Foto: Vincent A. Vos (CC BY 4.0) via inaturalist
Sucupira-preta
Diplotropis purpurea
- 15 a 30 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: sucupira, sucupira-da-mata, sucupira-roxa, sapupira, sucupira-verdadeira
Botânica
Pertence à família Fabaceae (subfamília Papilionoideae, antiga Faboideae), gênero Diplotropis. A espécie integra um complexo taxonômico com variedades reconhecidas, sendo frequentemente confundida com outras sucupiras dos gêneros Bowdichia e Pterodon.
Árvore de tronco reto e cilíndrico, podendo atingir grandes diâmetros, com casca externa rugosa, parda a acinzentada, e cerne escuro de coloração castanho-escura a quase negra, muito denso e resistente. Folhas compostas pinadas, alternas, com folíolos coriáceos, glabros na face superior e por vezes pubescentes na inferior. Inflorescências em panículas terminais ou axilares, com flores papilionáceas de coloração arroxeada a violácea, vistosas. Os frutos são vagens (legumes) indeiscentes ou tardiamente deiscentes, achatadas, contendo geralmente uma a duas sementes.
Uso e ecologia
A madeira, de cerne escuro, pesada, dura e de elevada durabilidade natural, é apreciada em construção civil pesada, estruturas, postes, dormentes, marcenaria, assoalhos e obras externas. Tradicionalmente são atribuídos usos medicinais a cascas e sementes na medicina popular. Pelo porte e floração arroxeada, tem potencial paisagístico e ornamental.
Espécie arbórea de comportamento secundário tardio a clímax, presente no dossel de florestas. Por ser leguminosa, contribui para a ciclagem de nitrogênio e a fertilidade do solo, sendo de interesse para programas de recuperação de áreas degradadas e enriquecimento florestal.
A floração ocorre predominantemente na estação seca a início das chuvas, e a frutificação se estende ao longo dos meses seguintes, com dispersão das vagens variando conforme a região de ocorrência.
As flores são visitadas por abelhas e outros insetos, conferindo interesse apícola. As sementes e vagens podem servir de alimento à fauna local.
Plantio e silvicultura
As sementes apresentam tegumento resistente, sendo recomendável tratamento pré-germinativo, como escarificação mecânica, para uniformizar e acelerar a germinação. A coleta deve ser feita das vagens maduras diretamente da árvore.
A produção de mudas é feita por semeadura em sementeiras ou diretamente em recipientes, com repicagem quando necessário. As mudas requerem sombreamento parcial na fase inicial de viveiro.
Indicada para plantios mistos de recuperação ambiental e enriquecimento de matas, bem como para sistemas voltados à produção madeireira de ciclo longo. Combina bem com espécies pioneiras que fornecem sombreamento inicial.
Apresenta crescimento de moderado a lento, compatível com seu hábito de espécie de madeira densa e de ciclo longo.
Adaptada a climas tropicais quentes e úmidos a subúmidos, tolerando estações secas definidas características das áreas de Cerrado e transição.
Desenvolve-se em solos diversos, de bem drenados a profundos, incluindo solos de baixa fertilidade típicos de áreas de Cerrado e de terra firme amazônica.