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Foto de Tarumã

Foto: Edson Luis Fabro Gasperin (CC BY-SA) via GBIF

Tarumã

Vitex megapotamica

Verbenaceae Mata AtlânticaCerradoPampa
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: maria-preta, tarumã-preto, tapinhão, tarumão, tapinhoan, azeitona-do-mato, tarumã-da-mata, tarumã-do-mato, azeitona-brava, cinco-folhas, copiúba, sombra-de-touro, tarumã-romã

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Verbenaceae, o tarumã tem como nome científico aceito Vitex megapotamica (Sprengel) Moldenke, do gênero Vitex. Entre seus sinônimos botânicos estão Bignonia megapotamica Spreng., Vitex montevidensis Cham. e Vitex taruma Mart. O nome do gênero deriva do latim viere, que remete ao ato de tecer ou trançar cestos, enquanto o epíteto megapotamica une os termos gregos mégas (grande) e potamós (rio), aludindo ao Rio Grande do Sul. Em tupi-guarani, o termo tarumã carrega o sentido de fantasia ou agouro. Em países vizinhos, a espécie é chamada de taruma na Argentina e no Paraguai e de tarumán de ley no Uruguai.

Descrição botânica

Espécie decídua, o tarumã pode se apresentar como arbusto, arvoreta ou árvore, sendo que os exemplares de maior porte chegam a cerca de 25 m de altura e 120 cm de diâmetro à altura do peito na fase adulta. O tronco varia de reto a levemente tortuoso, com fuste nodoso, de seção achatada e base normal. A ramificação é dicotômica, irregular ou simpódica, e os ramos jovens são achatados, pilosos e de tonalidade arroxeada. A copa é baixa, densa, arredondada e mais ou menos umbeliforme, atingindo de 8 a 10 m de diâmetro. A casca chega a 12 mm de espessura; externamente é cinza-rosada a amarelada, com fissuras sinuosas que se soltam com facilidade em tiras longas, sendo a casca interna de cor creme-escura. As folhas são compostas e digitadas, em geral com sete folíolos desiguais e dispostos de modo oposto-cruzado, de lâmina oblanceolada, ápice mucronado ou obtuso e bordos lisos; a face superior é verde de tom moderado e a inferior mais clara. As inflorescências surgem em cimas axilares de 2 a 6 cm, reunindo de 5 a 50 flores. As flores são tubulares, aromáticas, finamente pilosas, com corola de cor lilás a azulada ou roxa, cerca de 1 cm de comprimento e cinco lóbulos desiguais, de notável apelo ornamental. O fruto é um nuculânio drupóide de pericarpo roxo-escuro quase preto, com 1 a 1,7 cm de diâmetro, dotado de um único pirênio tetralocular, sabor adocicado e comestível. A semente, alongada e de cor castanha, mede de 0,7 a 1 cm de comprimento e possui endosperma ovóide.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalalimentícioapícola
Produtos e utilizações

Os frutos são comestíveis e de sabor adocicado. A madeira do tarumã é moderadamente densa (0,67 g/cm³), com alburno levemente amarelado, cerne pardacento e grã irregular a ondulada. Muito resistente e durável em contato com o solo, é empregada em mourões, esteios, postes, cepos, dormentes de primeira qualidade, fundações, carrocerias, móveis, bengalas, tonéis de cachaça e em obras internas, externas e hidráulicas; na região metropolitana de Curitiba também serve para cabos de ferramentas e utensílios domésticos. A lenha é de boa qualidade para energia. Para celulose e papel, contudo, a espécie é inadequada, pois apresenta fibras curtas (0,83 mm) e alto teor de lignina com cinzas (42,38%). As flores têm interesse apícola. No uso medicinal, a infusão das folhas é tida como depurativa do sangue e a ela se atribuem propriedades anti-afrodisíacas e antiluéticas; folhas e casca são usadas no combate ao ácido úrico, à hipertensão, ao colesterol e a inflamações do útero, da bexiga e da próstata, além de sífilis e doenças da pele. A raiz é considerada tônica e febrífuga, e o fruto é usado contra dores reumáticas.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária inicial, secundária tardia ou clímax. Higrófila, o tarumã aparece em formações secundárias como capoeiras e capoeirões, em clareiras e bordas de mata, e chega a colonizar áreas abertas, sempre com distribuição irregular. Na Mata Atlântica é registrado na Floresta Estacional Decidual (formações Aluvial, Submontana e Montana, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, com 2 a 4 indivíduos por hectare), na Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana, no Paraná e em São Paulo), na Floresta Ombrófila Densa (Espírito Santo) e na Floresta Ombrófila Mista ou de Araucária (formação Montana, no Paraná e no Rio Grande do Sul, com 1 a 5 indivíduos por hectare), além da restinga, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. No Cerrado, surge no cerrado lato sensu de São Paulo, com até 76 indivíduos por hectare, e no cerradão. No Pampa, é encontrado em estepes e campos do Rio Grande do Sul. Também é frequente em ambientes fluviais e ripários de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, com 1 a 23 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração acontece de setembro a novembro no Rio Grande do Sul, de setembro a dezembro em São Paulo, de outubro a dezembro em Minas Gerais e de outubro a janeiro no Paraná. Os frutos amadurecem de dezembro a fevereiro no Rio Grande do Sul, de janeiro a março em São Paulo, de janeiro a abril em Minas Gerais e de fevereiro a abril no Paraná. A planta começa a se reproduzir por volta dos 5 anos após o plantio, em geral com frutificação abundante.

