Foto: Wikender (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia
Vassourão-branco
Piptocarpha angustifolia
- 5 a 15 m, podendo chegar a 30 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: vassoura-branca, vassourão, vassourão-de-cavalo
Botânica
Seguindo o sistema de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), ordem Asterales e família Asteraceae (Compositae). Foi descrita como Piptocarpha angustifolia por Dusén ex Malme, em publicação de 1933. O nome do gênero une os termos gregos piptein (cair) e karphe (brácteas da base do fruto), referência às brácteas que se desprendem cedo; o epíteto angustifolia, derivado de angustus, alude às folhas estreitas e lanceoladas.
Trata-se de uma árvore perenifólia que costuma medir de 5 a 15 m de altura e ter DAP de 20 a 40 cm, mas que na fase adulta pode alcançar 30 m e 60 cm de DAP. O tronco é praticamente reto, de seção cilíndrica a irregular, com fuste de 5 a 15 m; a base é normal nos exemplares jovens e reforçada nos mais velhos. A ramificação, em geral racemosa e esparsa, forma uma copa alta e alongada (umbeliforme nos indivíduos jovens e flabeliforme nos adultos), pouco densa, de folhagem cinza-clara tão marcante que, à distância, assume um tom prateado. A casca chega a 20 mm de espessura: por fora é cinza-clara a esbranquiçada e quase lisa nas árvores jovens, tornando-se castanho-acinzentada, rugosa, reticulada e estriada nas adultas, com descamação discreta e frequentemente recoberta por liquens, além de lenticelas protuberantes dispostas horizontalmente em aglomerados; por dentro é grossa e quase preta, com estrias amarelas que escurecem ao oxidar, de textura arenosa e estrutura compacta. As folhas são simples, alternas ou opostas, de pecíolo curto e formato estreitamente lanceolado, com bordos serreados ou quase inteiros, glabras na face ventral e acinzentadas no dorso, onde apresentam pelos estrelados; mostram forte dimorfismo entre as fases jovem e adulta. Na fase adulta medem até 9 cm de comprimento por 1,5 cm de largura e são nitidamente discolores, enquanto na submata de florestas naturais alcançam até 20 cm por 5 cm e exibem pelos esparsos. As flores são pequenas e roxas, agrupadas em capítulos de até 12 flores, geralmente reunidos em conjuntos de até três nas axilas foliares. O fruto é uma cipsela (aquênio) seca, indeiscente e pequena, com até 3 mm de comprimento, e a semente, aderida a ele, é diminuta. A produção de sementes equivale a cerca de 10% do número de flores, variando entre indivíduos.
Uso e ecologia
A madeira é leve, com massa específica aparente de 0,40 a 0,57 g/cm³ a 15% de umidade, alburno e cerne indistintos, de cor bege e textura macia, e baixa durabilidade natural (cerca de dois anos). Serrada ou em forma roliça, presta-se à construção civil, tabuado, caixotaria, obras internas, chapas compensadas e aglomeradas e mourões de curta vida útil. Como combustível, fornece lenha de qualidade razoável, com poder calorífico de 4.667 kcal/kg e teor de lignina com cinza de 23,28%. É recomendada para a produção de polpa e papel, com fibras de 1,23 mm de comprimento. A forragem contém de 12% a 15,6% de proteína bruta e 4% de tanino, servindo à alimentação animal. A descrição anatômica detalhada da madeira pode ser consultada em Teixeira.
Classificada como secundária inicial, é uma espécie típica da vegetação secundária, frequente em clareiras, capoeirões e florestas em regeneração. Está entre as melhores indicadoras de vegetação semidevastada no Planalto Sul-Brasileiro. É característica e exclusiva da Floresta Ombrófila Mista Montana (Floresta com Araucária), onde também aparece na mata ciliar, com exceção das observações de Klein na Ilha de Santa Catarina e no Vale do Itajaí, em Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica). Em Campo Mourão, no centro-oeste paranaense, surge associada a elementos da Floresta Estacional Semidecidual. Por ser recomendada para a recuperação de terrenos erodidos e degradados, tem importância na restauração ambiental; seu sistema radicial é predominantemente profundo, chegando por vezes a mais de 2 m.
