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Foto de Vassoura-vermelha

Foto: J.M.Garg (CC BY 3.0) via Wikimedia

Vassoura-vermelha

Dodonaea viscosa

Sapindaceae Mata AtlânticaCaatingaPampa
  • até 8 mAltura
  • Pequeno portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: vassourão, vassoura-ferro, vassoura-viscosa, vassourinha-vermelha, erva-de-veado, faxina-vermelha, faxinha-vermelha, vassoura, vassoura-do-campo, vassourinha-do-campo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Sapindaceae e ao gênero Dodonaea, a espécie foi descrita por Linnaeus e posteriormente reclassificada por Jacquin, com publicação em 1760 (Enum. pl. carib. 19). Na classificação filogenética do APG II, situa-se no clado das Eurosídeas II; em Cronquist, é alocada na ordem Sapindales. São registrados como sinônimos botânicos mais comuns Dodonaea angustifolia L. e Dodonaea fauriei Léveillé, embora a sinonímia da espécie seja extensa. O nome do gênero homenageia o médico e herbalista belga Rembert Dodoens (Dodonaeus), nascido em Michelen em 1518 e falecido em 1585, que atendeu os imperadores Maximiliano II e Rodolfo II e lecionou em Leyden. Já o epíteto viscosa refere-se às folhas viscosas, resultado da resina abundante que produzem.

Descrição botânica

Trata-se de um arbusto ou arvoreta perenifólia, cujos exemplares de maior porte alcançam por volta de 8 m de altura e 25 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco é curto e levemente canelado, e a ramificação é cimosa, com ramos avermelhados, angulados e dotados de crosta saliente abaixo da inserção foliar. A casca, de até 10 mm de espessura, tem ritidoma liso com discretas fissuras verticais. As folhas são simples e alternas, de formato bastante variável: ora oblongo-lanceoladas, agudas ou obtusas, lembrando um losango, mucronado-apiculadas, ora estreitamente lanceoladas, alongadas, sublineares ou, raramente, subespatuladas, sempre de base atenuada, pecíolo curto (cerca de 1 cm), margens íntegras ou às vezes irregulares e revolutas, nervura central forte e convexa na face inferior e numerosas nervuras laterais; são subcartáceas, polidas e viscosas. As inflorescências surgem em cachos, panículas ou, por vezes, flores isoladas nas axilas dos ramos. As flores têm pedicelo longo, brácteas reduzidas e quatro sépalas de 3 mm, em tom branco-amarelo-esverdeado. O fruto é uma cápsula suborbicular, membranácea ou coriácea, em geral trilocular (mais raramente bi ou quadrilocular), com asas glandulosas dispostas radialmente, medindo cerca de 2,2 cm de comprimento por 2,5 cm de largura. Cada lóculo abriga de 1 a 2 sementes comprimidas ou subglobosas, sem arilo, de funículo engrossado e embrião torcido em espiral.

Uso e ecologia
recuperação de áreaspaisagismomedicinalapícolamadeireiroenergético
Produtos e utilizações

As flores são melíferas, com aproveitamento apícola. A madeira é vermelha, moderadamente densa, de textura fina e grã direita, porém de baixa resistência mecânica e pouca durabilidade; presta-se a obras internas e externas, como mourões, e é boa fonte de lenha e carvão, mas não serve para celulose e papel. No campo medicinal, sobretudo na Região Sul, a planta é usada na medicina caseira contra cólicas flatulentas, reumatismo, gota e doenças venéreas: o decocto da madeira combate a febre, a casca entra em banhos adstringentes e as folhas e seu exsudato resinoso, de sabor amargo, têm ação aromática, adstringente, sudorífica, purgativa e febrífuga, aplicados em cataplasmas; a seiva é empregada para desobstruir tumores, a infusão das folhas para problemas cardíacos e como expectorante, e na Bolívia as folhas trituradas são usadas em fraturas ósseas. Quimicamente, apresenta traços de triterpenos e pequenas quantidades de compostos cardiotônicos, além de saponinas e flavonoides mais abundantes. Pela folhagem ornamental, pelas flores amarelo-esverdeadas e pelos frutos e tronco vermelhos, tem potencial paisagístico, sendo indicada para arborização de ruas estreitas e áreas sob redes elétricas.

