Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF
Vassourão
Piptocarpha axillaris
- até 15 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: canela-podre, cartucheira, vassoura-preta, cambará-do-campo, pau-toucinho, toucinho-de-folhas-largas, vassourão-graúdo, vassourão-pororoca, vassourão-preto, maria-mole, pau-toucinho-de-folhas-largas, cambará, cambará-branco, cambará-de-folha-miúda, candeia, oliveira-do-mato
Botânica
O nome científico aceito é Piptocarpha axillaris (Lessing) Baker, descrito pela primeira vez em 1873 na obra Flora Brasiliensis de Martius. A espécie pertence à família Asteraceae (chamada de Compositae no sistema de Cronquist), dentro da ordem Asterales. Ao longo do tempo recebeu outros nomes que hoje são considerados sinônimos, como Vernonia axillaris Lessing e Carphobolus axillaris (Less.) Schultz. O nome do gênero une os termos gregos piptein (cair) e karphe (as brácteas que ficam na base do fruto), em referência ao fato de essas brácteas se desprenderem cedo; já o epíteto axillaris vem do latim e indica que as estruturas surgem nas axilas das folhas.
Trata-se de uma planta que varia de arbustiva a arbórea, com troca parcial das folhas (semidecídua). Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 15 m de altura e até 50 cm de diâmetro à altura do peito quando adultos. O tronco é reto ou ligeiramente torto, com fuste curto que não passa de 5 m. A ramificação é dicotômica e os raminhos têm uma cobertura curta e ferrugínea. A casca alcança até 5 mm de espessura: por fora é cinza-clara, e por dentro escurece rapidamente até quase ficar preta quando exposta ao ar. As folhas são alternas, de lâmina elíptica a ovado-elíptica, com ponta aguda ou apiculada e base arredondada ou um pouco afilada; a face superior é lisa, enquanto a inferior é densamente recoberta por pelos estrelados de cor ferrugínea. Medem de 10 a 18 cm de comprimento por 4 a 6 cm de largura, com pecíolo de 1,5 a 2,5 cm. As flores aparecem em capítulos sésseis nas axilas das folhas, reunidas em grupos de 3 a 9. O fruto é um aquênio glabro, dotado de cerdas capilares externas no papus, e a semente é pequena e fica presa ao fruto.
Uso e ecologia
A madeira é leve, com densidade aparente de 0,44 g/cm³ a 15% de umidade, e tem coloração branco-acinzentada. Sua superfície é lisa ao tato e sem brilho, com textura grosseira, grã direita e sem gosto ou cheiro marcantes. Não possui valor comercial e seu emprego em serraria limita-se a caixotaria. É aproveitada como lenha e mostra-se apta para a produção de celulose e papel. As flores oferecem pólen e néctar, com potencial para a apicultura. A análise bromatológica indicou 9,5% de proteína bruta e 6,8% de tanino. Para fins ambientais, em Ouro Preto (MG), a espécie surgiu espontaneamente em voçorocas por regeneração natural.
É uma espécie pioneira. No Planalto Meridional do Brasil sua distribuição é descontínua, aparecendo sobretudo no interior das florestas de pinheiro com submata de imbuia (Ocotea porosa), mas sem chegar a ser abundante. Também ocorre em capões bem desenvolvidos, em matas parcialmente devastadas e na vegetação secundária (capoeirões). A regeneração natural costuma se dar em clareiras de menos de 60 m². Em povoamentos de Araucaria angustifolia e de Eucalyptus sp., foram observados 625 e 5 indivíduos em regeneração, respectivamente. Habita o bioma Mata Atlântica, em Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana, em MG e SP), Floresta Ombrófila Densa (formação Montana, em SP) e Floresta Ombrófila Mista, com araucária (formação Montana, no PR e em SP, onde chega a 47 indivíduos por hectare). No bioma Cerrado, ocorre no cerradão (Savana Florestada) em São Paulo. Aparece ainda em ambientes ripários, como matas ciliares de MG e SP, e em floresta higrófila no Paraná.
A floração é sazonal: ocorre de maio a outubro em São Paulo e no Paraná, e de agosto a outubro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os frutos amadurecem entre setembro e novembro em São Paulo.
A espécie é monoica. A polinização é feita principalmente por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão de frutos e sementes é anemocórica: o vento carrega as sementes, que acabam caindo longe da planta-mãe.
Plantio e silvicultura
Para obter as sementes, os frutos precisam ser macerados, já que elas vêm presas em feixes de cerdas. Cada quilo reúne cerca de 1,5 milhão de sementes. Não é preciso aplicar tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento fisiológico ortodoxo, o que favorece o armazenamento.
Por serem muito pequenas, as sementes devem ser lançadas em sementeiras e, depois, as plântulas repicadas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio. A repicagem é feita de 4 a 6 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 15 e 45 dias após a semeadura, com taxa irregular. As mudas alcançam o ponto de plantio cerca de 6 meses após a semeadura.
Quanto à luz, a espécie é esciófila ou mesófila e suporta temperaturas baixas. Seu crescimento não apresenta dominância apical e a derrama natural é satisfatória; em espaçamentos largos, exige poda dos galhos. Do ponto de vista ecológico, recomenda-se o plantio puro a pleno sol, mas a espécie também pode entrar em plantio misto, servindo de tutor para espécies umbrófilas (que crescem na sombra). Após o corte, rebrota da touça de maneira irregular.
Existem poucas informações sobre o crescimento da espécie em plantios.
A precipitação média anual vai de 1.100 mm, em São Paulo, a 2.000 mm, no Rio Grande do Sul. As chuvas são bem distribuídas no Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas no restante da área, com deficiência hídrica nula no Sul e de pequena a moderada no inverno nas demais regiões. A temperatura média anual varia de 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) a 20,3 ºC (Florianópolis, SC); a média do mês mais frio vai de 8,2 ºC a 16,3 ºC e a do mês mais quente, de 19,1 ºC (Bom Jesus, RS) a 24,7 ºC. A mínima absoluta registrada foi de -10,4 ºC, em Caçador (SC), em 1963, podendo chegar a -17 ºC em alguns pontos do Planalto Sul-Brasileiro. As geadas são frequentes no inverno do Planalto Sul-Brasileiro e raras nos planaltos do centro e leste paulista e no sul mineiro. Pela classificação de Köppen, ocorre nos climas Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.
Em relação às condições físicas do solo, a espécie é indiferente ou levemente higrófila.