As gemas floríferas começam a se desenvolver em julho. A floração ocorre de agosto a dezembro no Paraná, de outubro a janeiro no Rio Grande do Sul e de outubro a fevereiro em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de outubro a janeiro no Paraná e de novembro a fevereiro no Rio Grande do Sul. Em plantios, o processo reprodutivo tem início por volta dos 5 anos de idade.
A planta é hermafrodita e sua polinização é feita sobretudo por abelhas e por diversos pequenos insetos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, realizada pelo vento.
Plantio e silvicultura
Para a colheita, os frutos são macerados a fim de liberar as sementes, que ficam reunidas em feixes parecidos com um pincel. Cada quilo contém de 1,2 milhão a 1,62 milhão de sementes. Elas são fotoblásticas positivas, termossensíveis e apresentam dormência endógena, que pode ser superada de dois modos: na natureza, pela ação da luz sobre sementes depositadas no solo (situação comum em grandes clareiras); e em laboratório, pelo uso de temperaturas alternadas entre 20ºC e 30ºC. A viabilidade em armazenamento é curta, em geral inferior a 3 meses, embora se tenha conseguido germinação após 8 meses em ambiente sem controle e 12 meses em câmara seca a 5ºC. Em laboratório, a germinação acontece tanto na presença quanto na ausência de luz, variando apenas a velocidade.
Como a relação entre sementes germinadas e cipselas é baixa e as cipselas são muito pequenas, recomenda-se semear em sementeiras e repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio; a repicagem deve ocorrer de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea e começa entre 24 e 60 dias depois da semeadura, com poder germinativo baixo (apenas 10% a 20% das sementes são viáveis). As mudas atingem porte adequado ao plantio cerca de 6 meses após a semeadura. Na fase de viveiro, a espécie tolera sombreamento moderado, já que plântulas a pleno sol crescem bem mais devagar que as mantidas à sombra.
É uma espécie heliófila, embora se comporte como umbrófila na fase de muda, e tolera baixas temperaturas; em florestas naturais, as árvores adultas suportam mínimas de até -10ºC. Tem crescimento monopodial e desrama natural satisfatória, mas em plantios com espaçamentos amplos exige poda dos galhos. Ecologicamente, o plantio puro a pleno sol é o mais indicado, podendo também ser empregada em plantio misto para tutorar espécies umbrófilas. Apresenta excelente regeneração natural na floresta secundária, sendo viável aproveitar mudas oriundas dessa regeneração; também rebrota da touça, de forma irregular, após o corte.
Na regeneração natural, o crescimento em altura é satisfatório, mas o desempenho em plantios ainda é pouco conhecido. Seitz estima uma produtividade de até 30 m³ por hectare ao ano para 1.000 plantas por hectare, aos 7 anos de idade.
A precipitação média anual varia de 1.200 mm, em São Paulo, a 2.300 mm, em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e sem déficit hídrico nem estação seca definida. A temperatura média anual oscila entre 15,5ºC (Caçador, SC) e 21ºC (Campo Mourão, PR); a média do mês mais frio vai de 10,7ºC (Caçador, SC) a 16,3ºC (Florianópolis, SC) e a do mês mais quente, de 19,9ºC (Curitiba, PR) a 24,7ºC (Florianópolis, SC). A mínima absoluta registrada é de -11,6ºC (Xanxerê, SC), podendo chegar a -15ºC na relva. O número de geadas por ano fica em média entre 0 e 30, com máximo absoluto de 57 na Região Sul. Pela classificação de Köppen, predominam os climas temperado úmido (Cfb), na maior parte da área, e subtropical úmido (Cfa), em menor extensão.
A espécie parece não sofrer com a baixa fertilidade química do solo, desenvolvendo-se bem inclusive em superfícies alteradas por terraplenagem. Não ocorre em terrenos encharcados ou muito úmidos e pode ser plantada tanto em solos rasos quanto profundos, desde que bem drenados e de textura franca a argilosa.