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Foto de Timbó-graúdo

Foto: ANDRÉS GONZÁLEZ (CC0) via GBIF

Timbó-graúdo

Lonchocarpus muehlbergianus

Fabaceae Mata Atlântica
  • até 30 mAltura
  • Grande portePorte
Raras / ameaçadasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: feijão-cru, rabo-de-bugio, timbó, embira-branca, ingá-seco, rabo-mole, guaianã, rabo-de-macaco, rabo-de-mico, bodoque, embira-de-sapo, guanhanã, manga-brava, mata-bode, sapuçu

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (Leguminosae, subfamília Faboideae ou Papilionoideae), a espécie foi descrita por Hassler e publicada em 1907 no Bulletin de l'Herbier Boissier. Está classificada no gênero Lonchocarpus, cujo nome remete ao formato característico do fruto, semelhante à ponta de uma lança (do grego lonchos, lança, e carpo, fruto). Há registro do sinônimo botânico Lonchocarpus muehlbergianus forma angustifoliolata Hassler. Fora do Brasil, recebe nomes como rabo molle (Argentina), cuqui (Bolívia) e ka'avusu (Paraguai).

Descrição botânica

Arvoreta ou árvore decídua que, em fase adulta, pode alcançar cerca de 30 m de altura e 85 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é cilíndrico, ocasionalmente cônico, variando de reto a tortuoso, com pequenas sapopemas na base sobretudo nos indivíduos maiores; o fuste atinge até 15 m. A ramificação é dicotômica irregular e ascendente, formando copa corimbiforme e irregular com cerca de 10 m de circunferência. Os galhos são estriados, com lenticelas espalhadas e indumento pubescente a pubérulo, tornando-se escamoso-rugosos e glabros nos mais antigos. A casca chega a 18 mm de espessura: por fora é cinza-clara a grisácea, quase lisa e com muitas lenticelas horizontais (tornando-se levemente fendilhada nas árvores mais velhas), e por dentro é amarela, de textura arenosa e estrutura compacta e heterogênea. As folhas são compostas, alternas e imparipinadas, com 15 a 30 cm de comprimento, reunindo de 7 a 11 folíolos (raramente 13 ou 15) elíptico-lanceolados de 5 a 12 cm por 2 a 5 cm, discolores, glabros na face superior e pubescentes e mais claros na inferior. As inflorescências são panículas axilares, laxas e multifloras, situadas nas pontas dos galhos, com 10 a 45 cm de comprimento e indumento que confere aspecto verde-prateado. As flores, irregulares e de 8 a 10 mm, variam do azul-violáceo ao lilás ou púrpura, com manchas esverdeadas no estandarte. O fruto é um legume samaróide, comprimido, seco e indeiscente, de formato elíptico a longo-oblongo e levemente falcado, coriáceo, com margem superior alada (ala de até 3 mm) e indumento ferrugíneo-pubescente curto e denso, em tons de marrom-mostarda a amarelo-torrado; mede de 4 a 20 cm por 2 a 5 cm e abriga de 1 a, raramente, 5 sementes. As sementes são ovais, de cor branco-verdosa, com 2 a 4 cm de comprimento por 1,5 a 3 cm de largura.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,70 a 0,82 g/cm³ a 15% de umidade), de cor branco-amarelada, textura média a grossa, grã direita e brilho moderado, sendo de fácil trabalhabilidade. Por outro lado, é bastante suscetível ao ataque de insetos quando não recebe tratamento, podendo ser danificada por xilófagos como Lyctus sp. mesmo já seca. Localmente é empregada em cabos de ferramentas e de utensílios domésticos, carpintaria leve sem grande exigência de resistência, desdobro, tabuado em geral, caixotaria e eixos de carreta. No Paraguai, é muito usada como lenha e na produção de carvão, e a espécie também se mostra adequada para celulose e papel. As raízes das árvores deste gênero apresentam alto teor de rotenona.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial a secundária tardia, é comum colonizar áreas abertas, por vezes formando agrupamentos puros que surgem a partir da brotação de raízes. Costuma integrar boa parte do estrato superior da floresta e tem distribuição ampla, embora descontínua e pouco expressiva. No bioma Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Decidual (formações Aluvial e Montana) do noroeste do Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina, com até três indivíduos por hectare; na Floresta Estacional Semidecidual (formações Aluvial, Submontana e Montana) do Paraná, Minas Gerais e São Paulo, com 3 a 56 indivíduos por hectare; e na Floresta Ombrófila Mista (formação Montana) do Paraná, chegando a 85 indivíduos por hectare. Também habita ambientes fluviais e ripários em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo (9 a 12 indivíduos por hectare). Na Argentina, ocorre na Selva Misionera, com 2 a 6 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração acontece de outubro a janeiro no Rio Grande do Sul e em São Paulo, e de dezembro a janeiro no Paraná. Observou-se que os exemplares de campo nem sempre florescem todos os anos, podendo passar longos períodos sem florada. Os frutos amadurecem de maio a julho no Paraná e de julho a agosto no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Fauna associada

