Foto: João Arthur Rabello (CC BY) via GBIF
Taxi-branco
Sclerolobium paniculatum
- 8 a 20 m (até 30 m)Altura
- Grande portePorte
Também conhecida como: ajusta-contas, justa-conta, justacontas, angá, cangalheiro, arapacu, cachamorra, mandinga, carvão-de-ferreiro, carvoeira, carvoeiro, carvoeiro-do-cerrado, passariúva, passuaré, pau-fedorento, pau-pombo, taxi, taxi-branco-da-terra-firme, tachi-do-campo, taxi-branco-do-flanco, taxi-pitomba, taxizeiro, taxirana, taxirana-do-cerrado, taxizeiro-branco, velame, veludo
Botânica
Pelo sistema de Cronquist, Sclerolobium paniculatum integra a divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Fabales, dentro da família Caesalpiniaceae (Leguminosae Caesalpinioideae). A espécie foi descrita por Vogel (Linnaea 11:397, 1837), que também é responsável pelo sinônimo botânico Sclerolobium macrophyllum. Quanto ao nome, Sclerolobium remete a "legume duro", enquanto paniculatum faz referência à inflorescência em forma de panícula.
Árvore perenifólia que normalmente alcança de 8 a 20 m de altura e DAP entre 30 e 70 cm, podendo chegar, quando adulta, a 30 m de altura e 100 cm de DAP. O tronco é reto e cilíndrico, com fuste de até 15 m. A dominância apical é bem marcada, e dela saem ramos em ângulos abertos que formam uma copa estreita. A casca, de até 10 mm de espessura, é branca a acinzentada por fora, lisa ou quase lisa, com cicatrizes deixadas pela queda dos ramos; internamente é arroxeada e libera seiva da mesma cor. As folhas são alternas e imparipinadas, reunindo de 4 a 7 pares de folíolos acuminados e subcoriáceos, de pecíolo curto, com 7 a 13 cm de comprimento por cerca de 6 cm de largura. As flores, amarelo-claras, numerosas e aromáticas, formam panículas terminais de até 40 cm; cada flor é pentâmera, pedunculada, ligeiramente zigomorfa, com 7 mm de comprimento e 5 mm de largura. O fruto é uma criptosâmara oblonga, curta-pedunculada, comprimida e indeiscente. A semente, amarelo-esverdeada e de superfície lisa e brilhante, é oblonga e alongada, com até 1 cm de comprimento e posição subapical.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente de 0,65 a 0,81 g/cm³ a 15% de umidade e massa específica básica de 0,60 a 0,70 g/cm³. O alburno é bege-amarelo-claro, pouco distinto do cerne amarelo-claro-oliváceo e irregular; a superfície tem brilho irregular, textura média, grã reversa e cheiro e gosto indistintos. A resistência natural ao apodrecimento é baixa. A madeira serrada e roliça é empregada sobretudo em mourões, esteios, construção civil e embalagens, sendo os troncos jovens, geralmente retos, usados como caibros. No campo energético, presta-se à produção de lenha, carvão vegetal, álcool e coque, com poder calorífico da madeira entre 4.580 e 4.812,77 kcal/kg e do carvão de 7.690 kcal/kg, rendimento em carvão de 22,5% e em pirolenhoso de 26,5%, além de alto teor de lignina. Não é adequada, porém, para celulose e papel. Para fins ornamentais, a árvore é indicada para parques e arborização de rodovias.
Trata-se de espécie pioneira a secundária inicial, ou ainda clímax exigente em luz. Tem comportamento agressivo, colonizando terrenos marginais e beiras de estrada, e costuma iniciar a sucessão secundária em áreas abertas graças à germinação intensa de suas sementes dormentes armazenadas no banco do solo. Sua dispersão é favorecida pela ação humana, como queimadas e criação de gado, e a espécie tende a formar agrupamentos moderadamente densos; em Belterra (PA), árvores de 25 anos não apresentam sinais de declínio. É típica do cerradão e da Floresta Estacional Semidecidual; na Amazônia, aparece na vegetação secundária da Floresta Ombrófila Densa, sendo característica de terra firme. No Nordeste é comum nos cerrados do Piauí e do Maranhão, ocorrendo em rara disjunção de cerradão nas chapadas do Araripe e da Ibiapaba, no Ceará, e em encraves vegetacionais. Em termos de densidade, foram registradas até 40 árvores grandes por hectare na Chapada Grande (PI), até cinco por hectare no nordeste maranhense e sete por hectare em mata de galeria no Distrito Federal.
A floração varia conforme a região: de junho a janeiro no Distrito Federal, de novembro a fevereiro em São Paulo e de dezembro a abril no Maranhão e no Piauí, com a antese começando por volta das 7 horas e podendo atrasar em dias nublados. Os frutos amadurecem de setembro a outubro no Distrito Federal, de outubro a dezembro no Pará e de abril a maio no Piauí. Em plantios, o ciclo reprodutivo começa a partir dos 5 anos de idade, e em condições naturais a frutificação atingiu 5,11% do total de flores emitidas.
Planta hermafrodita de reprodução por xenogamia: o grande número de grãos de pólen, as estratégias de oferta de recursos, o aroma das flores e o aborto total nas autopolinizações controladas mostram a dependência dos insetos para a formação das sementes. É tipicamente melitófila não seletiva, podendo ser polinizada por dípteros e vespas; entre os principais visitantes estão as abelhas Apis mellifera, Trigona pallens, Melipona melanoventer e Scaptotrigona nigrohirta (Apidae), Augocloropsis sp. (Anthophoridae) e moscas Syrphidae spp. A dispersão de frutos e sementes é anemocórica, pelo vento, e autocórica, sobretudo barocórica, por gravidade.
