Foto: Martin Coronel Varela (CC BY) via GBIF
Sarandi
Terminalia australis
- até 12 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: catarina, amarelinho, amarilho, sarandi-amarelo
Botânica
Pelo sistema de classificação do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie pertence à ordem Myrtales e à família Combretaceae, dentro do clado das rosídeas. Seu nome científico é Terminalia australis Cambessèdes, descrita em 1830 na obra Flora Brasiliae Meridionalis. O nome do gênero, Terminalia, faz referência ao modo como as folhas se agrupam em tufos nas pontas dos ramos. Já o epíteto australis indica a origem da planta na porção sul da América do Sul. O nome popular sarandi tem raiz tupi, derivando de sarã (esparramado); o termo também designa um trecho de rio margeado por árvores cuja folhagem toca a água. Os nomes populares variam por estado: sarandi no Paraná e em Santa Catarina; amarelinho, amarilho e sarandi-amarelo no Rio Grande do Sul; e amarilho em São Paulo.
Arbusto ou arvoreta semidecídua. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 12 m de altura e 40 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco apresenta-se irregular, inclinado e frequentemente em forma de multitroncos, com fuste muito curto ou ausente. Os ramos são finos, glabros, longos e bastante flexíveis, lembrando os do salseiro (Salix humboldtiana). A casca tem até 5 mm de espessura, com superfície externa (ritidoma) acinzentada, levemente fissurada e escamosa, em geral inclinada na direção dos rios. As folhas são simples, costumam se concentrar nas pontas dos ramos ou em ramos curtos, medem até 8 cm de comprimento por 1,5 cm de largura e têm formato estreitamente elíptico ou estreitamente oblongo-elíptico; são quase sésseis ou possuem pecíolo de até 6 mm, com ápice agudo ou arredondado e base cuneada, e apresentam-se sedoso-pilosas quando jovens, tornando-se logo glabras. As inflorescências surgem em espigas axilares de 2 a 6 cm de comprimento, com flores hermafroditas, amareladas e em geral sedoso-pilosas. O fruto é do tipo betulídio, elipsoide ou ovoide, comprimido lateralmente, alado, esparsamente aprêsso-pubescente ou quase glabro, medindo de 1,2 a 2 cm de comprimento por 0,8 a 1,8 cm de largura, com asas de 2 a 6 mm. As sementes são pequenas, de cor pardo-escura, com cerca de 3 mm de comprimento.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente de 0,65 g/cm³), de cor amarelo-ocrácea, textura fina e homogênea, grã ligeiramente oblíqua e anéis de crescimento não visíveis. Por suas características ornamentais, é apreciada para laminação e produção de compensados de luxo, além de ser empregada em pequenos objetos de precisão, como réguas, peças de xadrez e botões. Como combustível, fornece carvão e lenha de boa qualidade. Não é, porém, indicada para celulose e papel. A casca exsuda uma resina parecida com a goma-arábica e, por ser adstringente, também é aproveitada em curtumes. Na medicina popular, o chá das folhas ou da casca é utilizado contra espasmos, dores em geral e para controle da pressão arterial. A espécie tem grande valor ambiental: ao proteger as margens dos rios contra a erosão, ajuda a prolongar a vida útil dos reservatórios que abastecem usinas hidrelétricas, sendo muito recomendada para restauração de matas ciliares.
É uma espécie pioneira e reófita, característica das margens elevadas e rochosas dos rios (barrancos), em trechos de corredeiras sujeitos a inundações periódicas, onde às vezes forma agrupamentos densos. Aparece com frequência ou abundância ao longo dos rios Uruguai, Paraná, Paraguai, Jacuí, Ibicuí, Camaquã, Peixe e Pelotas e de seus afluentes. No bioma Mata Atlântica, ocupa a Floresta Estacional Decidual (formações das Terras Baixas, Submontana e Montana) no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana) no Paraná e a Floresta Ombrófila Mista, com araucária (formação Submontana), também no Paraná. No bioma Pampa, ocorre nos campos do Rio Grande do Sul. Está igualmente associada a ambientes fluviais ou ripários no Paraná e no Rio Grande do Sul.
A floração ocorre de maio a agosto no Paraná e de outubro a novembro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os frutos maduros aparecem de novembro a março no Rio Grande do Sul e em março em Santa Catarina.
A polinização é feita essencialmente por abelhas de diversas espécies. A dispersão dos frutos e sementes é principalmente anemocórica (pelo vento) e hidrocórica (pela água).
Plantio e silvicultura
A colheita deve ser feita quando os frutos ficam castanhos ou marrons. Cada quilo reúne cerca de 50 mil sementes. Como tratamento pré-germinativo, recomenda-se deixá-las de molho em água à temperatura ambiente por 24 a 36 horas para embebição. A viabilidade é perdida rapidamente, o que limita o armazenamento.
A semeadura é feita em sementeiras, com posterior repicagem das plântulas para sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio. A repicagem para recipientes individuais deve ocorrer quando as plântulas atingem de 3 a 5 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 40 e 60 dias após a semeadura.
Espécie heliófila, tolera baixas temperaturas. Tem hábito irregular, tortuoso e muitas vezes inclinado. Recomendam-se plantios a pleno sol, em sistema puro ou misto.
Não há dados disponíveis sobre o desenvolvimento da espécie em plantios, mas seu crescimento é lento.
A precipitação média anual vai de 1.200 mm, no Mato Grosso do Sul, a 2.300 mm, em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas na maior parte da área e regime periódico no Mato Grosso do Sul. A deficiência hídrica é nula na quase totalidade da área e moderada, no inverno, no Mato Grosso do Sul. A temperatura média anual oscila entre 14,7 ºC (Bom Jesus, RS) e 22 ºC (Bonito, MS); a média do mês mais frio fica entre 10,5 ºC e 18 ºC, e a do mês mais quente entre 19,1 ºC e 26 ºC. A mínima absoluta registrada é de -6,3 ºC (Bom Jesus, RS). Ocorrem em média de 1 a 10 geadas por ano, podendo chegar a 13. Pela classificação de Köppen, enquadra-se nos tipos Cfa (subtropical úmido) no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Cfb (temperado úmido) no Paraná e Cwa (subtropical de inverno seco e verão chuvoso) no Mato Grosso do Sul.
Cresce naturalmente em Neossolos Flúvicos (solos aluvionais) de textura arenosa a areno-argilosa.