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Foto de Sucará

Foto: Pablo H Capovilla (CC BY) via GBIF

Sucará

Gleditsia amorphoides

Caesalpiniaceae Mata AtlânticaPampa
  • 5 a 10 mAltura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasFrutíferasMadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: açucará, faveiro, açucará-faveiro, coronda, coronilha, espinho-de-cristo, espinilho

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), ordem Fabales e família Caesalpiniaceae (Leguminosae Caesalpinioideae). O binômio aceito é Gleditsia amorphoides, descrito por Taubert em 1892 a partir do basiônimo de Grisebach, tendo como sinônimo botânico Garugandra amorphoides Gris. O nome do gênero foi cunhado por Lineu em honra ao botânico alemão Johann Gottlieb Theodor Gleditsch, que dirigiu o Jardim Botânico de Berlim.

Descrição botânica

É uma árvore semicaducifólia a caducifólia que costuma medir de 5 a 10 m de altura e ter de 20 a 35 cm de diâmetro à altura do peito (DAP), podendo, quando adulta, alcançar 20 m e 80 cm de DAP. O tronco é praticamente reto e de seção cilíndrica, recoberto por numerosos espinhos ramificados que chegam a 25 cm; o fuste atinge até 8 m. A ramificação é dicotômica e forma uma copa baixa, aberta, arredondada e de contorno irregular, cujos ramos também portam espinhos muito ramificados de até 8 cm. A casca tem até 10 mm de espessura: a externa, de tom verde a pardo-acinzentado, é de pouco áspera a lisa e descama em lâminas ou escamas irregulares, enquanto a interna é amarelada. As folhas são compostas bipinadas e alternas, com 4 a 9 pares de pinas e abundantes folíolos pequenos, de até 1,8 cm de comprimento por 1 cm de largura, oblongos, denticulados, de base oblíqua ou obtusa e ápice arredondado. As flores, branco-esverdeadas e numerosas, medem de 3 a 8 mm e podem ser unissexuais ou também hermafroditas, reunindo-se em densos racemos de 2,5 a 8 cm nas axilas foliares. O fruto é um legume duro e indeiscente, achatado, curvo, de ápice arredondado e cor preta brilhante, com 5 a 12 cm de comprimento por 2 a 4 cm de largura, abrigando de 4 a 10 sementes e pesando, em média, 5,7 g. As sementes são castanho-oliváceas, lustrosas e muito duras, de formato obovado irregular e algo achatadas, com 4 a 12 mm de comprimento e 5 a 8 mm de diâmetro.

Uso e ecologia
madeireirorecuperação de áreasenergéticoalimentíciosistemas agroflorestais
Produtos e utilizações

Por resistir bem aos esforços de flexão e impacto, além de ser visualmente atraente, a madeira presta-se a marcenaria e carpintaria em geral, carrocerias, chapas ornamentais, lâminas decorativas, revestimentos internos e dormentes. Também rende lenha e carvão de qualidade aceitável, usos hoje correntes na Bolívia e no Paraguai, embora não sirva para a produção de celulose. Do albúmen da semente extrai-se uma goma chamada garrofina, com rendimento de cerca de 10% em peso, empregada como fixador em doces, fármacos e cosméticos (como xampus); ela funciona como substituto da goma garrofin europeia, obtida da alfarrobeira (Ceratonia siliqua), e entra no preparo de pastas celulósicas. A casca e os frutos contêm saponina (com a casca tendo valor industrial pelo alto teor) e tanino em baixa proporção. Os frutos têm ainda elevado valor forrageiro. A espécie é indicada para recuperar áreas degradadas e erodidas e para recompor mata ciliar em locais sujeitos a inundações periódicas de curta duração. Quanto à madeira em si, ela é densa (0,80 a 0,90 g/cm³ a 12% de umidade e 0,87 a 0,94 g/cm³ a 15%), com alburno branco-amarelado e cerne que vai do castanho ao castanho-arroxeado, escurecendo ao contato com o ar; tem textura mediana e homogênea, grã reta a oblíqua e brilho natural médio. Em construções expostas ao tempo, é vulnerável ao ataque de cupins de madeira seca, recomendando-se tratamento por imersão em inseticidas contra insetos xilófagos. A secagem ao ar deve ser feita lentamente para evitar deformações, e a dureza dificulta o serrar e o pregar.

