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Foto de Tapiá-açu

Foto: Tiago Lubiana (CC0) via GBIF

Tapiá-açu

Alchornea glandulosa subsp. iricurana

Euphorbiaceae Mata Atlântica
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: lava-prato, pau-folheiro, araribá, boleiro, amor-seco, casca-doce, drago, folha-larga, iricurana, pau-d'água, sangue-de-drago, tanheiro, tapiá, urucurana, tapiá-guaçu, caixeta, caixeta-preta, canela-raposa, licurana, maria-mole, pau-de-bolo, pombeiro, tamanqueiro, tanheiro-de-folha-redonda

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), ordem Euphorbiales e família Euphorbiaceae, dentro do gênero Alchornea. O táxon foi formalizado como Alchornea glandulosa Poeppig subsp. iricurana (Casaretto) R. Secco, combinação e status novos, publicado em Flora Neotropica, Monograph 93, p. 78, 2004. Entre os sinônimos botânicos figuram Alchornea iricurana Casaretto, A. iricurana f. genuina Pax & K. Hoffm. e A. iricurana f. villosula Pax & K. Hoffm. O nome do gênero homenageia o boticário inglês Stanesby Alchorne, enquanto o epíteto iricurana deriva do nome popular tupi da planta.

Descrição botânica

Árvore perenifólia que, quando adulta, alcança cerca de 25 m de altura e até 70 cm de DAP (diâmetro medido a 1,30 m do solo). O tronco costuma ser tortuoso, com fuste curto que chega a 10 m de comprimento. A ramificação é grossa e retorcida e origina uma copa de folhagem verde-clara bastante característica, em geral mais densa do que a de A. triplinervia; os raminhos jovens trazem pequenos pelos estrelados que depois desaparecem, tornando-se glabros. A casca tem até 10 mm de espessura; a parte externa é cinzento-escura a grisácea, com fissuras finas e descamação em grandes escamas irregulares nas árvores velhas, enquanto a interna varia do róseo-creme ao vermelho, ficando creme junto ao câmbio. As folhas são simples, alternas, delgadas, obovaladas ou suborbiculares, de ápice arredondado ou curtamente acuminado e margens esparsamente dentadas, medindo de 6 a 16 cm de comprimento, com 8 a 10 nervuras laterais acima das basais e pecíolos de 3 a 12 cm; distinguem-se das de A. triplinervia por terem as lâminas recurvadas nas bordas. As inflorescências estaminadas têm aspecto de espiga, com glomérulos densos e bem distribuídos ao longo da raque. As flores pistiladas apresentam estiletes de 1 a 7 mm, geralmente eretos e paralelos, e botões de ápice piloso. Os frutos são cocos bivalvados (cocarium), arredondados e persistentes, de 6 a 7 mm de diâmetro, contendo duas sementes. A semente é castanho-clara, de 4 a 5 mm de diâmetro, com endosperma carnoso e arilo vermelho-coral; após a abertura do fruto, as sementes ariladas permanecem expostas e presas à columela por algum tempo.

Uso e ecologia
recuperação de áreasmadeireiromedicinalcelulose
Produtos e utilizações

A madeira é leve, com massa específica aparente de 0,40 g/cm³, cerne e alburno indistintos de cor bege-clara a bege-rosada, textura média a grosseira, grã irregular e sem cheiro ou gosto marcantes. É mole, bastante porosa, resistente, pouco elástica e de baixa durabilidade ao ar livre. De baixo valor comercial, presta-se à carpintaria, à confecção de paletes, caixas de embalagem e tabuado para divisórias internas, além de ser apropriada para celulose e papel e fornecer lenha de qualidade razoável. Na medicina popular, a planta é indicada contra reumatismo e gota.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie pioneira, secundária inicial ou clímax exigente em luz. O tapiá-açu é comum em formações secundárias, como capoeiras e capoeirões, e também aparece na floresta primária, sobretudo em bordas e clareiras. Ocorre na Floresta Estacional Semidecidual (formações submontana e montana) de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, com densidade de 7 a 99 indivíduos por hectare; na Floresta Ombrófila Densa (terras baixas e submontana) de São Paulo; na Floresta Ombrófila Mista (formação montana) do Paraná; e em zonas de contato entre essas formações no sul de Minas Gerais. Aparece ainda em restingas paulistas, em ambientes fluviais ou ripários do Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná (1 a 8 indivíduos por hectare) e em florestas de brejo de São Paulo. Em Ilhéus (BA), foram contadas 20 árvores emergentes por hectare onze anos após a retirada de cacaueiros.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de fevereiro a setembro em Minas Gerais; de abril a junho no Rio de Janeiro e em Santa Catarina; de maio a julho no Distrito Federal, na Bahia e no Paraná; de junho a setembro no Espírito Santo; e de junho a novembro no Ceará. Os frutos amadurecem entre setembro e janeiro no Paraná e no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

A espécie é dioica. A polinização é feita tanto pelo vento (anemofilia) quanto por insetos (entomofilia), com participação de pequenos himenópteros, vespas e abelhas. A dispersão de frutos e sementes é essencialmente zoocórica.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a se abrir espontaneamente, o que se percebe pela exposição do arilo vermelho-vivo que envolve a semente. Depois disso, são deixados ao sol para concluir a abertura e liberar as sementes; não é preciso retirar o arilo, apenas deixá-lo secar. Há cerca de 19.500 sementes por quilo e não é necessário tratamento pré-germinativo. A semente é recalcitrante, com viabilidade curta no armazenamento, que não passa de 60 dias.

Produção de mudas

A semeadura deve ser feita em canteiros de pré-germinação, repicando-se as plântulas para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio quando atingirem de 5 a 7 cm de altura. A germinação é epígea e fanerocotiledonar, com emergência iniciando-se entre 20 e 50 dias após a semeadura e taxa geralmente inferior a 50%. As mudas ficam prontas para o plantio em 4 a 5 meses.

Características silviculturais

Espécie heliófila, que quando jovem não tolera baixas temperaturas. Tem hábito tortuoso, com ramificação pesada, bifurcações e tronco curto, e não realiza desrama natural, exigindo podas frequentes e periódicas. Pode ser plantada a pleno sol em plantio puro, com crescimento satisfatório mas forma inadequada; em plantio misto a pleno sol, é melhor associá-la a espécies de maior crescimento em altura, e em vegetação matricial arbórea funciona em linhas abertas no centro de faixas de vegetação secundária. Rebrota da touça.

Crescimento e produção

Existem poucos dados sobre o crescimento do tapiá-açu em plantios.

Clima

A precipitação média anual onde ocorre vai de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 2.700 mm, em São Paulo, com chuvas uniformemente distribuídas na Região Sul (exceto o norte do Paraná), uniformes ou periódicas no litoral sul da Bahia e periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica é nula no Sul, podendo ser pequena a moderada no inverno do Distrito Federal e moderada a forte no inverno do oeste de Minas Gerais e centro de Mato Grosso. A temperatura média anual oscila entre 17,2 ºC (Irati, PR) e 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT), com mínima absoluta de -7 ºC em Irati (chegando a -9 ºC na relva) e ocorrência de 0 a 9 geadas por ano em média, podendo alcançar 25 no Paraná. Conforme a classificação de Köppen, é encontrada em climas Af, Am, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Cresce naturalmente em vários tipos de solo, evitando apenas os muito úmidos ou hidromórficos.