Fauna associada

A espécie é monóica e a polinização é feita principalmente por abelhas, com destaque para a abelha-européia ou africanizada (Apis mellifera), além de diversos insetos pequenos. A dispersão dos frutos e sementes é zoocórica, sendo os frutos muito apreciados pelas aves, e também hidrocórica (pela água) e ictiocórica (por peixes).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos são colhidos diretamente da árvore quando bem maduros, com tom roxo-escuro quase preto; podem ser derrubados sacudindo-se a árvore, cortando-se galhos ou recolhidos do chão após a maturação. O caroço é separado por maceração e lavagem em água corrente. Cada quilo reúne de 700 a 4 mil sementes. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo, mas recomenda-se deixar as sementes imersas em água à temperatura ambiente por 24 horas para embebição. A semente é recalcitrante quanto ao armazenamento: mantém o poder germinativo por até 3 meses, mas, em condições ambientais, sua faculdade germinativa cai de 42% para 20% após 60 dias.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em canteiros, para mudas de raiz nua ou para repicagem, ou diretamente em recipientes individuais, como sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio, recomendando-se a repicagem de 2 a 4 semanas após a germinação. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência iniciando de 30 a 50 dias após a semeadura e taxa de germinação geralmente baixa, entre 30% e 50%. As mudas atingem porte adequado para o campo cerca de 6 meses depois da semeadura. Convém atenção especial no transplante, já que as mudas de raiz nua pegam com muita dificuldade.

Características silviculturais

O tarumã varia de esciófilo a heliófilo, tolerando sombreamento de baixa intensidade e temperaturas baixas. Não realiza desrama natural, exigindo poda. Devido à sua autoecologia, é indicado para plantios mistos ou sob cobertura, com abertura de faixas e plantio em linhas ou grupos, e brota intensamente da touça ou cepa. No Sul do Brasil, integra tradicionalmente os sistemas de faxinal; em Minas Gerais, é recomendado para sombreamento de pastagens, oferecendo sombra média de 4 a 6 m de diâmetro com sua copa irregular.

Crescimento e produção

O crescimento é lento. Em Rolândia (PR), estima-se uma produção volumétrica de cerca de 1,70 m³/ha/ano aos 8 anos de idade.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 1.100 mm, no Rio Grande do Sul, a 3.700 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP). As chuvas são uniformemente distribuídas na Região Sul, exceto no norte do Paraná, e periódicas nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. A deficiência hídrica é nula em boa parte do Sul e na região serrana do Espírito Santo, pequena no verão do sul gaúcho e de pequena a moderada no inverno do centro-leste paulista e do sul mineiro. A temperatura média anual varia de 15,5 ºC, em Caçador (SC), a 23,6 ºC, em Linhares (ES), com mínima absoluta de -10,4 ºC em Caçador, podendo chegar a -15 ºC na relva. O número de geadas anuais vai de 0 a 30 em média, com máximo de 57 em Santa Catarina. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Aw, Cfa, Cfb e Cwa.

Solos

Embora se desenvolva em diferentes tipos de solo, o tarumã prefere terras profundas e frescas, ocupando planícies, várzeas e encostas suaves de floresta. Sua ocorrência natural está sempre ligada a terrenos úmidos, suportando inundações por longos períodos, e a espécie é rara em solos bem drenados.