Foto: Thomaz Ricardo Favreto Sinani (CC BY) via GBIF
Sibipiruna
Caesalpinia pluviosa var. peltophoroides
- até 28 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: mucitaiba-verdadeira, coração-de-negro, falso-pau-brasil, maria-preta, pau-brasil-do-amarelo
Botânica
Pertencente à família Fabaceae (subfamília Caesalpinioideae) e ao gênero Caesalpinia, a espécie é classificada cientificamente como Caesalpinia pluviosa DC. var. peltophoroides (Benth.) G. P. Lewis, publicada na Flora Brasiliensis em 1870. Caesalpinia peltophoroides Bentham figura como sinônimo botânico. O nome do gênero foi criado por Linnaeus em homenagem ao médico e botânico italiano Andrea Caesalpinio, enquanto o nome popular vem do tupi-guarani çapo-piruna, que quer dizer raiz de casca preta.
Árvore perenifólia que, na fase adulta, pode alcançar cerca de 28 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito. O tronco é razoavelmente reto, com fuste de até 7 m. A copa, arredondada e moderadamente larga, chega a 6 m de diâmetro e exibe verde intenso, assumindo tons vermelho-bronzeados durante a brotação. A casca, de até 5 mm de espessura, tem superfície externa áspera, cinzenta e fissurada, marcada horizontalmente pelas lenticelas, ao passo que a parte interna é amarelo-clara. As folhas são bipinadas, imparipinadas e alternas, sem estípulas, formadas por 8 a 9 pares de pinas mais uma solitária no ápice, com pecíolo de 2 a 10 cm; cada pina reúne de 11 a 13 pares de folíolos pequenos, falciformes ou rômbicos, quase glabros e de base assimétrica. As inflorescências surgem em racemos densos, terminais e cônicos, eretos e voltados para cima, conferindo notável beleza. As flores são hermafroditas, numerosas e amarelas. O fruto é um legume lenhoso, plano, duro e deiscente, oblongo-lanceolado ou falcado, coriáceo e bivalve, com abertura explosiva e valvas que se torcem ao abrir; mede de 7,6 a 12 cm de comprimento por 2,7 a 3,1 cm de largura e abriga de 1 a 5 sementes. A semente é comprimida, de contorno aproximadamente circular, com testa dura, rígida e clara, dotada de um bico no hilo e margeada, à semelhança do pau-brasil.
Uso e ecologia
Considerada uma das nativas com maior potencial ornamental, é largamente plantada na arborização urbana de todo o país graças ao seu apelo estético, ao crescimento rápido e à elevada resistência a pragas, doenças e poluição atmosférica. É empregada em ruas, parques e estradas de cidades como Brasília, Curitiba, Manaus, Maringá, Rio Branco e Ilha Solteira. Sua madeira é bastante densa (0,978 g/cm³), com cerne escuro nitidamente distinto do alburno claro. Embora tenha pouca relevância comercial, é aproveitada na construção civil, carpintaria e marcenaria, sobretudo em tábuas, além de tacos, móveis, mourões e pontes rurais; também rende lenha de boa qualidade e é indicada para a produção de carvão. As flores são melíferas, fornecendo pólen e néctar às abelhas. A forragem reúne de 11% a 20% de proteína bruta e de 10% a 13,5% de tanino, não sendo considerada de boa qualidade.
Trata-se de uma espécie secundária inicial, rara e típica do estrato médio da floresta. Aparece em Floresta Estacional Semidecidual, na formação Montana do Ceará e da Paraíba, e em Floresta Ombrófila Densa de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Também ocupa ambientes ripários na Paraíba e brejos de altitude do Nordeste, como o refúgio da Serra de Taquaritinga, situado dentro da região de Caatinga do semiárido.
