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Foto de Sobrasil

Foto: Luan Mazzeo (CC BY) via GBIF

Sobrasil

Colubrina glandulosa var. reitzii

Rhamnaceae Mata AtlânticaCerradoCaatinga
  • 5 a 20 m (até 25 m)Altura
  • Grande portePorte
MadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: brasilite, caçoca, saguaraji-amarelo, saguaraji-vermelho, saguari, saguariji, sobrasil-amarelo, sobrasil-vermelho, falso-pau-brasil, foguetião, guaxumbo, sabiá-da-mata, jucuruju, jucuruxuva, sobraju, socorujuva, sucurujuba, pau-brasil, saguaraji, saguraji, saraguají, sobraji, soque-soque, sucurujuva, suruaji

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, o sobrasil é uma angiosperma (divisão Magnoliophyta) da classe Magnoliopsida, ordem Rhamnales e família Rhamnaceae. A espécie foi descrita como Colubrina glandulosa Perkins var. reitzii (M.C. Johnston) M.C. Johnston, publicada em Brittonia (v. 23, n. 1, p. 17) em 1971, e tem como sinônimos botânicos Colubrina rufa Reissek e Colubrina rufa Reissek var. reitzii M.C. Johnston. O nome do gênero deriva do latim coluber (cobra), em alusão à aparência serpentiforme atribuída aos troncos da espécie-tipo; o epíteto glandulosa remete às glândulas presentes nas folhas, enquanto reitzii homenageia o botânico catarinense Padre Raulino Reitz, que dirigiu o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Herbário Barbosa Rodrigues, em Itajaí (SC).

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore semicaducifólia que costuma medir de 5 a 20 m de altura, com diâmetro do tronco (DAP) entre 30 e 50 cm, podendo chegar a 25 m de altura e 80 cm de DAP na fase adulta; no Nordeste, porém, o porte adulto fica entre 5 e 12 m. O tronco é reto e cilíndrico, com fuste que alcança até 15 m. Quando jovem a ramificação é monopodial e ascendente, tornando-se racemosa na maturidade, e a copa, alongada ou cônica, exibe ramos finos quase horizontais. A casca chega a 10 mm de espessura: a parte externa é marrom-escura ou marrom-acinzentada, áspera e rugosa, marcada por sulcos longitudinais curtos que delimitam placas retangulares; nos exemplares mais velhos essas placas se desprendem em lâminas reviradas para cima. Já a casca interna é amarela, de tonalidade variável. As folhas são simples, alternas e oblongas, com lâmina de 6 a 16 cm de comprimento por 2 a 8,5 cm de largura — a face superior é brilhante e quase glabra, e a inferior pubescente —, sustentadas por pecíolo ferrugíneo-piloso de 10 a 15 mm; apresentam glândulas conspícuas nas margens e na base e cerca de cinco nervuras laterais de cada lado, bem espaçadas e salientes na face inferior. As flores são minúsculas, amarelo-esverdeadas e campanuladas, reunidas em cimeiras axilares curtas que formam glomérulos de até 3 cm com cerca de 25 flores. O fruto é uma cápsula seca, globosa e glabra, trilocular, de 8 a 12 mm, que escurece até o negro quando madura e abre-se de forma explosiva, contendo três sementes; o pedicelo mede cerca de 6 mm. As sementes são pretas, lisas e brilhantes, elipsoides e truncadas na ponta hilar, com pequena carúncula, medindo de 4 a 5 mm de comprimento por 3 a 4 mm de largura.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícolasistemas agroflorestais
Produtos e utilizações

A madeira do sobrasil, serrada ou roliça, é empregada na construção civil (caibros, vigamentos e tabuados) e na construção naval, além de obras externas e hidráulicas como pontes, dormentes e postes de redes telegráficas e elétricas, por ser reta, durável e resistente; presta-se também a palanques de cerca (segura bem os grampos), esteios, estacas e cabos de ferramentas. Rende lenha de boa qualidade, mas é inadequada para celulose e papel. Suas flores são melíferas e fornecem pólen, o que a torna interessante para a apicultura. A árvore é recomendada para paisagismo e arborização de praças. Em termos de propriedades, a madeira é densa (0,80 a 1,00 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno branco a branco-amarelado ou rosado e cerne amarelado que escurece para tons róseo-alaranjados ao ser exposto ao ar; tem superfície medianamente lisa, textura média e uniforme, grã direita, cheiro indistinto e gosto levemente adstringente. É resistente à deterioração e ao apodrecimento mesmo em ambientes úmidos e alagados, lembrando a madeira do pau-brasil (Caesalpinia echinata).

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial, é comum em vegetação secundária e capoeirões, onde forma pequenos agrupamentos; não aparece em pastagens nem integra o estrato dominante das comunidades em que vive. Ocorre na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), em sua formação Submontana — onde, no Vale do Itajaí (SC), é considerada rara —, na Floresta Estacional Semidecidual Submontana, esparsamente no Cerradão, na restinga e nos encraves vegetacionais do Nordeste.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de novembro a maio em São Paulo, de dezembro a maio no Paraná, de fevereiro a julho no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, em março em Minas Gerais, de abril a junho no Rio de Janeiro e de julho a setembro em Pernambuco. Os frutos amadurecem de abril a outubro em Santa Catarina, de maio a setembro no Paraná, de maio a outubro em São Paulo, de agosto a outubro no Rio Grande do Sul, em setembro em Minas Gerais e de outubro a dezembro em Pernambuco. Em plantios sobre solos férteis, a reprodução começa por volta dos 3 anos de idade.

