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Foto de Taiúva

Foto: Jorge Vallmitjana (Public domain) via Wikimedia

Taiúva

Maclura tinctoria

Moraceae AmazôniaMata AtlânticaCerradoPantanal
  • 10 a 20 mAltura
  • Grande portePorte
Crescimento rápidoRaras / ameaçadasFrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: amoreira, amora, amora-branca, amora-de-espinho, amora-do-mato, amoreira-nativa, amoreira-amarela, amoreira-brava, amoreira-de-espinho, pau-amarelo, taiuveira, amarelinho, espinheiro-branco, tajuba, tajuva, tatajuba, tataíba, tatajiba, moreira, pau-brasil, pau-de-cores, taiúva-vermelha

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação de Cronquist, a taiúva pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Urticales, dentro da família Moraceae. A espécie é Maclura tinctoria (L.) D. Don ex Steudel, que reúne diversos sinônimos botânicos já empregados na literatura, em especial as combinações antigas no gênero Chlorophora (como Chlorophora tinctoria) e o nome Morus tinctoria D. Don. O nome do gênero homenageia o geólogo William Maclure, enquanto o epíteto tinctoria remete ao corante amarelo que escorre do caule e dos ramos da planta.

Descrição botânica

Árvore semicaducifólia que costuma alcançar de 10 a 20 m de altura e tronco de 40 a 60 cm de diâmetro (DAP), embora exemplares adultos possam chegar a 37 m e 100 cm de DAP. O tronco quase nunca é reto: em geral é tortuoso e de contorno irregular, com fuste curto de até 10 m, raízes tabulares bem desenvolvidas e abundantes espinhos (por vezes duplos, de até 3 cm) na base e nas pontas dos galhos; quando ferido, libera látex. A ramificação é dicotômica e a copa, larga e irregular, com gemas protegidas por estípulas pontiagudas e esverdeadas de 5 mm. A casca, de até 15 mm de espessura, é externamente cinza-clara a amarelo-esverdeada, lisa ou pouco fissurada e com lenticelas; internamente é alaranjada a esbranquiçada, de textura arenosa, sabor levemente amargo e, ao corte, exsuda látex amarelo e resina branco-amarelada. As folhas são simples, alternas e dispostas em duas fileiras, com lâmina elíptica a lanceolado-acuminada de até 15 cm por 5 cm e bordas serradas e assimétricas; são pilosas quando jovens e glabras na fase adulta, com pecíolo de 1 cm, e também soltam látex amarelo ao serem maceradas. A inflorescência feminina é capitada, axilar, subglobosa e esverdeada, com cerca de 10 mm de diâmetro e flores sésseis entremeadas por brácteas glandulares; a masculina é espiciforme, axilar, amarelo-pálida a creme, medindo de 3 a 11 cm. O fruto é composto, de forma arredondada ou globosa, adocicado e carnoso, com infrutescência verde-amarelada de até 20 mm, comestível e cheia de sementes. As sementes são marrom-acastanhadas, achatadas, sem endosperma, com até 3 mm.

Uso e ecologia
madeireiroalimentíciomedicinalapícolapaisagismorecuperação de áreas
Produtos e utilizações

A madeira da taiúva é densa (0,76 a 0,97 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno branco-amarelado bem distinto do cerne, que vai do amarelo-dourado ao castanho-claro-amarelado, escurecendo com a exposição ao ar. Tem superfície lisa e lustrosa, textura média, grã revessa e cheiro e gosto imperceptíveis, além de alta resistência natural ao ataque de organismos xilófagos; em compensação, absorve mal as soluções preservantes sob pressão, e o cerne não aceita tratamento com creosoto nem com CCA-A. Por sua resistência, é empregada em móveis, revestimentos decorativos e peças torneadas; em construção naval (pisos de convés, degraus de escadas), chegando a substituir a teca (Tectona grandis); e na construção civil em vigas, caibros, ripas, tábuas, tacos, marcos de portas e janelas, além de postes, mourões, dormentes, cruzetas e vigamentos de pontes. Serve também para carpintaria, marcenaria de luxo, carroçarias e parquetes. Como combustível, fornece lenha de boa queima, ainda que difícil de transformar em achas, mas é inadequada para celulose e papel. Da madeira se extraem corantes e pigmentos — é o célebre pau-de-cores, cobiçado pelos corsários franceses que frequentavam o litoral do Ceará no século 17. Os frutos suculentos e saborosos são consumidos in natura, em sucos ou misturados a vinho ou açúcar, e na Argentina dão origem a uma bebida refrescante. As flores são melíferas. Na medicina popular, o cozimento da casca é usado como cicatrizante e contra hérnia, enquanto o látex leitoso trata cortes, feridas e dores de dente; indígenas do Paraná e de Santa Catarina recorrem ao látex contra dor de dente.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie secundária inicial ou clímax exigente de luz, longeva e comum na vegetação secundária, especialmente em capoeirões, terrenos abandonados, pastagens, solos úmidos e início de encostas, ocupando clareiras de menos de 60 m². É rara na floresta primária. Ocorre sobretudo na Floresta Estacional Semidecidual Montana e Submontana e na Floresta Estacional Decidual (formações Baixo-Montana, Montana e Submontana, no Baixo Paranaíba), na Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica) e na Floresta Amazônica, onde aparece em várzeas argilosas e igapós. Surge ainda na Floresta Ombrófila Mista apenas nas zonas de contato com a Floresta Estacional Semidecidual, em encraves vegetacionais das serras do Nordeste, no Pantanal Mato-Grossense, na restinga e, raramente, no Cerradão paulista. Em levantamentos fitossociológicos na Floresta Estacional Semidecidual Montana de Minas Gerais e São Paulo registraram-se de 2 a 17 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração vai de agosto a outubro no Piauí, de agosto a janeiro em São Paulo, de setembro a outubro no Rio Grande do Sul e de setembro a janeiro em Minas Gerais. Os frutos amadurecem de dezembro a fevereiro em Minas Gerais, de dezembro a abril em São Paulo e de janeiro a fevereiro no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

