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Foto de Umbuzeiro

Foto: stephen (CC BY) via GBIF

Umbuzeiro

Spondias tuberosa

Anacardiaceae Caatinga
  • até 8 mAltura
  • Pequeno portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: umbu, imbu, imbuzeiro, ambu, embu, ombu

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Anacardiaceae e ao gênero Spondias, a espécie está classificada na ordem Sapindales (clado Eurosídeas II), conforme o sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG II). Seu binômio é Spondias tuberosa, descrito por Arruda Câmara. O nome do gênero, Spondias, remete a "ameixa", enquanto o epíteto tuberosa faz referência às túberas, ou "batatas", que a planta forma. Já o nome popular umbuzeiro deriva da expressão indígena y-mb-ú, que pode ser traduzida como "árvore que dá de beber".

Descrição botânica

Trata-se de uma arvoreta que perde as folhas durante a estação seca. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 8 m de altura e 40 cm de diâmetro à altura do peito quando adultos. O tronco é baixo, retorcido, atrofiado e deliquescente, e a casca atinge até 3,2 cm de espessura, sendo a parte externa acinzentada, com ritidoma que se solta em placas quase retangulares. A ramificação é cimosa e forma uma copa baixa, larga e arredondada, com aproximadamente 10 m de diâmetro; os ramos são compridos, e os mais baixos crescem na horizontal, emaranhados e por vezes pendentes, podendo encostar no chão. As folhas são compostas, alternas, imparipinadas, com folíolos ovalados e glabras na fase adulta. As inflorescências surgem em panículas terminais de 10 cm a 15 cm de comprimento, com flores pequenas, esbranquiçadas, pouco vistosas e de aroma enjoativo. O fruto é uma drupa ovoide e carnosa, de cor verde-amarelada, polpa doce e aromática, medindo de 12 cm a 15 cm e pesando entre 10 g e 20 g, com um caroço central. Esse caroço, de tamanho variável (cerca de 2 cm), abriga a semente e é bastante resistente, sendo formado por três camadas dotadas de orifícios pelos quais a água entra e o broto sai durante a germinação.

Uso e ecologia
alimentíciomedicinalapícolapaisagismorecuperação de áreasmadeireiro
Produtos e utilizações

É considerada a planta de maior valor da Caatinga. Seus frutos comestíveis rivalizam com as melhores frutas nacionais e importadas: da polpa se fazem doces caseiros, sucos, refrigerantes e até cachaça, e quando misturada com leite e adoçada com açúcar ou rapadura dá origem à imbuzada, prato típico dos sertanejos na época da frutificação. O umbu maduro é rico em vitamina C, com teores entre 14,2 mg (fruto maduro) e 33 mg (fruto verde) por 100 cc. A túbera, ou cunca, também é comestível, suculenta e de sabor doce, servindo para matar a sede e para fazer doces. O caroço, rico em gorduras e proteína, fornece óleo aproveitável na produção de margarina. Folhas, frutos e "batatas" alimentam o gado e outros animais domésticos, com teor de proteína bruta de 9,71% na parte aérea e 4,11% na batata. A planta é melífera e indicada para a produção de pasta de papel. Sua lenha e carvão são de boa qualidade. A madeira é leve, mole e fácil de trabalhar, com alburno e cerne indistintos e coloração esbranquiçada, sendo seu principal inimigo o cupim, que a ataca desde cedo; presta-se a obras internas, caixotaria, móveis rústicos e cachimbos. No uso medicinal popular, a água das "batatas", rica em vitamina C e sais minerais, é empregada contra diarreias, verminoses e escorbuto; o chá da casca trata diarreias e outras moléstias, e entre os índios kariri-shokó o decocto da casca é tido como anti-hemorrágico e usado para prevenir aborto; o chá da casca ou das folhas serve de calmante, e as cascas são aplicadas no tratamento da córnea.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira e típica da Caatinga, sendo considerada endêmica desse bioma, embora em algumas áreas não integre a comunidade vegetal original. Ocorre na Bahia, no Ceará, em Minas Gerais, na Paraíba e em Pernambuco, com frequência de até 20 indivíduos por hectare. Aparece também em ambientes fluviais ou ripários (Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco), em áreas de tensão ecológica entre Caatinga e Floresta Estacional Decidual (no Sertão de Canudos, na Bahia), em campo rupestre (Minas Gerais) e em matas mesofíticas (Bahia). Indicada para fins ambientais, é extremamente resistente a longas estiagens graças à reserva de água armazenada em suas túberas subterrâneas. Essas estruturas, chamadas xilopódios ou túberas e conhecidas popularmente como "calofa", "cunanga", "cunga" ou "batata do umbu", são órgãos intumescidos, esponjosos, arredondados e escuros, com 20 cm ou mais de diâmetro e até 4 kg, formados por tecido lacunoso e celulósico, capazes de fornecer cerca de 250 mL de água; a casca é escura e o interior esbranquiçado, e suas substâncias nutritivas sustentam a planta nos períodos secos.