A floração ocorre de agosto a setembro no Distrito Federal, de agosto a novembro em Minas Gerais, de agosto a janeiro em São Paulo, de setembro a novembro no Paraná, de setembro a dezembro no Rio de Janeiro e de dezembro a janeiro em Pernambuco. Os frutos amadurecem de abril a julho em Pernambuco, de abril a agosto em São Paulo, de abril a outubro no Rio de Janeiro, de junho a outubro em Minas Gerais, em julho no Distrito Federal e de outubro a novembro no Rio Grande do Sul.
A polinização é feita principalmente por diversas espécies de abelhas. A dispersão é autocórica do tipo barocórica, pela gravidade, com deiscência violenta que arremessa as sementes a grandes distâncias.
Plantio e silvicultura
A maturação dos frutos é sinalizada por dois indícios: a mudança da cor verde para tons escuros, com ou sem manchas, e a abertura natural do legume. Próximo à época de colheita, com qualquer desses sinais presentes, limpa-se a vegetação ao redor da matriz e os frutos são derrubados com escada e podão; em seguida são recolhidos, limpos de ramos e folhas, ensacados, identificados e levados para beneficiamento, sendo comum abrir manualmente os frutos que não se rompem sozinhos. Uma árvore de até 6 m rende de 7 a 14 kg de frutos, e a proporção entre peso de frutos e de sementes após o beneficiamento varia de 6,5:1 a 30:1. Cada quilo reúne de 3.500 a 6.300 sementes e de 88 a 137 frutos. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo, embora se recomende deixar as sementes imersas em água fria por 24 horas para embebição. O comportamento de armazenamento é recalcitrante: a viabilidade se perde entre 3 meses e 1 ano. Em sacos de polietileno semipermeáveis, com 8,5% de umidade, o poder germinativo parte de 76% em câmara fria (3 ºC ± 2 ºC e 90% de UR) e cai para 38% após 8 meses, chegando a 9% e 5% quando armazenadas, respectivamente, em ambiente comum e em câmara seca.
A semeadura deve ser feita em sementeira, com posterior repicagem, cerca de 60 dias depois, para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno grandes. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência começando entre 6 e 12 dias após a semeadura; ainda que um pouco desuniforme, atinge taxas razoáveis, em torno de 60%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 6 meses após a germinação. As raízes não se associam ao Rhizobium, mas apresentam ocorrência de baixa a alta de micorriza arbuscular, respondendo bem à aplicação conjunta de superfosfato e dos fungos micorrízicos Glomus etunicatum e Gigaspora margarita.
Espécie heliófila e medianamente tolerante a temperaturas baixas, exibe desgalhamento acentuado e não realiza derrama natural. Recomenda-se plantio misto a pleno sol, em consórcio com espécies secundárias, e a planta rebrota vigorosamente da touça. Em sistemas agroflorestais, é usada nas plantações de cacau do sul da Bahia, no sombreamento de pastagens em Minas Gerais (com copa irregular e sombra densa de 6 a 8 m de diâmetro) e na proteção de galpões de granjas em Alagoas. Consta da lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção em razão do extrativismo em larga escala.
O desenvolvimento é lento. Aos 8 anos, a espécie registrou incremento médio anual em volume de 4,45 m³ por hectare ao ano.
A precipitação média anual oscila entre 800 mm, na Paraíba, e 2.100 mm, na Bahia, com chuvas bem distribuídas na faixa costeira do sul baiano e em áreas de Alagoas e Pernambuco, e regime de chuvas periódicas nas demais localidades. A deficiência hídrica vai de nula ou pequena no litoral sul da Bahia a moderada no inverno do nordeste fluminense e do leste mineiro. A temperatura média anual fica entre 18,8 ºC (Caparaó, MG) e 25,2 ºC (Salvador, BA), com mínima absoluta de -2,7 ºC em Caparaó. As geadas são ausentes ou raras em Minas Gerais. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Am, As, Aw e Cwb.
Prospera em solos de fertilidade química média, contanto que o lençol freático não fique muito próximo da superfície.