Aspectos ecológicos

É uma espécie secundária tardia que ocupa o estrato arbóreo médio da floresta e prefere áreas abertas para se regenerar. Cresce naturalmente na Floresta Estacional Semidecidual e na Floresta Estacional Decidual no Paraná e em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, é comum nas matinhas ciliares dos Campos da Campanha, no sudoeste, avançando até a borda da Floresta Estacional Decidual no noroeste do estado, mas nunca penetrando no interior da floresta. Fora do Brasil, aparece em formações como a Selva Misionera, o Parque Chaqueño e a Selva Tucumano-Boliviana.

Floração e frutificação

No Paraná, a floração ocorre de novembro a dezembro, e os frutos amadurecem entre maio e julho. Em plantios, a reprodução tem início por volta dos 10 anos de idade.

Fauna associada

A polinização é feita sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A planta é dioica ou polígama. A dispersão dos frutos e sementes é principalmente barocórica (por gravidade), além de autocórica e zoocórica.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser recolhidos no chão após mudarem do verde para o preto; para extrair as sementes, quebra-se o fruto com um cacetete, e a vagem triturada libera odor forte. Há de 3.300 a 5.000 sementes por quilo. A semente possui dormência tegumentar de intensidade variável, podendo ser superada por imersão em água fria por 48 horas, imersão em água quente a 65ºC ou 80ºC com repouso de 12 horas para embebição, escarificação em ácido sulfúrico por 1 minuto ou escarificação mecânica; pela praticidade, esta última é a mais indicada em viveiros florestais. O comportamento no armazenamento é ortodoxo: lotes com 76% de germinação inicial, guardados em sacos de papel kraft em sala, mantiveram 51% de germinação após 5 anos e 8% aos 12 anos. Para o teste de tetrazólio padronizado por Malavasi e colaboradores, recomenda-se embeber as sementes por 48 horas, remover o tegumento e usar cloreto de trifenil tetrazólio nas concentrações de 0,050 e 0,075% por 3 e 6 horas, ou 0,1% por 1 hora, situação em que o tecido vivo sadio assume coloração vermelho-brilhante uniforme, permitindo distinguir tecidos mortos (brancos) ou em deterioração (vermelho-intenso).

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras para posterior repicagem, ou colocar duas sementes em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou ainda em tubetes de tamanho médio; a repicagem deve ocorrer de 2 a 4 semanas depois da germinação. A germinação é epígea, começa entre 3 e 78 dias após a semeadura e atinge cerca de 70%, com as mudas alcançando porte adequado ao plantio por volta dos 6 meses. Na Argentina, emprega-se muda de raiz nua no plantio. As raízes da espécie não se associam a Rhizobium; como o sistema radicular é pivotante e com poucas raízes laterais, convém investigar a presença de fungos micorrízicos arbusculares.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila que tolera sombreamento de baixa intensidade na fase juvenil e suporta bem o frio. Tem hábito de falsa dicotomia e tronco curto, exigindo desrama artificial periódica e frequente, sobretudo a poda dos galhos. Pode ser plantada a pleno sol, em consórcio com pioneiras ou em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas em capoeiras jovens; rebrota da touça após o corte. Na Argentina, usam-se espaçamentos largos por conta da copa ampla, como 4 x 4 m e 8 x 8 m. No Paraguai, é indicada para sistemas silvipastoris, na arborização de pastagens. No Paraná, consta da lista de plantas ameaçadas de extinção, na categoria em perigo.

Crescimento e produção

O crescimento é lento. A maior produtividade volumétrica registrada foi de 2,40 m³ por hectare ao ano, aos 9 anos.

Clima

A precipitação média anual no Brasil vai de 1.400 mm no Rio Grande do Sul a 2.300 mm em Santa Catarina; na Argentina, parte de 800 mm. As chuvas são uniformemente distribuídas no Paraná e em Santa Catarina e periódicas no sudoeste do Rio Grande do Sul, com verão seco e inverno chuvoso (clima mediterrâneo), onde a deficiência hídrica é nula a pequena. A temperatura média anual varia de 16,6ºC (Guarapuava, PR) a 21,4ºC (Guaíra, PR); a média do mês mais frio fica entre 12,4ºC (Santana do Livramento, RS) e 16,7ºC (Guaíra, PR), e a do mês mais quente, entre 20,3ºC (Guarapuava, PR) e 25,5ºC (Foz do Iguaçu, PR). A mínima absoluta registrada foi de -8,4ºC (Guarapuava, PR). O número médio de geadas por ano vai de 0 a 13, com máximo absoluto de 27 na Região Sul. Os tipos climáticos de Köppen são o temperado úmido (Cfb) e o subtropical úmido (Cfa).

Solos

Em condições naturais, desenvolve-se em solos de baixa fertilidade química, bem drenados e de textura que varia de franca a argilosa.