Floração e frutificação

A floração acontece em setembro na Bahia e de outubro a fevereiro em Pernambuco. Os frutos maduros surgem de novembro a março em Pernambuco. Na Caatinga, a frutificação começa por volta do sétimo ano de vida, mas em mudas enxertadas já ocorre a partir dos 4 anos.

Fauna associada

Espécie monoica, é polinizada principalmente por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão é zoocórica: animais que comem o fruto eliminam o caroço sem digeri-lo, destacando-se entre os dispersores veados e cágados, além de muitos outros.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos na própria árvore, quando começam a cair espontaneamente, ou recolhidos do chão após a queda; em seguida, são despolpados, lavados em peneira sob água corrente e postos para secar à sombra. Uma árvore bem desenvolvida, com copa de cerca de 10 m de diâmetro, pode render aproximadamente 300 frutos. Há de 200 a 490 sementes por quilo. Não é preciso aplicar tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento ortodoxo no armazenamento, sendo a criopreservação indicada para a conservação de longo prazo.

Produção de mudas

Recomenda-se semear uma única semente por saco de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes grandes de polipropileno. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, irregular, variando de 19,6% a 62,4%. A propagação vegetativa ocorre de forma irregular por estaca ou agamicamente: a estaca brota, mas só se desenvolve depois que o sistema radicular está bem estabelecido.

Características silviculturais

Heliófila, a espécie não suporta baixas temperaturas. Costuma apresentar forma irregular, sem dominância apical definida e com ramificação pesada, exigindo podas de condução e de galhos frequentes e periódicas, já que sua desrama natural é insatisfatória. Recomenda-se o plantio misto. Regenera-se espontaneamente por brotações do caule e das raízes (raízes gemíferas) e rebrota com vigor da touça ou cepa. Em sistemas agroflorestais, é usada como cerca-viva, sombreira e fonte de alimento para o gado. O número cromossômico é 2n = 32.

Crescimento e produção

Há poucos registros de crescimento em plantios, mas o desenvolvimento da espécie é lento.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 316 mm, no Sertão dos Inhamuns (sudoeste do Ceará), a 1.500 mm, na Paraíba, com chuvas periódicas. A deficiência hídrica é de moderada a forte no oeste da Bahia, forte no norte de Minas Gerais e do Piauí, e de forte a muito forte durante quase todo o ano no interior do Nordeste. A temperatura média anual fica entre 21,6 ºC (Areia, PB) e 27,6 ºC (Simplício Mendes, PI); a média do mês mais frio varia de 19,7 ºC (Areia, PB) a 26 ºC (Morada Nova, CE) e a do mês mais quente, de 23 ºC a 28,4 ºC nas mesmas localidades; a mínima absoluta registrada é de 10 ºC (Irecê, BA), e não ocorrem geadas. Pela classificação de Köppen, predomina o clima BSwh (tropical quente e seco, típico do Semiárido) na Bahia, no Ceará, em Pernambuco e no sudeste do Piauí; Aw (tropical quente com estação seca de inverno) no norte de Minas Gerais e sul do Piauí; e As (tropical chuvoso com verão seco) na Paraíba e em Pernambuco.

Solos

É encontrada com maior abundância em solos arenosos e profundos.