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Foto de Seringueira

Foto: Ashwin A (CC BY) via GBIF

Seringueira

Hevea brasiliensis

Euphorbiaceae Amazônia
  • 20 a 30 mAltura
  • Grande portePorte
Madeireiras

Também conhecida como: seringueira-verdadeira, árvore-da-borracha, seringa, cauchо, pau-seringa

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Hevea brasiliensis (Willd. ex A.Juss.) Müll.Arg. pertence à família Euphorbiaceae, gênero Hevea, que reúne cerca de uma dezena de espécies amazônicas produtoras de látex. É a espécie de maior importância econômica do gênero, sendo a principal fonte mundial de borracha natural.

Descrição botânica

Árvore decídua que atinge de 20 a 30 m de altura em condições naturais, com tronco reto e cilíndrico, casca lisa a levemente fissurada, de cor pardo-acinzentada, contendo abundante látex branco-leitoso nos vasos laticíferos da entrecasca. As folhas são compostas trifolioladas, alternas, com folíolos elípticos a oblongo-lanceolados, glabros e de margem inteira, agrupados nas extremidades dos ramos. As flores são pequenas, unissexuais (planta monoica), de coloração creme a amarelo-esverdeada, reunidas em panículas; as flores masculinas são mais numerosas que as femininas na mesma inflorescência. O fruto é uma cápsula tricoca deiscente que, ao secar, se abre explosivamente lançando as sementes a vários metros de distância. As sementes são grandes, ovoides, com tegumento lustroso e marmoreado em tons de marrom.

Uso e ecologia
madeireiroornamental
Produtos e utilizações

Seu produto mais importante é o látex, extraído por sangria (incisões na casca), matéria-prima da borracha natural utilizada em pneus, luvas, calçados e inúmeros artefatos industriais. A madeira, de densidade média e cor clara, é empregada em móveis, painéis, compensados e marcenaria leve, sobretudo a partir de seringais que encerraram o ciclo produtivo de látex. As sementes contêm óleo aproveitável em aplicações industriais.

Aspectos ecológicos

Espécie heliófila e típica de florestas tropicais úmidas, comporta-se como secundária na dinâmica florestal amazônica. Tem comportamento decíduo, perdendo as folhas na estação mais seca e renovando-as em seguida, período em que ocorre a floração. A dispersão das sementes é autocórica (por deiscência explosiva do fruto) e também hidrocórica, sendo as sementes carregadas pelas águas dos rios.

Floração e frutificação

A floração geralmente coincide com a renovação foliar, após a queda das folhas na estação seca. A frutificação ocorre alguns meses depois, com maturação das cápsulas que se abrem de forma explosiva para liberar as sementes.

Fauna associada

As flores fornecem néctar e pólen a abelhas e outros insetos, que atuam na polinização. As sementes oleaginosas servem de alimento a roedores e outros animais da floresta.

Plantio e silvicultura
Sementes

As sementes são recalcitrantes, perdendo rapidamente a viabilidade após a colheita, por isso devem ser semeadas o quanto antes. A germinação é favorecida quando as sementes são postas em germinadores de areia úmida, com boa umidade e calor; o poder germinativo cai acentuadamente com o armazenamento.

Produção de mudas

A propagação comercial é feita predominantemente por enxertia: cultivam-se porta-enxertos a partir de sementes e, sobre eles, enxertam-se clones selecionados de alta produção de látex e tolerância a doenças. As mudas enxertadas são produzidas em sacos ou em raiz nua (toco enxertado) e levadas ao campo após o pegamento do enxerto.

Características silviculturais

Os plantios comerciais utilizam clones e espaçamentos que conciliam densidade de árvores e facilidade de sangria, comumente em linhas. A escolha do clone e do local é determinante para o sucesso, dada a sensibilidade da espécie ao mal-das-folhas (Microcyclus ulei / Pseudocercospora ulei), principal entrave ao cultivo na Amazônia úmida; por isso o cultivo prosperou em regiões de escape, com estação seca definida, como o Planalto Paulista e o Cerrado.

Crescimento e produção

Crescimento moderado a rápido em boas condições. A sangria para extração de látex inicia-se em geral entre o sexto e o oitavo ano após o plantio, quando o tronco atinge a circunferência mínima de sangria, mantendo-se produtivo por várias décadas.

Clima

Adapta-se melhor a climas tropicais quentes e úmidos, com temperaturas médias elevadas e boa disponibilidade hídrica. Em sua área natural ocorre em clima equatorial, porém o cultivo comercial é favorecido em regiões com estação seca definida, que reduzem a incidência do mal-das-folhas.

Solos

Prefere solos profundos, bem drenados e de boa fertilidade, mas tolera solos ácidos e de baixa fertilidade típicos da Amazônia e do Cerrado, desde que profundos e sem encharcamento. Não tolera bem solos rasos ou sujeitos a alagamento prolongado.