Plantio e silvicultura
Depois de colhidos, os frutos devem ser deixados em local ventilado para que as sementes sejam extraídas manualmente. Cada quilo reúne de 2.500 a 11.000 sementes. A dormência é tegumentar: para superá-la em sementes "nuas", recomenda-se retirar uma pequena porção do tegumento na extremidade oposta ao eixo embrionário, escarificar em ácido sulfúrico concentrado por 10 minutos e imergir em água a 80 ºC por 2 minutos; já nas sementes sem as extremidades aladas, o método mais eficaz é a escarificação em ácido sulfúrico concentrado por 20 minutos. O comportamento de armazenamento é ortodoxo: guardadas em tamboretes, em câmara fria a 3–5 ºC e 92% de UR, as sementes mantiveram 48% de germinação após 4 anos.
A semeadura pode ser feita em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou em tubetes grandes de polipropileno, a uma profundidade de 0,5 a 2 cm. Quando preciso, a repicagem ocorre 2 a 3 semanas após a germinação, com as plântulas em torno de 4 cm de altura; a espécie tolera poda radicial. A germinação é epígea e começa entre 10 e 60 dias após a semeadura; sem o tratamento de quebra de dormência, torna-se irregular e pode se estender por até 6 meses, com taxa geralmente entre 50% e 100%. As mudas atingem o porte ideal para plantio (20 a 25 cm) em 5 a 6 meses a contar da semeadura. No viveiro, as raízes apresentam nódulos pela associação com bactérias do gênero Rhizobium, e a inoculação com fungos nativos favoreceu a colonização micorrízica das raízes finas e a sobrevivência das mudas. Na propagação vegetativa, estacas de material adulto brotam bem, mas não enraízam; estacas de material juvenil são tecnicamente viáveis quando tratadas com 4.000 ppm de ácido indol-3-butírico (AIB), embora o alto índice de mortalidade ainda demande mais estudos. Na Amazônia, o substrato recomendado mistura Latossolo Amarelo muito argiloso (80–90% de argila), areia e composto orgânico curtido na proporção 3:1:1, com adubação NPK (15:30:15) de 3 g de peso seco por litro de substrato. Estudos indicam que o fósforo é limitante para o crescimento, que o nitrogênio reduz a produção de raízes e que a absorção de cálcio e magnésio depende do nível de fósforo disponível no solo.
Espécie heliófila, registra maior mortalidade quando plantada à sombra de floresta primária do que a pleno sol, o que indica má adaptação à baixa luminosidade; também não tolera baixas temperaturas. Seu hábito lembra o dos eucaliptos em maciço, com dominância apical bem definida, ótimo vigor e boa desrama natural sob plantio denso, mas em espaçamentos amplos (3 x 3 m) precisa de poda dos galhos. O ideal é plantá-la a pleno sol, em maciços puros e densos, podendo também entrar em plantio misto como tutor de espécies secundárias tardias ou de clímax. Em espaçamento de 3 x 2 m, os tratos culturais podem ser encerrados com 1 ano, já que as copas recobrem o solo rapidamente. A árvore não rebrota da cepa após o corte. Populações-base coletadas em Belterra (PA) mostraram alta variabilidade genética entre e dentro de progênies, com boas perspectivas de melhoramento; as estimativas apontam maior eficiência na seleção dentro de progênies do que entre elas.
O crescimento é rápido, com incrementos anuais da ordem de 2,5 m em altura e 3,4 cm em diâmetro a pleno sol em plantios. No cerrado do Amapá, é a nativa de maior crescimento. Manejo adequado e melhoramento genético permitem ampliar os rendimentos volumétricos. Plantios de pequena escala com fins energéticos vêm sendo estabelecidos no cerrado do Amapá e na região de Carajás, sendo recomendada uma rotação de 5 a 10 anos para energia e de 15 a 20 anos para madeira.
A precipitação média anual abrange de 800 mm, no Piauí, a 2.900 mm, no Pará, com chuvas uniformes nos arredores de Belém (PA) e no noroeste do Amazonas e regime periódico, concentrado no verão e com inverno seco, em outras áreas. A deficiência hídrica vai de nula (Belém e noroeste do Amazonas) a forte (norte do Piauí e sul do Maranhão), com estação seca de até 6 meses em pontos do norte do Maranhão, oeste da Bahia e sudoeste do Mato Grosso. A temperatura média anual fica entre 20,9 ºC (Sete Lagoas, MG) e 29,4 ºC (Picos, PI); a média do mês mais frio varia de 16,1 ºC (Brasília, DF) a 26 ºC (Manaus, AM, e Picos, PI) e a do mês mais quente de 22 ºC (Assis, SP) a 30,9 ºC (Picos, PI). A mínima absoluta registrada foi de -2 ºC (Assis, SP). As geadas são ausentes ou raras, com máximo de três por ano em São Paulo. Os tipos climáticos de Köppen são o tropical (Aw e Am) e o subtropical de altitude (Cwa e Cwb).
A espécie é encontrada em cerradões de solos arenosos, ácidos, bem drenados e de baixa fertilidade química. Adapta-se a solos que vão de arenosos a argilosos e suporta terrenos terraplenados (subsolo). Em plantios experimentais na Região Norte, apresentou melhor desempenho em solos muito argilosos e em areias quartzosas.