Planta dióica, de fecundação cruzada (alógama), provavelmente polinizada por abelhas. A dispersão dos frutos e das sementes é sobretudo zoocórica: aves, em especial os sabiás (Turdus spp.), espalham as sementes miúdas pelas fezes, assim como morcegos. Nas pastagens, o gado também dissemina a espécie, pisando os frutos à sombra das matrizes e carregando as sementes presas aos cascos.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando mudam de cor, escurecendo. Em seguida, são lavados, macerados e peneirados para separar as sementes diminutas, que secam ao ar livre. Cada quilo reúne de 250 mil a 384 mil sementes, que não apresentam dormência e dispensam tratamento para germinar. O comportamento de armazenamento é recalcitrante: a viabilidade cai rapidamente quando as sementes são guardadas em ambiente não controlado.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, repicando entre 4 e 6 semanas após a germinação; na província argentina de Tucumán costuma-se usar mudas de raiz nua. A germinação é epígea, começa entre 10 e 30 dias após a semeadura e tem poder germinativo de 30% a 70%, com mudas prontas para o plantio cerca de 4 meses depois da semeadura. A propagação vegetativa também é viável: há registros de propagação in vitro a partir de segmentos nodais de matrizes de 6 e 12 meses, bem como de micropropagação bem-sucedida.

Características silviculturais

Espécie heliófila e medianamente tolerante a baixas temperaturas, apresenta crescimento monopodial com galhos finos. Sua desrama natural é deficiente: no ponto de inserção do tronco permanecem resíduos de ramos secos e espinhos que, com o tempo, ficam resinosos e persistem por anos, de modo que se recomenda a poda dos galhos, cuja cicatrização é rápida. Para regeneração, deve ser cultivada em plantio misto a pleno sol, associada a espécies de crescimento rápido, e tem boa capacidade de brotar da touça após o corte. É frequente em pastagens e bastante indicada como árvore de sombra para o gado, pois em campo aberto fica baixa e copada. A taiúva consta da lista de espécies ameaçadas no sul de Minas Gerais, na categoria vulnerável, com conservação genética feita ex situ; já foi extinta nos municípios de Rio de Janeiro e São João da Barra, no estado do Rio de Janeiro, e, antes abundante, tornou-se rara.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o crescimento da taiúva em plantios. Em regeneração natural, porém, seu desenvolvimento é considerado bom.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência varia de 800 mm, no Piauí, a 2.700 mm, no Amazonas. As chuvas distribuem-se de forma uniforme na Região Sul (exceto o norte do Paraná), no litoral fluminense e no noroeste do Amazonas, e são periódicas, concentradas no verão ou no inverno, nos demais estados. A deficiência hídrica é nula no Sul e no litoral do Rio de Janeiro, mas vai de moderada a forte, com estação seca de até 6 meses, no norte de Minas Gerais e no Piauí. A temperatura média anual oscila entre 16,6 ºC (Caçador, SC) e 29,4 ºC (Picos, PI); a média do mês mais frio fica entre 11,9 ºC e 26 ºC, e a do mês mais quente, entre 20,8 ºC e 30,9 ºC, com mínima absoluta de -10,4 ºC em Caçador. As geadas variam de 0 a 30 por ano, podendo chegar a 57 no Sul. Os tipos climáticos de Köppen abrangem temperado úmido (Cfb, eventualmente), subtropical úmido (Cfa), subtropical de altitude (Cwa e Cwb) e tropical (Aw, As, Am e Af).

Solos

A taiúva é tida como indicadora de solos de alta fertilidade química. Desenvolve-se naturalmente em solos aluviais, bem drenados, de textura que varia de franca a argilosa.