Aspectos ecológicos

A vassoura-vermelha é uma espécie pioneira. Em áreas de campo onde ocorre naturalmente, após queimadas há intensa emergência de plântulas a partir do banco de sementes do solo, formando densos agrupamentos e revelando forte regeneração natural após o fogo. É muito abundante na vegetação arbustiva de restingas alteradas pelo homem, onde chega a constituir agrupamentos quase puros, e nas capoeiras do litoral catarinense substitui ecologicamente as vassouras do gênero Baccharis. A espécie se espalhou por áreas degradadas em vários estados, colonizando culturas e pastagens abandonadas. Aparece na Floresta Ombrófila Densa (formações das Terras Baixas e Submontana) no Paraná e em Santa Catarina, em vegetação de restinga no Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo (com até 188 indivíduos por hectare), em vegetação arbustiva subcaducifólia de Pernambuco, em estepes e campos do Rio Grande do Sul, além de brejos de altitude nordestinos e capões de Podocarpus lambertii.

Floração e frutificação

A floração vai de maio a agosto em Santa Catarina, de junho a setembro no Rio Grande do Sul e ocorre em junho no Estado de São Paulo. A maturação dos frutos acontece de agosto a outubro em São Paulo, de setembro a outubro em Santa Catarina, de setembro a novembro no Espírito Santo e de janeiro a fevereiro no Rio Grande do Sul. Em plantio, a reprodução começa a partir dos 2 anos de idade, e em regiões de clima quente (tropical e subtropical) a espécie chega a frutificar duas vezes ao ano.

Fauna associada

Espécie monóica, tem a polinização realizada essencialmente por diversos insetos pequenos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da planta quando atingem coloração preta; em seguida, são secos ao sol para facilitar a remoção das sementes por esfregamento manual em peneira fina. A época da coleta influencia muito a germinação: sementes escuras colhidas em novembro chegaram a germinar 93 %, enquanto as verdes não germinaram (o teste de tetrazólio mostrou, porém, que as escuras não germinadas eram viáveis), pois a cor dos tegumentos indica a capacidade germinativa por estar ligada à permeabilidade dos envoltórios. Um quilo reúne de 70.400 a 115.000 sementes. Como tratamento pré-germinativo, recomenda-se embeber as sementes em água a 97 ºC por 15 minutos ou escarificá-las. Não há dados consolidados sobre armazenamento, mas é provável que as sementes percam o poder germinativo rapidamente.

Produção de mudas

Indica-se semear em sementeiras e repicar as plântulas para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio, de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência tem início entre 15 e 45 dias após a semeadura. Sem tratamento de quebra de dormência, as sementes germinam cerca de 60 %; com tratamento, alcançam até 92,7 %. As mudas ficam aptas ao plantio por volta de 3 meses após a semeadura. Estudos não detectaram diferenças significativas de sobrevivência e emergência entre o plantio com mudas e a semeadura direta no campo.

Características silviculturais

Espécie heliófila e medianamente tolerante ao frio, deve ser plantada a pleno sol em razão de suas exigências ecológicas. Apresenta forma tortuosa, sem dominância apical definida, com ramificação pesada, bifurcações e multitroncos, além de desrama fraca, o que exige podas frequentes de condução e de galhos. Rebrota vigorosamente após o corte ou a passagem do fogo, desde o colo até alturas maiores, e também emite brotações a partir das raízes.

Crescimento e produção

Há poucos registros de plantio da espécie, mas seu crescimento é considerado lento.

Clima

A precipitação média anual nas áreas de ocorrência varia de 600 mm, na Chapada de São José (PE), a 2.000 mm, no Rio Grande do Sul. As chuvas são uniformemente distribuídas na Região Sul e no sudeste paulista e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica vai de nula (litorais do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e sudeste de São Paulo) a forte (Bahia, Ceará e Pernambuco), e a planta é muito resistente a períodos secos. A temperatura média anual oscila entre 16,3 ºC (Caxias do Sul, RS) e 26,6 ºC (Fortaleza, CE), com mínima absoluta de -5 ºC em Pelotas (RS) e ocorrência média de 0 a 5 geadas por ano, podendo chegar a 20 no Rio Grande do Sul. Segundo Köppen, abrange os tipos Af, Am, As, Aw, BShw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb, conforme a região.

Solos

É pouco exigente quanto às condições do solo, ocorrendo sobretudo em terrenos muito arenosos e pobres. Adapta-se a uma ampla variedade de solos, inclusive rochosos e secos.