Foto: Francisco V. Bezerra Neto (CC BY-SA) via GBIF
Sucupira-branca
Pterodon pubescens
- até 15 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: fava, faveiro, faveiro-amarelo, faveiro-vermelho, sucupira, sucupira-lisa
Botânica
Pertencente à família Fabaceae (subfamília Faboideae, antiga Papilionoideae) e à ordem Fabales, a sucupira-branca tem como binômio Pterodon pubescens Benth., descrito pela primeira vez em 1860. O nome do gênero, Pterodon, traduz-se como "vaso com asa", uma alusão ao cálice tubuloso provido de dois lacínios em formato de asa; já o epíteto pubescens faz referência aos pelos curtos, finos e macios que recobrem os folíolos.
Trata-se de uma planta de porte arbustivo a arbóreo, com folhagem caducifólia. Os exemplares de maior tamanho chegam a cerca de 15 m de altura e 60 cm de DAP na fase adulta. O tronco costuma ser tortuoso, com fuste que pode alcançar 8 m. A ramificação é cimosa e a copa, globosa, com ramos e gemas terminais sem pelos. A casca tem até 3 cm de espessura: quando envelhecida, a parte externa (ritidoma) é lisa, pardo-acinzentada e íntegra, mas com fendas; a interna apresenta tom amarelo, textura esponjosa e, com frequência, coloração esbranquiçada. As folhas são compostas, formadas por 14 a 32 folíolos pequenos, hirsutos, de formato oblongo a ovado-oblongo, atenuados em direção ao ápice obtuso e levemente entalhado; são membranáceos, pilosos e marcados por numerosas glândulas translúcidas puntiformes, medindo de 2 a 4 cm por 10 a 16 mm. A inflorescência aparece em panícula terminal pubescente, com 7 a 15 cm de comprimento. As flores têm cálice com duas sépalas em forma de asa, elípticas, membranáceas, rosadas ou brancas e dotadas de glândulas translúcidas conspícuas, maiores que a corola e medindo de 8 a 12 mm; as outras três sépalas são reduzidas e fundidas num lábio inferior denteado. A corola reúne cinco pétalas de tom violáceo-pálido ou róseo, com estandarte elíptico de comprimento próximo ao das demais, levemente róseo, violáceo no centro, com duas pequenas manchas amarelas, glabro e bífido na ponta, de 5 a 8 mm; as asas são rosadas, emarginadas, com 2 a 3 mm por 6 a 7 mm. O fruto é do tipo drupáceo, oblongo e achatado, com 4 a 5 cm de comprimento por 2 a 2,5 cm de largura; o epicarpo e o mesocarpo são delgados e se desprendem do endocarpo, que é lenhoso, duro, com loja seminal central abaulada, fortemente reticulada em alto relevo e rica em óleo aromático, circundada por uma asa estreita e sublenhosa. Como o endocarpo é alado e permanece preso à árvore, o fruto lembra uma sâmara. A semente é elipsoide, parda, lisa e brilhante, de 9 a 13 mm de comprimento, com dois cotilédones córneos amplos, raramente separando-se do pericarpo.
Uso e ecologia
A madeira é densa, com massa específica aparente de 0,85 a 0,95 g/cm³ a 15% de umidade (densidade básica de 0,73 a 0,95 g/cm³). Recém-cortado, o cerne tem cor bege-amarelada que tende ao castanho claro e uniforme. A superfície é sem brilho, levemente áspera, de aspecto fibroso pouco marcado, cheiro e gosto indistintos, textura média e desigual e grã reversa, sobretudo nas faces radiais. É empregada em construção civil, pontes, vigamentos, carrocerias, cabos de ferramentas, implementos agrícolas, cruzetas, tacos de assoalho, esquadrias, macetas e dormentes, embora seja inadequada para celulose e papel. Como combustível, rende lenha e carvão de boa qualidade, com 33,5% de rendimento em carvão. Da espécie obtêm-se ainda usos medicinais: na medicina popular de toda a sua área de ocorrência emprega-se a planta inteira; o macerado da semente diluído em água serve a gargarejos com efeito calmante e contra faringite e laringite, enquanto o óleo demonstra ação contra a esquistossomose, dificultando a penetração das cercárias na pele dos mamíferos (informações de caráter apenas factual, que não substituem orientação médica). O endocarpo alado da drupa é rico em óleo verde levemente aromático, formado por óleo fixo e um pouco de óleo essencial. Análises fitoquímicas isolaram isoflavonas e diterpenos. Os frutos também são aproveitados em artesanato.
