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Foto de Sucupira

Foto: Thomaz Ricardo Favreto Sinani (CC BY) via GBIF

Sucupira

Bowdichia virgilioides

Fabaceae Mata AtlânticaCerradoCaatingaPantanal
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: sucupira-mirim, sucupira-verdadeira, paricarana, sapupira-do-campo, sucupira-amarela, sucupira-do-campo, sucupira-branca, sucupira-parda, sucupira-roxa, sucupiruçu-branco, sucupiruçu-pardo, sucupira-do-cerrado, macanaíba, macanaíba-parda, macanaíba-pele-de-sapo, sucupira-preta, sucupira-pele-de-sapo, sucupira-rosa, sucupira-doce, chico-pires, cipirira, sebipira

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (subfamília Papilionoideae ou Faboideae), a sucupira tem como nome científico Bowdichia virgilioides Kunth, publicado em 1823. São reconhecidas como sinonímias botânicas os nomes Bowdichia major Mart. e Bowdichia pubescens Benth. O nome do gênero, Bowdichia, é uma homenagem a Bowdich, enquanto o epíteto virgilioides remete à semelhança com a virgília, uma leguminosa arbórea de origem africana. Já a designação popular sucupira tem raízes na língua indígena, com referência à madeira polida e lisa.

Descrição botânica

Árvore decídua de porte que vai de arvoreta a árvore, atingindo na fase adulta cerca de 15 m de altura e até 60 cm de diâmetro à altura do peito. O tronco pode ser reto ou tortuoso, com fuste curto de no máximo 5 m e ramificação dicotômica. A casca chega a 15 mm de espessura; sua superfície externa é dura, áspera, rugosa e fendilhada, formando cristas irregulares e apresentando coloração que varia do cinza-escuro ao pardo. As folhas são compostas e pinadas, de inserção alternada, com folíolos de 6 a 10 cm de comprimento. As flores, reunidas em panículas, são pequenas (2 a 3 mm) e de cor azul-escura a violeta. O fruto é um legume seco, simples, indeiscente e monocarpelar, com superfície glabra de cor castanho-clara, levemente reticulada e com pequenas asas na extremidade superior; mede de 3,3 a 7,1 cm de comprimento por 1,1 a 1,4 cm de largura e abriga de 1 a 8 sementes. As sementes, comprimidas lateralmente, têm formato obovado, ovado ou oblongo, medem de 3,3 a 6,3 mm por 2,8 a 4,0 mm, com superfície lisa e brilhante e coloração que vai do castanho-escuro a tons avermelhados e ferrugíneos, sendo estes dois últimos os mais frequentes.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira da sucupira é densa (0,83 a 1,11 g/cm³ a 15% de umidade; massa específica básica de 0,74 g/cm³) e bastante versátil. O cerne varia do pardo-acastanhado ao castanho-escuro, com largas riscas mais claras correspondentes às linhas vasculares, enquanto o alburno é branco a amarelado e bem demarcado. A superfície é irregularmente lustrosa e moderadamente lisa, de aspecto fibroso e textura grosseira, grã direita ou irregular, sem cheiro ou gosto perceptíveis. É dura ao corte, muito fibrosa e fácil de rachar; em testes de laboratório mostrou-se resistente ao ataque de organismos xilófagos, porém impermeável ou pouco permeável a soluções preservantes sob pressão. Presta-se a folhas faqueadas decorativas, móveis finos, esquadrias, acabamentos internos (tacos, assoalhos, lambris) e a usos externos como vigas, caibros, ripas, cruzetas, dormentes, pontes, além de trabalhos de marcenaria e carpintaria, especialmente tornos e fusos de prensa e laminação. A lenha é de primeira qualidade, mas a madeira não serve para celulose e papel. Cascas e tubérculos das raízes jovens contêm o alcaloide sucupirina, de ação depurativa; nas sementes encontram-se compostos fenólicos (fenóis, taninos, antocianinas, flavonoides), esteroides, triterpenoides, saponinas, resinas, alcaloides e ácido clorogênico, além de 8,4% de galactomanana. A casca é fonte de taninos condensados (até 8,44%), explorada na Chapada do Araripe, no sul do Ceará. A forragem é rica em proteína bruta, embora pouco consumida no Pantanal Mato-Grossense.