Fauna associada

A planta é hermafrodita e a polinização é feita sobretudo por diversos insetos pequenos. A dispersão é autocórica, predominantemente barocórica e explosiva, de modo que as sementes não são levadas por animais. Folhas, brotos, flores e frutos servem de alimento ao macaco-bugio (Alouatta fusca).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando mudam do verde para o castanho-escuro e, em seguida, quebrados para retirar as sementes; em São Paulo notou-se que frutos menores, de maturação mais tardia, não contêm sementes. Cada quilo reúne de 42.000 a 47.600 sementes. A dormência tegumentar é forte, sendo recomendada a escarificação química com ácido sulfúrico: concentrado por 25 minutos (Embrapa Florestas), glacial por 2 horas, ou concentrado na proporção de duas partes de ácido para uma de semente durante 2 horas, além da imersão em álcool etílico por 4 horas; a imersão em água quente não é eficaz. Antes do tratamento, convém separar as sementes vazias das cheias por flotação em água. O comportamento de armazenamento é ortodoxo: guardadas em saco plástico à temperatura ambiente, mantiveram 30,5% de germinação após 5 anos e, em vidro fechado sob ambiente não controlado, ainda apresentavam 0,5% de germinação após 20 anos. Para análise em laboratório, recomenda-se colocar as sementes sobre papel, areia ou vermiculita às temperaturas de 25 ºC, 20-30 ºC e 30 ºC, respectivamente.

Produção de mudas

Recomenda-se a semeadura em sementeiras, com posterior repicagem das plântulas — 2 a 4 semanas após a germinação — para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio. A germinação é epígea e tem início entre 12 e 42 dias após a semeadura. Sem tratamento prévio, a taxa é muito baixa e a germinação se prolonga de forma irregular por até 6 meses; já com a dormência superada o poder germinativo chega a 90%, contra cerca de 10% em sementes dormentes. As mudas ficam aptas ao plantio cerca de 6 meses após a semeadura. No viveiro da Embrapa Florestas, substratos com alto teor de alumínio provocaram crescimento desuniforme, atraso e sinais de deficiência nutricional, enquanto se obteve crescimento bem superior em altura usando lodo (resíduo do filtro-prensa da cana-de-açúcar) e cama-de-aviário. Indica-se sombreamento de até 30% no viveiro, nível que favorece o crescimento em altura sem comprometer a fotossíntese.

Características silviculturais

Heliófila, a espécie tolera sombra na fase jovem, mas é sensível ao frio em todas as etapas da vida — geadas mais intensas chegam a danificar plantas de até 10 m de altura, inclusive na floresta, e a temperatura limite para o desenvolvimento inicial é de -1 ºC. O crescimento é monopodial, de boa forma e galhos finos, com desrama natural eficiente por formação de tecido de abscisão: nos plantios densos os ramos inferiores secam e caem aos poucos, ainda que a poda verde seja recomendada para melhorar a qualidade da madeira. Pode ser plantada a pleno sol em maciço puro em áreas sem geada; a pleno sol em plantio misto com pioneiras como o jacatirão-açu (Miconia cinnamomifolia) e a licurana (Hyeronima alchorneoides); ou em faixas abertas na vegetação secundária e plantio em linha, onde as geadas não sejam severas. Possui gemas dormentes na base do fuste que podem permanecer viáveis por até 20 anos, rebrota após o corte — permitindo manejo por talhadia — e emite brotações basais que dão aspecto de multitroncos. É indicada para arborização de culturas perenes, podendo, no Sul do Brasil, produzir madeira para desdobro e postes com rotação de corte provável de 35 a 40 anos, e também serve como quebra-vento; demonstrou-se sua aptidão para sistemas agroflorestais em pastagens degradadas no Amazonas.

Crescimento e produção

O crescimento é considerado moderado, com produtividade volumétrica máxima registrada em plantios de 12,90 m³ por hectare ao ano.

Clima

A precipitação média anual nas áreas de ocorrência vai de 1.100 mm, em São Paulo, a 2.500 mm, em Pernambuco. As chuvas distribuem-se de modo uniforme na Região Sul (exceto o norte do Paraná) e no Rio de Janeiro, e concentram-se no verão nas demais regiões. O déficit hídrico varia de nulo, no Sul, a moderado, com estiagem de 2 a 5 meses, no Centro-Oeste e no Nordeste. A temperatura média anual fica entre 18,9 ºC (Torres, RS) e 26,1 ºC (João Pessoa, PB); a do mês mais frio entre 14,3 ºC (Porto Alegre, RS) e 23,9 ºC (Recife, PE), e a do mês mais quente entre 21,2 ºC (Guaramiranga, CE) e 28,2 ºC (João Pessoa, PB). A mínima absoluta registrada foi de -3,5 ºC (Londrina, PR). Na Região Sul ocorrem de 0 a 3 geadas por ano em média, com máximo de 7, embora predominem locais sem geada ou com geadas raras. Pela classificação de Köppen, abrange os climas tropical (Af, Am e Aw), subtropical úmido (Cfa) e subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Solos

Espécie de grande plasticidade, o sobrasil vegeta em solos de mata sobre arenitos férteis, sejam rasos ou profundos, ácidos e rochosos. No Rio Grande do Sul é encontrado naturalmente ao longo dos morros graníticos de Porto Alegre e dos morros areníticos de Taquara e São Leopoldo. Em plantios experimentais, desenvolve-se melhor em solos de boa fertilidade, bem drenados e de textura franco-argilosa a argilosa.