Espécie monoica, é polinizada principalmente por abelhas, com destaque para a abelha-europeia ou africanizada (Apis mellifera), além de diversos insetos pequenos. A dispersão é autocórica, combinando barocoria (queda por gravidade) e anemocoria (transporte pelo vento). Na Argentina e no Paraguai, é considerada uma boa árvore melífera.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos na própria árvore assim que mudam do verde para o marrom-claro e começam a cair naturalmente; também podem ser recolhidos do chão após a queda. Em seguida, são levados ao sol para secar, o que facilita a abertura manual e a retirada das sementes. Cada quilo reúne de 1.100 a 1.900 sementes. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo, mas recomenda-se imergi-las em água fria por duas horas para acelerar e uniformizar a germinação. As sementes têm comportamento recalcitrante e viabilidade curta, devendo ser conservadas em ambiente frio para prolongar sua durabilidade.

Produção de mudas

Indica-se semear uma única semente diretamente em saco de polietileno ou em tubete grande de polipropileno; quando preciso, a repicagem é feita de 1 a 2 semanas após a germinação. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência entre 10 e 90 dias após a semeadura e taxas de 44% a 76%; a raiz primária branca surge por volta do terceiro dia e cresce até o oitavo. A raiz principal é espessa e apresenta lenticelas semelhantes às do caule, enquanto as secundárias e terciárias são bem mais finas e exibem nódulos curtos e ramificados. As mudas ficam aptas ao plantio cerca de 6 meses após a semeadura e podem ser produzidas de pleno sol até 40% de luz, havendo recomendação de uso de luz solar direta. Entre os substratos sugeridos estão misturas com húmus de minhoca, casca de arroz carbonizada, terra de subsolo, esterco de gado curtido e vermiculita fina. As raízes abrigam vários nódulos fixadores de nitrogênio.

Características silviculturais

Heliófila e tolerante a baixas temperaturas, apresenta forma tortuosa e sem dominância apical definida, com ramificação pesada e bifurcações. Como sua desrama natural é fraca, exige podas frequentes de condução e de galhos. Para a regeneração, recomenda-se o plantio misto; observou-se ainda que a raiz se propaga vegetativamente com facilidade, formando pequenos aglomerados ao redor da planta-mãe. A espécie consta na lista de plantas ameaçadas de extinção do Paraná, na categoria rara.

Crescimento e produção

Existem poucos dados sobre o desempenho da espécie em plantios.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.200 mm, em Minas Gerais, a 2.000 mm, no Paraná. As chuvas distribuem-se de forma uniforme na Região Sul (exceto no norte do Paraná) e são periódicas em São Paulo, no sul de Mato Grosso do Sul e no sul de Minas Gerais. A deficiência hídrica é nula na Região Sul (exceto no norte do Paraná), de pequena a moderada no inverno do centro-sul mineiro e centro-leste paulista, e moderada no inverno do norte do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul. A temperatura média anual fica entre 16,5 ºC (Curitiba, PR) e 22,3 ºC (Jaú, SP); a do mês mais frio entre 12,2 ºC e 18,7 ºC, e a do mês mais quente entre 19,9 ºC (Curitiba) e 25,5 ºC (Foz do Iguaçu, PR). A mínima absoluta chega a -7 ºC em Irati (PR), podendo atingir -10 ºC na relva. O número de geadas vai de 0 a 10,4 por ano, com máximo de até 33 no Paraná. Segundo Köppen, a espécie ocorre nos climas Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Não é exigente quanto ao tipo de solo, ocorrendo naturalmente em latossolos profundos de boa fertilidade química e textura argilosa ou arenosa, bem como em solos calcários. É tida como indicadora de solos férteis.