Classificada como secundária inicial, a sucupira-branca tem distribuição irregular e descontínua, formando agrupamentos densos que às vezes chegam a populações puras. No bioma Mata Atlântica aparece na Floresta Estacional Semidecidual, formação Submontana, no oeste da Bahia, em Goiás e em São Paulo, com cerca de um indivíduo por hectare. No Cerrado ocorre no cerrado stricto sensu (Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins), com até dez indivíduos por hectare, além do cerradão (Goiás, Mato Grosso e São Paulo) e do campo cerrado (São Paulo). No Pantanal está associada ao cerradão, em Mato Grosso. Também é encontrada em mata ciliar, no centro-sul de Mato Grosso e na Paraíba, e na faixa de transição entre floresta amazônica e cerrado, em Mato Grosso.
A floração é anual: ocorre em setembro no Distrito Federal e em Mato Grosso, e de outubro a fevereiro em São Paulo. Os frutos amadurecem de julho a novembro em São Paulo e de novembro a abril em Mato Grosso.
Espécie hermafrodita, é polinizada principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes acontece pelo vento (anemocoria).
Plantio e silvicultura
Os frutos (sâmaras) devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a cair, e podem ser usados na semeadura como se fossem sementes, já que separá-las dá bastante trabalho. Há cerca de 1.360 sementes por quilo. Não é necessário tratamento pré-germinativo. Em armazenamento, a viabilidade das sementes dura menos de seis meses.
Recomenda-se semear os frutos logo após a colheita, diretamente em recipientes individuais. Quando preciso, a repicagem é feita 30 dias após o início da germinação, que é do tipo epígea, com plântulas fanerocotiledonares. A emergência começa entre 15 e 54 dias, e a capacidade germinativa é baixa, de até 14,2%. A espécie não estabelece simbiose com Rhizobium.
Heliófila e sensível ao frio, a sucupira-branca rebrota da touça após o corte, o que permite o manejo pelo sistema de talhadia. É indicada para plantios mistos. A espécie foi tombada como Patrimônio Ecológico Distrital no Parque do Guará, no Distrito Federal.
No Cerrado paulista, a espécie atinge 9,50 m de altura e 20 cm de DAP em 16 anos.
A precipitação média anual varia de 800 mm, na Bahia, a 1.600 mm, em Mato Grosso e Minas Gerais, com chuvas periódicas e deficiência hídrica moderada. A temperatura média anual fica entre 20 °C (Alto Paraíso de Goiás, GO) e 25,6 °C (Chapada dos Guimarães e Cuiabá, MT); a média do mês mais frio vai de 17,6 °C (São Simão, SP) a 23,7 °C (Bom Jesus da Lapa, BA) e a do mês mais quente, de 22,5 °C (Brasília, DF) a 27,2 °C (Chapada dos Guimarães, MT). A mínima absoluta registrada foi de -2,2 °C, em Uberaba, MG. As geadas são ausentes na maior parte da área de ocorrência e raras em Minas Gerais e São Paulo. Pela classificação de Köppen, predominam os climas As (tropical com verão seco), na Paraíba; Aw (tropical com inverno seco, savana), na Bahia, em Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e sul de Tocantins; e Cwa (subtropical com inverno seco e verão quente), em São Paulo.
Desenvolve-se em solos ácidos e distróficos, com altos teores de alumínio trocável, textura arenosa e presença de afloramentos rochosos areníticos.