Aspectos ecológicos

A sucupira é classificada como espécie pioneira a secundária tardia ou clímax exigente em luz. Suas características sugerem capacidade de germinar mesmo sob baixa disponibilidade de água, com germinação estimulada em áreas abertas e grandes clareiras, onde há temperaturas mais altas e luz do tipo vermelha — comportamento típico de colonizadoras de estágios sucessionais iniciais. É frequente nas terras altas da Zona da Mata, tanto em formações primárias quanto, sobretudo, secundárias, onde costuma ocorrer em indivíduos isolados. No bioma Mata Atlântica aparece em Floresta Estacional Decidual e Semidecidual e em Floresta Ombrófila Densa, com densidades de 3 a 11 indivíduos por hectare em Minas Gerais e volume de madeira de 0,08 m³/ha no norte do Espírito Santo, além de restingas na Paraíba, onde é rara. No Cerrado, é registrada em savana (lato sensu) e cerradão, com frequência de 1 a 38 indivíduos por hectare. No Pantanal ocorre no Pantanal Mato-Grossense, e na Caatinga aparece em savana-estépica em Minas Gerais. Também é encontrada em ambientes ripários, brejos de altitude, campos limpo, sujo e de murundu, campos rupestres e ecótonos de restinga.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: ocorre de junho a agosto no Mato Grosso do Sul, de junho a setembro em São Paulo, de julho a agosto em Goiás, de setembro a dezembro em Minas Gerais e em Pernambuco, e de outubro a dezembro na Bahia e em Sergipe. Os frutos amadurecem de setembro a outubro no Mato Grosso do Sul, de outubro a novembro em São Paulo, de dezembro a março em Sergipe, de janeiro a fevereiro no Espírito Santo e de janeiro a abril em Pernambuco.

Fauna associada

A espécie é monoica e tem como principais polinizadores abelhas grandes da família Anthophoridae, a abelha europeia ou africanizada (Apis mellifera) e diversos insetos pequenos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a cair espontaneamente e, em seguida, postos para secar ao sol, o que favorece a abertura e a liberação das sementes. Recomenda-se colocar os frutos em saco de aniagem e batê-los com martelo de borracha, removendo depois os resíduos; também é possível semear as pequenas vagens inteiras, embora isso possa gerar mudas defeituosas. Cada quilo contém de 39 mil a cerca de 106.300 sementes. Por terem dormência acentuada, causada pela impermeabilidade do tegumento, as sementes exigem tratamento pré-germinativo: indica-se escarificação química em ácido sulfúrico concentrado por 2 a 10 minutos, pois tratamentos térmicos a 100 ºC por 15 a 30 segundos prejudicam fortemente a germinação. As sementes têm comportamento ortodoxo no armazenamento e apresentam dormência pós-colheita; lotes com 85% de germinação inicial mantiveram 88% e 87% de germinação após secagem e armazenamento a 5 ºC e a -18 ºC, respectivamente. Em laboratório, germinam numa ampla faixa de temperatura (15 ºC a 35 ºC), sendo 25 ºC o ideal.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em sementeiras, com posterior repicagem para sacos de polietileno ou tubetes grandes de polipropileno, realizada de 2 a 4 semanas após a semeadura. O sistema radicular é pivotante, com raiz axial lenhosa e abundante ramificação lateral bem distribuída, formando tubérculos ocasionais — uma espécie de batata que funciona como reserva para os períodos secos. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 10 e 25 dias após a semeadura. O poder germinativo varia de 45% a 88% em sementes com dormência superada e de apenas 0% a 2,1% quando não há esse tratamento. As mudas ficam prontas para o plantio definitivo entre 4 e 5 meses. As raízes fixam nitrogênio em associação com Rhizobium, formando nódulos crotaloides com baixa atividade da nitrogenase. Há ainda registro de propagação vegetativa por proliferação in vitro de explantes de brotos em meio de cultura Murashige & Skoog suplementado com BAP.

Características silviculturais

Trata-se de espécie heliófila, que não tolera temperaturas baixas e necessita de podas de condução e de galhos. Cresce bem em plantios puros densos a pleno sol, em plantios mistos diversificados e mesmo sob sombreamento parcial. Apresenta boa brotação da touça, podendo ser manejada pelo sistema de talhadia. Em sistemas agroflorestais, costuma ser mantida na floresta como árvore de sombra.

Crescimento e produção

O crescimento é moderado, com produção volumétrica estimada de até 5,40 m³/ha/ano aos 4 anos de idade. A espessura comercial é alcançada entre 15 e 20 anos, mas a madeira só se torna viável para obras a partir dos 25 anos.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência varia de 700 mm, na Bahia, a 2.500 mm, em Pernambuco, com chuvas uniformemente distribuídas no sul baiano e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica vai de nula a forte conforme a região e a estação. A temperatura média anual oscila entre 18,1 ºC, em Diamantina (MG), e 26,8 ºC, em Caxias (MA), com mínima absoluta de -3 ºC registrada no Paraná, onde as geadas são ausentes ou raras. Segundo a classificação de Köppen, ocorre nos tipos climáticos Af, Am, As, Aw, Cwa e Cwb.

Solos

A sucupira tolera solos secos, de baixa fertilidade química e textura arenosa. No Nordeste do Brasil, é comum em áreas de tabuleiro.