Timbuva
Abarema brachystachya
- até 10 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: cobi-branco, timbouva
Botânica
Pertence à família Fabaceae (antes tratada como Leguminosae no sistema de Cronquist) e à subfamília Mimosoideae, dentro do gênero Abarema. Pela classificação do APG II, situa-se na ordem Fabales, no clado das eurosídeas I. A descrição válida da espécie, Abarema brachystachya (de Candolle) Barneby & Grimes, foi publicada em 1996 nos Memoirs of The New York Botanical Garden (v. 74, parte I, p. 91). Entre os sinônimos botânicos figuram Mimosa lusoria Vellozo, Pithecollobium lusorium (Vahl) Bentham e Pithecollobium rhombeum Bentham. O nome do gênero deriva do tupi-guarani abaremotemo — de abaré (padre) e motimbora (produzir fumaça, incenso) —, enquanto a origem do epíteto brachystachya é desconhecida.
Trata-se de uma planta de hábito que varia de arbustivo a arbóreo, perenifólia (sempre-verde), com renovação foliar gradual. Os exemplares de maior porte alcançam cerca de 10 m de altura e 30 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco apresenta-se reto e cilíndrico, em geral com fuste curto que não passa de 5 m. A ramificação é dicotômica e forma uma copa densa e arredondada. A casca chega a 10 mm de espessura, com superfície externa (ritidoma) rugosa e fendilhada. As folhas são compostas e bipinadas, com eixo comum (pecíolo mais raque) de 3 cm a 9 cm e de 2 a 5 pares de pinas, havendo uma glândula no ponto em que as pinas se inserem na raque; cada pina reúne de 4 a 8 pares de folíolos coriáceos, discolores e verde-escuros, com 0,7 cm a 4 cm de comprimento. As inflorescências reúnem-se em capítulos globosos, sésseis ou de pedúnculo curto, com flores esbranquiçadas e bastante ornamentais. O fruto é um legume curvo e contorcido após a abertura, de valvas coriáceas e bordos elevados, que ao deiscer expõe a face interna avermelhada. As sementes, duras e bicolores (esbranquiçadas e azuladas), medem de 6 mm a 8 mm.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente de 0,78 g/cm³), de cor amarelo-suave, com alburno pouco diferenciado do cerne, textura média e grã direita; tem baixa resistência mecânica e pouca durabilidade. Por essas características, presta-se sobretudo à fabricação de embalagens e cabos de ferramentas, além de ser empregada como lenha. Não é apropriada para a produção de celulose e papel. A planta tem potencial apícola, oferecendo néctar e pólen às abelhas. No paisagismo, por ser elegante, serve à arborização de praças e grandes jardins. Em projetos ambientais, é indicada para a recuperação de áreas degradadas e a restauração de matas ciliares.
É uma espécie pioneira, característica da vegetação secundária nos estágios de capoeira e capoeirão. No bioma Mata Atlântica, integra a Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), nas formações das Terras Baixas e Submontana, sendo frequente no Paraná. Também aparece em ambientes fluviais ou ripários (mata ciliar) no Paraná e em vegetação de restinga, com influência marinha, no Paraná e em São Paulo. Em um levantamento de florestas ciliares do Brasil extra-amazônico, Rodrigues e Nave registraram a espécie em apenas um dos 43 estudos, ou seja, em 2,2% dos trabalhos amostrados.
A floração ocorre de setembro a maio no Paraná e em março em São Paulo. Os frutos amadurecem de junho a outubro em São Paulo e de julho a dezembro no Paraná.
A espécie é hermafrodita e tem a polinização realizada principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão de frutos e sementes é autocórica, sobretudo barocórica (por gravidade), e essencialmente ornitocórica, com participação das aves.
Plantio e silvicultura
Os frutos da timbuva devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a abrir espontaneamente, momento percebido pela cor vermelha do interior das vagens. Cada quilo reúne cerca de 1.300 sementes. Como apresentam dormência tegumentar moderada, é preciso superá-la por imersão em ácido sulfúrico durante 1 minuto ou por escarificação mecânica. As sementes têm comportamento fisiológico ortodoxo e, guardadas em condições ambientais, conservam o poder germinativo por mais de um ano.
A semeadura pode ser feita diretamente em sacos de polietileno, em tubetes de polipropileno ou em canteiros para posterior repicagem, recomendando-se repicar as plântulas de 1 a 2 semanas após a germinação; o sistema radicial é profundo. A germinação é epígea (fanerocotiledonar): com a dormência superada, a emergência começa entre 10 e 30 dias e o poder germinativo ultrapassa 75%; sem esse tratamento, a emergência leva de 20 a 60 dias e a germinação fica abaixo de 30%. Em torno de 6 meses, as mudas já têm porte adequado para o plantio em campo. As raízes associam-se a Rhyzobium, formando nódulos do tipo muconoide, com baixa atividade da nitrogenase.
É uma espécie heliófila e sensível a baixas temperaturas. O hábito de crescimento começa monopodial e depois se torna irregular, exigindo desrama para melhorar o fuste; rebrota da touça ou da cepa. Pode ser cultivada a pleno sol, tanto em plantios puros quanto mistos.
Existem poucos registros de crescimento da timbuva em plantios, mas o desenvolvimento conhecido é lento.
A precipitação média anual varia de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 3.200 mm, no litoral paulista, com chuvas bem distribuídas no litoral do Paraná e em parte do litoral fluminense e chuvas periódicas no Espírito Santo. A deficiência hídrica é nula nessas porções litorâneas do Paraná e do Rio de Janeiro e moderada no litoral norte do Espírito Santo. A temperatura média anual fica entre 19,6 ºC (Paranaguá, PR) e 24,8 ºC (Bertioga, SP); a média do mês mais frio vai de 16,1 ºC (Paranaguá, PR) a 21,3 ºC (Rio de Janeiro, RJ) e a do mês mais quente, de 24,1 ºC (Paranaguá, PR) a 26,5 ºC (Rio de Janeiro, RJ). A mínima absoluta registrada foi de -0,9 ºC, em Morretes (PR). As geadas vão de raras a pouco frequentes no litoral paranaense e são ausentes no restante da área. Na classificação de Köppen, predominam os tipos Af (tropical úmido a superúmido), do litoral do Paraná ao sul do litoral fluminense, e Am (tropical úmido a subúmido, com chuvas de monção), no litoral norte capixaba.
Desenvolve-se de preferência em terrenos baixos, de drenagem moderada e textura arenosa, normalmente com fertilidade média.