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Foto de Timbó

Foto: Alan Hentz (CC BY 4.0) via inaturalist

Timbó

Ateleia glazioveana

Fabaceae Mata Atlântica
  • 5 a 15 mAltura
  • Médio portePorte
MedicinaisMadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: cinamomo-bravo, maria-preta, timbé, timbózinho

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

O nome científico é Ateleia glazioveana, descrita por Baillon em 1881, com Ateleia glaziowiana registrada como sinônimo botânico. O termo Ateleia carrega o sentido de imperfeita, em alusão à escassez do material-tipo usado na descrição, enquanto o epíteto glazioveana homenageia Auguste François Marie Glaziou, jardineiro francês trazido por Dom Pedro II e responsável por obras importantes no Rio de Janeiro. Pertence à família Fabaceae (Leguminosae Papilionoideae), ordem Fabales.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore caducifólia que costuma medir de 5 a 15 m de altura e de 20 a 30 cm de DAP, podendo, na fase adulta, alcançar até 25 m de altura e 70 cm de DAP. O tronco varia bastante conforme o ambiente, mostrando-se reto quando a planta cresce dentro da floresta, com fuste de até 8 m. A ramificação é dicotômica e a copa, pequena e alongada, exibe folhagem de tom verde-amarelado. A casca chega a 10 mm de espessura; nos exemplares jovens a parte externa é cinza-clara, lisa ou quase lisa, escamosa e com lenticelas, enquanto a casca interna, amarelada, oxida rapidamente após o corte. As folhas são alternas, compostas e imparipinadas, com 20 a 40 cm de comprimento e de 21 a 30 folíolos alternos, lanceolados e membranáceos, de ápice longamente acuminado, com 3 a 7 cm de comprimento, discolores e nervura principal evidente. As flores, amareladas, formam inflorescências terminais de até 15 cm. O fruto é do tipo samaróide, indeiscente, com uma única semente, formato semiorbicular, medindo de 2,2 a 2,7 cm de comprimento por 0,8 cm de largura, de cor amarelo-clara, com uma pequena ala ao longo da sutura superior e a semente visível no centro. A semente, avermelhada e parecida com um feijão, mede de 4 a 4,5 mm.

Uso e ecologia
madeireirorecuperação de áreasmedicinal
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,50 a 0,76 g/cm³ a 12% de umidade e 0,72 a 0,81 g/cm³ a 15%), com alburno e cerne não diferenciados, de tom amarelado. Tanto a casca quanto o alburno exalam odor forte e desagradável. Sua durabilidade natural é baixa e ela é facilmente atacada por carunchos, exigindo tratamento preservante para uso externo, o que é facilitado pela boa absorção do material. Pouco valorizada, costuma ter aplicação local em construção civil, obras internas, forros, sarrafos, ripas, caixotaria, carpintaria e na confecção de objetos leves, sendo às vezes empregada em dormentes e mourões de pouca durabilidade; há quem sugira estudar seu potencial para lâminas faqueadas. Possui baixo poder calorífico, recomendando-se para geração de gás pobre, e é inadequada para celulose e papel. A planta tem propriedades inseticidas e contém isoflavonas de ação ictiotóxica. A forragem reúne 21% de proteína bruta e 5% de tanino, mas é tóxica: é a planta tóxica mais comum no noroeste do Rio Grande do Sul e no oeste de Santa Catarina, e a ingestão das folhas provoca aborto em bovinos, ovinos, equinos e provavelmente caprinos. Nos bovinos os abortos podem ocorrer em qualquer fase da gestação, em geral entre novembro e maio, já que de junho a setembro a árvore fica sem folhas; a frequência varia de cerca de 10% a 40% das vacas prenhes. No uso medicinal tradicional, o carvão da espécie era preparado em chá contra apendicite e aplicado nas juntas e pernas das crianças para fortalecê-las quando começavam a andar. É indicada para conservação e recuperação de solos e ecossistemas degradados, podendo ajudar no controle de voçorocas graças ao sistema radicial pivotante, vigoroso e agressivo, e pode ser plantada em matas ciliares em locais sem inundação.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira, precursora e agressiva, que invade os campos e nunca aparece no interior da floresta, embora muitas vezes forme a sua margem avançada. Apresenta regeneração natural intensa fora da floresta primária e constitui povoamentos densos chamados de timbozais. No noroeste do Rio Grande do Sul e no oeste de Santa Catarina é tida como planta invasora, dado o seu vigor reprodutivo e vegetativo. Caracteriza a vegetação secundária da Floresta Estacional Decidual, sobretudo nas bacias dos rios Uruguai e Paraguai, e no oeste catarinense chega a formar associação pioneira com Araucaria angustifolia, dominando e invadindo amplamente os campos da região. Na Argentina, ocupa a Selva Misionera. Em levantamento na Floresta Estacional Decidual do noroeste gaúcho, registraram-se 5 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração vai de outubro a janeiro no Rio Grande do Sul e de novembro a janeiro no Paraná. Os frutos amadurecem de março a maio em Santa Catarina, de maio a junho em São Paulo e de abril a julho no Paraná e no Rio Grande do Sul. Em plantios, o ciclo reprodutivo começa por volta dos 4 anos de idade.

