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Vassourão

Piptocarpha tomentosa

Asteraceae Mata Atlântica
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: vassourão-graúdo, canela-tatu, vassourão-cambará, vassourão-preto, pau-toucinho, toucinho-de-folhas-largas, catarina

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Asteraceae (também conhecida como Compositae), o vassourão-graúdo recebeu o nome científico Piptocarpha tomentosa Baker. O nome do gênero une os termos gregos piptein (cair) e karphe (as brácteas que ficam na base do fruto), em referência ao fato de essas brácteas se desprenderem precocemente. Já o epíteto tomentosa remete à textura aveludada e tomentosa dos ramos. O gênero faz parte da ordem Asterales, dentro das dicotiledôneas (Magnoliopsida).

Descrição botânica

Trata-se de uma espécie perenifólia que varia de arvoreta a árvore, podendo os indivíduos adultos de maior porte alcançar cerca de 20 m de altura e 40 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo). O tronco costuma ser bem reto, com fuste de até 8 m. A ramificação é cimosa ou dicotômica e os ramos são aveludados; a copa, ampla, tem folhagem densa e verde-escura na face superior e tom ferrugíneo na inferior, criando um contraste marcante. A casca chega a 10 mm de espessura, com superfície externa quase lisa e amarronzada; a casca interna é caqui-acafezada e escurece quase até o preto logo após o corte, por oxidação. As folhas são alternas, pecioladas, de formato lanceolado a oblanceolado, com ápice acuminado e base atenuada, geralmente um pouco serreadas na porção superior, glabras na face ventral e revestidas no dorso por pelos estrelados e pedicelados de cor ocrácea; a lâmina mede de 9 a 15 cm de comprimento por 2,5 a 4 cm de largura. As inflorescências formam agrupamentos densos nas axilas foliares, característica bastante visível na planta. As flores são miúdas, agrupadas em numerosos capítulos sésseis. O fruto é uma cipsela (aquênio) indeiscente, seca e pequena, com até 3 mm de comprimento, e a semente, também diminuta, fica aderida a ele.

Uso e ecologia
madeireirorecuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente entre 0,55 e 0,57 g/cm³, e apresenta cor branco-escura. De baixo valor comercial, a madeira serrada e roliça presta-se a caixotaria, obras internas e aglomerados. Como combustível, fornece lenha de baixo poder calorífico. A espécie também é indicada para a produção de celulose e papel. Em projetos de recuperação e restauração ambiental, é útil para sombrear espécies nobres umbrófilas, como a canela-preta (Ocotea catharinensis) e a canela-sassafrás (Ocotea odorifera).

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial, é uma árvore muito comum, especialmente na vegetação secundária mais avançada (capoeirões), onde pode se tornar abundante. Aparece com frequência no interior de florestas de encostas íngremes e de solos rochosos, em locais de cobertura arbórea menos densa. Está presente na Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária), na formação Montana do Paraná e de Santa Catarina, onde chega a 13 indivíduos por hectare, e, de forma rara, na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), na formação das Terras Baixas de Santa Catarina.

Floração e frutificação

A floração vai de maio a setembro no Paraná e de junho a novembro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os frutos amadurecem entre outubro e novembro no Paraná.

Fauna associada

Espécie monoica, é polinizada sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e das sementes é anemocórica, ou seja, feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Para obter as sementes, é preciso macerar os frutos, já que elas vêm dispostas em feixes que lembram um pincel. Cada quilo reúne cerca de 1,5 milhão de sementes. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo. As sementes são recalcitrantes quanto ao armazenamento e perdem a viabilidade com rapidez.

Produção de mudas

Por serem muito pequenas, as sementes devem ser semeadas em sementeiras e, depois, as plântulas repicadas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio; a repicagem é feita de 4 a 6 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência iniciando entre 15 e 45 dias após a semeadura e taxa de germinação irregular. As mudas atingem o ponto de plantio cerca de 6 meses após a semeadura.

Características silviculturais

O vassourão-graúdo varia de heliófilo a esciófilo e suporta temperaturas baixas. Cresce de forma monopodial e tem desrama natural satisfatória; em plantios com espaçamentos amplos, requer poda dos galhos. Do ponto de vista ecológico, recomenda-se o plantio puro a pleno sol, mas a espécie também pode entrar em plantios mistos para tutorar espécies umbrófilas. Apresenta excelente regeneração natural na floresta secundária, o que torna viável o aproveitamento de mudas oriundas dessa regeneração, e ainda rebrota da touça, de modo irregular, após o corte.

Crescimento e produção

Existem poucos dados sobre o crescimento da espécie em plantios.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.300 mm, no Rio Grande do Sul, a 1.700 mm, em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano na Região Sul (exceto no norte do Paraná) e deficiência hídrica nula nessa mesma área. A temperatura média anual fica entre 16,5 ºC (Curitiba, PR) e 20,3 ºC (Florianópolis, SC); a média do mês mais frio varia de 12,2 ºC a 16,3 ºC e a do mês mais quente, de 19,9 ºC a 24,7 ºC, com mínima absoluta de -7,4 ºC registrada em Rio Negro (PR). O número de geadas anuais oscila de 0,5 a 11, com máximo absoluto de 33. Segundo a classificação de Köppen, predominam os tipos Cfa (subtropical úmido, de verão quente) no leste catarinense e no extremo nordeste gaúcho, e Cfb (temperado úmido, de verão ameno) no centro-sul do Paraná e em Santa Catarina.

Solos

É uma espécie indiferente ou levemente higrófila quanto às condições físicas do solo.