superior glabra. As inflorescências são capítulos muito numerosos, reunidos em panículas terminais de tom esbranquiçado, com 8 a 12 flores cada. As flores, hermafroditas e pequenas, medem de 2 a 3 mm e têm pedicelos cobertos por pelos. O fruto é um aquênio (cipsela) cilíndrico, marrom, com um colar apical marrom-escuro e caduco, medindo de 1,9 a 4,3 mm de comprimento por 0,5 a 1,0 mm de largura; sua superfície é membranácea, pilosa e estriada longitudinalmente, com pappus de cerdas finas, esbranquiçadas e cílios, de 6 a 7,5 mm. A semente é ereta, com o tegumento reduzido a uma película fina, membranácea e amarelo-translúcida.

Uso e ecologia
madeireirorecuperação de áreasapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira é leve, de cerne e alburno indistintos e cor branco-palha uniforme, com superfície áspera, pouco brilho, textura grosseira, grã direita e sem cheiro ou sabor marcantes; é medianamente macia, fácil de trabalhar, porém de baixa durabilidade. Pode ser aproveitada na fabricação de caixotaria, painéis aglomerados, tacos de sapato e cepas de tamancos, e também serve para celulose e papel. A lenha tem qualidade razoável. Como forragem, a planta não é recomendada: apresenta 10% de proteína bruta e 6,5% de tanino, o que a torna imprópria para alimentação animal.

Aspectos ecológicos

Espécie pioneira, é característica das florestas de pinheiros do Planalto Meridional, onde se dispersa de maneira ampla e marcante. Prefere florestas semidevastadas e áreas alteradas pela ação humana, surgindo nas matas íntegras apenas em clareiras abertas pela queda de árvores ou em trechos de vegetação secundária; nesses ambientes muito modificados pode se tornar bastante abundante. Ao lado do vassourão-branco (Piptocarpha angustifolia), da bracatinga (Mimosa scabrella) e da canela-guaicá (Ocotea puberula), figura entre os indicadores mais claros de florestas degradadas na Região dos Pinhais. Sua densidade varia conforme o tipo de floresta, chegando a 167 indivíduos por hectare na Floresta Ombrófila Densa e a 67 por hectare na Floresta Ombrófila Mista.

Floração e frutificação

A floração se distribui ao longo do ano conforme a região: de abril a novembro no Paraná, de julho a setembro em Minas Gerais, de setembro a outubro em São Paulo e de setembro a dezembro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Em estudo com 11 árvores catarinenses, Mantovani e colaboradores registraram floração em 71,4% delas. Os frutos amadurecem de setembro a novembro no Paraná, de novembro a dezembro em Minas Gerais e de janeiro a abril em Santa Catarina.

Fauna associada

A polinização é feita sobretudo por diversas abelhas, com destaque para Apis mellifera scutellata, além de pequenos insetos. A dispersão das sementes é anemocórica, ou seja, realizada pelo vento. A espécie tem valor apícola, fornecendo néctar e pólen.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos direto da árvore assim que começarem a cair naturalmente. Para facilitar, recomenda-se cortar as inflorescências e expô-las ao sol para secar e liberar as sementes; como estas são facilmente levadas pelo vento, convém cobri-las com peneira durante a secagem. Cada quilo reúne cerca de 1,6 milhão de sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. O comportamento é recalcitrante: a viabilidade no armazenamento é curta e não passa de 3 meses.

Produção de mudas

Indica-se semear em sementeiras e depois repicar para recipientes, como sacos de polietileno ou tubetes médios de polipropileno, transferindo as mudas quando atingirem de 3 a 5 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência começando entre 10 e 25 dias após a semeadura, geralmente em taxa baixa (até 46%). As mudas ficam prontas para o plantio definitivo cerca de 4 meses depois da semeadura.

Características silviculturais

Espécie heliófila e tolerante a baixas temperaturas. Tem crescimento monopodial e boa derrama. Para regeneração, recomenda-se o plantio puro a pleno sol ou o plantio misto, no qual pode servir de tutor para espécies clímax.

Crescimento e produção

Existem poucas informações sobre seu desenvolvimento em plantios, mas na regeneração natural o crescimento é rápido.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 1.100 mm, no Espírito Santo, a 2.700 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas na faixa costeira do sul da Bahia e na Região Sul (salvo o norte do Paraná) e chuvas sazonais no Sudeste. A deficiência hídrica é nula no litoral sul da Bahia, na Região Sul (exceto norte do Paraná) e no litoral sul do Rio de Janeiro e de São Paulo, sendo de pequena a moderada no inverno do sul de Minas Gerais e leste paulista. A temperatura média anual oscila entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 24,3 ºC (Ilhéus, BA); a média do mês mais frio fica entre 8,2 ºC e 22,1 ºC, e a do mês mais quente entre 19,1 ºC (Bom Jesus, RS) e 26,3 ºC (Castelo, ES). A mínima absoluta pode chegar a -10,4 ºC (Caçador, SC), e na relva de alguns pontos do Planalto Sul-Brasileiro pode atingir -17 ºC. O número médio de geadas vai de 0 a 30 por ano, com máximo de 81 na Região Sul e em Campos do Jordão. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Cresce naturalmente em terrenos de origem basáltica e em solos que vão de rasos a profundos, com fertilidade química variável, em geral pobres e ácidos, com pH entre 3,5 e 5,5, textura de franca a argilosa e boa drenagem.