Fauna associada

É uma planta hermafrodita, polinizada principalmente por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão dos frutos é feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

As sementes são retiradas manualmente do fruto, embora o beneficiamento mecânico também funcione bem, com o uso de uma trituradora de grãos adaptada para sementes florestais; elas correspondem a 57,4% do peso dos frutos. Há de 13.170 a 24.000 sementes por quilo. A espécie não apresenta dormência, mas a imersão em água fria por 24 a 48 horas é recomendada para embeber e acelerar a germinação. As sementes têm comportamento ortodoxo no armazenamento: com germinação inicial de 90%, guardadas em tamboretes em câmara fria (3ºC a 5ºC e 92% de umidade relativa), mantiveram o poder germinativo após 2 anos.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeira e repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem de 2 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea, iniciando entre 10 e 70 dias após a semeadura, com poder germinativo alto (até 100%, em média 80%); as mudas ficam prontas para o plantio cerca de 4 meses depois. Como substrato em campo, há recomendação de 70% de solo de campo com 30% de esterco bovino. As raízes associam-se a Rhizobium, formando nódulos do tipo astragaloide: aos 5 meses as mudas ainda não nodulavam, mas aos 12 meses houve intensa nodulação espontânea em viveiro, em solo contendo Rhizobium de bracatinga (Mimosa scabrella). A propagação vegetativa também é possível por estacas de ramos e por brotações de raízes.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila e, na fase juvenil, medianamente tolerante ao frio. Não tem dominância apical definida, apresentando bifurcações e ramificação pesada, o que exige desrama artificial e poda de condução. Pode ser plantada a pleno sol em cultivo puro, em razão de suas características ecológicas, ou em plantio misto, associada a espécies secundárias e clímax ou que precisem de sombra quando jovens; rebrota vigorosamente após o corte. Mudas vindas de regeneração natural são aproveitadas para sombrear animais no oeste de Santa Catarina, após raleamento, oferecendo sombra rala à pastagem, o que a torna útil em sistemas silvipastoris, especialmente onde faltam abrigos para o gado; vale lembrar que a árvore perde as folhas no inverno.

Crescimento e produção

O crescimento varia de lento a moderado, com produtividade volumétrica máxima registrada em plantios de 9,80 m³/ha/ano. O baixo desempenho observado em Concórdia, SC, deveu-se às geadas fortes ocorridas ao longo dos 4 anos do experimento.

Clima

A precipitação média anual vai de 1.200 mm no Rio de Janeiro a 2.300 mm em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas no Sul e periódicas no Sudeste. A deficiência hídrica é nula no Sul, sem estação seca definida, e moderada no Sudeste, com até 3 meses secos. A temperatura média anual fica entre 15,5ºC (Caçador, SC) e 19,8ºC (São Luís Gonzaga, RS); a média do mês mais frio varia de 10,7ºC a 14,3ºC e a do mês mais quente de 20ºC a 25,3ºC, nas mesmas localidades. A mínima absoluta chega a -10,4ºC (Caçador, SC) e a frequência de geadas no Sul vai de 0 a 30 por ano, com máximo absoluto de 57. Os tipos climáticos de Koeppen são o subtropical úmido (Cfa), o temperado úmido (Cfb) e o subtropical de altitude (Cwb), este no Rio de Janeiro.

Solos

Cresce em diferentes tipos de solo, sendo frequente em terrenos muito pedregosos e rasos. Devem ser evitados solos encharcados e mal drenados. Em plantios experimentais, o melhor desempenho ocorreu em solos profundos, bem drenados, de textura franca a argilosa e de fertilidade química elevada.