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Surucucu

Piptadenia viridiflora

Fabaceae CaatingaCerradoMata Atlântica
  • até 18 mAltura
  • Médio portePorte
MadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: icarapé, soroca, sucuruju, espinheiro, amorosa, gicuri, jiquiri, jucurutu, juquiá, espinheiro-preto, jacurutu

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (subfamília Mimosoideae) e ao gênero Piptadenia, a espécie tem como binômio aceito Piptadenia viridiflora (Kunth) Benth., descrita pela primeira vez em 1841. É conhecida também por sinônimos botânicos como Acacia viridiflora Kunth, Piptadenia biuncifera Benth. e Pityrocarpa viridiflora (Kunth) Brenan. O nome do gênero une os termos gregos piptein (cair) e aden (em abundância), aludindo à queda das folhas; o epíteto viridiflora remete à coloração verde de suas flores. Já o nome popular surucucu é uma referência à cobra de mesmo nome (Lachesis muta), por causa da picada dolorosa provocada por seus espinhos.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta que varia de arbusto a árvore, com folhagem semidecídua. Os exemplares de maior porte podem chegar a cerca de 18 m de altura e 60 cm de diâmetro do tronco (medido a 1,30 m do solo) quando adultos, embora na Caatinga e no Pantanal o tamanho habitual fique entre 5 m e 7 m. O tronco costuma ser tortuoso, bastante ramificado e muito espinhento, com fuste curto (no máximo 5 m) ou ausente. A ramificação é cimosa ou dicotômica e a copa, pequena. Uma marca registrada da espécie são as estípulas nodais pareadas transformadas em espinhos robustos; os ramos exibem lenticelas brancas. A casca chega a 10 mm de espessura, com superfície externa rugosa e fissurada que se desprende em placas longas e irregulares. As folhas são compostas e bipinadas, reunindo de 8 a 12 pares de pinas e de 20 a 30 pares de folíolos opostos e sésseis de 5 mm a 8 mm de comprimento, com nectários extraflorais em forma de disco. As flores, branco-esverdeadas e de cerca de 10 mm, surgem em espigas axilares cilíndricas e geralmente isoladas, de 6 cm a 8 cm. O fruto é uma vagem deiscente, achatada, reta e glabra, de 8 cm a 21 cm, contendo de 6 a 12 sementes pequenas, arredondadas, achatadas e de cor castanha.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticoapícolaforrageirorecuperação de áreasagroflorestal
Produtos e utilizações

Sua madeira é densa (0,84 g/cm³ a 0,937 g/cm³), com alburno e cerne pouco distintos e tonalidade castanho-clara, textura média, grã revessa, resistência mecânica média e boa durabilidade natural. Por conta das dimensões reduzidas das peças, presta-se a pequenas obras de construção, marcenaria leve e fabricação de cabos de ferramentas; não serve para celulose e papel. Fornece lenha de boa qualidade, também aproveitada para carvão. Os ramos finos com folhas funcionam como forragem palatável para bovinos, caprinos e ovinos — na região de Xingó, entre Alagoas, Bahia e Sergipe, 13 de 32 produtores rurais entrevistados apontaram que os caprinos consomem voluntariamente plântulas, folhas novas e maduras. No Ceará e no Maranhão, é planta de bom potencial apícola, gerando bastante néctar que origina um mel castanho-claro, suave e de excelente qualidade. A casca contém tanino, e a espécie é indicada para recuperar áreas muito degradadas e melhorar o solo.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira, que se desenvolve sobretudo em vegetações secundárias. Na Mata Atlântica, aparece em Floresta Estacional Decidual da formação Submontana (oeste da Bahia e norte de Minas Gerais), em Floresta Estacional Semidecidual Montana (Ceará e Paraíba) e em Floresta Ombrófila Densa, tanto em Terras Baixas (Rio Grande do Norte) quanto Montana (Pernambuco). Na Caatinga, integra a vegetação arbustiva subcaducifólia e a caatinga arbórea no Ceará, norte de Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e noroeste de Sergipe, com frequência de até quatro indivíduos por hectare. No Cerrado, ocorre no cerrado stricto sensu do norte de Minas Gerais. Também é registrada em matas ciliares e brejos de altitude na Paraíba e em Floresta Estacional Decidual no Mato Grosso do Sul.

Floração e frutificação

A floração acontece de julho a outubro no Ceará e em Mato Grosso do Sul. Os frutos amadurecem de agosto a outubro em Mato Grosso do Sul e de outubro a janeiro no Ceará.

Fauna associada

É uma planta hermafrodita, polinizada por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes é autocórica, do tipo barocórica, ou seja, ocorre pela ação da gravidade.

Plantio e silvicultura
Sementes

As vagens devem ser colhidas diretamente da planta assim que começam a se abrir sozinhas e, em seguida, expostas ao sol para concluir a abertura e soltar as sementes. Cada quilo reúne cerca de 26.000 sementes. Elas têm dormência provocada pela impermeabilidade do tegumento, que pode ser quebrada com ácido sulfúrico (95%) ou com água quente — a 80 °C por 1 a 2,5 minutos, ou a 100 °C por 10 a 15 minutos. Como o uso do ácido envolve custos e riscos, recomenda-se preferir o tratamento com água a 80 °C, ainda que isso exija aumentar a densidade de semeadura. As sementes têm comportamento ortodoxo e conservam a viabilidade por longos períodos de armazenamento.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em sementeiras, com repicagem posterior para sacos de polietileno ou tubetes grandes de polipropileno, recomendada entre 15 e 30 dias após a semeadura. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência começa entre 10 e 25 dias. Em sementes que passaram pela superação de dormência, o poder germinativo fica entre 74% e 88%; sem esse tratamento, cai para 4% a 12%. As mudas ficam aptas ao plantio definitivo entre 4 e 5 meses. As raízes fixam nitrogênio, associando-se a bactérias do gênero Rhizobium e formando nódulos.

Características silviculturais

Espécie heliófila, não suporta temperaturas baixas. Demanda podas de condução e de galhos e rebrota com vigor a partir da touça. Cresce bem em plantios puros, densos e a pleno sol, podendo ter a semente lançada diretamente no local definitivo. É indicada para quebra-ventos em faixas arbóreas entre lavouras e como componente de pastagens arbóreas mistas; no entanto, tem caráter invasor e muitos pecuaristas a consideram uma praga séria em áreas de pasto.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre seu desempenho em plantios, mas o crescimento inicial é rápido, chegando facilmente a 2 m de altura aos 2 anos de idade.

Clima

A precipitação média anual varia de 600 mm, em Pernambuco, a 1.500 mm, na Paraíba, com chuvas de regime periódico. A deficiência hídrica vai de pequena a moderada na faixa costeira do Rio Grande do Norte, de moderada a forte no oeste da Bahia e forte no restante da área. A temperatura média anual situa-se entre 21,6 °C (Areia, PB) e 27,2 °C (Mossoró, RN); a média do mês mais frio fica entre 19,4 °C (Montes Claros, MG) e 25,3 °C (Quixeramobim, CE), e a do mês mais quente entre 23 °C (Areia, PB) e 28,7 °C (Mossoró, RN). A mínima absoluta registrada foi de 1,4 °C, em Corumbá, MS. Geadas são praticamente ausentes em toda a área de ocorrência, embora em Mato Grosso do Sul possam surgir, raramente, geadas fracas. Segundo Köppen, predominam os climas As, Aw e Bsh.

Solos

Desenvolve-se preferencialmente em terrenos de várzeas aluviais de alta fertilidade, ainda que com elevado teor de areia.