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Sapuvinha

Lonchocarpus campestris

Fabaceae Mata AtlânticaCaatinga
  • até 22 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: grínfio, angelim-bravo, embira-de-sapo, farinha-seca, rabo-de-bugio, rabo-de-macaco, pau-canzil, rabo-de-mico, maracanã

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a sapuvinha pertence à divisão Angiospermae, clado das Eurosídeas, ordem Fabales (tratada como Rosales no sistema de Cronquist) e família Fabaceae (Leguminosae em Cronquist), dentro da subfamília Faboideae, também chamada Papilionoideae. O gênero é Lonchocarpus e a espécie foi descrita como Lonchocarpus campestris Mart. ex Benth., tendo Lonchocarpus leucanthus Burk. como sinônimo botânico. O nome do gênero alude ao formato do fruto, semelhante à ponta de uma lança (lonchos = lança, carpo = fruto), enquanto o epíteto campestris faz referência à ocorrência da planta em campos.

Descrição botânica

Árvore que pode variar de arbusto a porte arbóreo, de folhagem perene (sempre-verde). Os exemplares de maior porte alcançam por volta de 22 m de altura e 60 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo) na fase adulta. O tronco vai de reto a tortuoso, é ramificado e tem fuste de no máximo 10 m. A ramificação é cimosa, formando copa pouco densa, de ramos flexíveis e por vezes pendentes. A casca chega a 5 mm de espessura, com ritidoma claro e rugoso que se desprende em pequenas placas e exibe muitas manchas acinzentadas. As folhas são compostas, imparipinadas, alternas e reunidas no ápice dos ramos, com raque de 3 a 5 cm; têm de 7 a 13 folíolos opostos, subcoriáceos e de pecíolulo curto, verde-claros ou levemente discolores, com a face inferior glauco-pubescente, a superior pubérula a glabrescente, nervuras amareladas e de 1,0 a 2,5 cm de comprimento. As inflorescências são pseudo-racemos axilares de 3 a 9 cm. As flores, hermafroditas, são pequenas e esbranquiçadas. O fruto é um legume que parte do verde e amarelece no centro ao amadurecer, mede até 7 cm e em geral guarda de 1 a 3 sementes. Estas são reniformes a globosas, de testa lisa e cor castanho-clara, com 0,7 a 1 cm de comprimento.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticoapícolapaisagismorecuperação de áreas
Produtos e utilizações

Espécie bastante melífera, que fornece tanto néctar quanto pólen às abelhas. A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente de 0,89 g/cm³), com alburno e cerne pouco distintos, ambos castanho-claros, textura de fina a média e grã revessa; uma vez exposta, mostra-se pouco resistente e pouco durável. É usada como lenha e, na forma serrada ou roliça, em construção civil, cabos de ferramentas, peças torneadas, caixotaria e dormentes. Não serve para celulose e papel. No paisagismo, suas flores perfumadas e vistosas tornam a planta atraente para fins ornamentais.

Aspectos ecológicos

A sapuvinha é uma espécie pioneira a secundária inicial, comum em matas, sub-bosques de pinhais, capoeirões e florestas secundárias, com presença marcante no extremo oeste de Santa Catarina. No bioma Mata Atlântica aparece na Floresta Estacional Decidual (formação Submontana, no Rio Grande do Sul, com até 2 indivíduos por hectare), na Floresta Estacional Semidecidual (formação Aluvial no Paraná, com até 26 indivíduos por hectare; Submontana em Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, com até 1 indivíduo por hectare; e Montana em São Paulo), na Floresta Ombrófila Densa (Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde é frequente) e na Floresta Ombrófila Mista, ou de Araucária (formação Montana, no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). No bioma Caatinga ocorre na Bahia. Também é encontrada em ambientes ribeirinhos (mata ciliar) de Minas Gerais e do Paraná, com até 58 indivíduos por hectare, em área alagável em Londrina (PR) e em Floresta Estacional Decídua Ribeirinha do noroeste gaúcho, com até 17 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração acontece em maio no Rio Grande do Sul e de novembro a janeiro no Paraná. A frutificação ocorre de junho a julho no Rio Grande do Sul e em julho no Paraná.

Fauna associada

A polinização é feita por abelhas (melitofilia), muito atraídas por suas flores. A dispersão dos frutos e sementes se dá por anemocoria, pela ação do vento ou pela gravidade.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando maduros (de cor pardacenta) e secos ao sol, o que facilita a abertura manual e a extração das sementes; estas ainda devem secar à sombra por mais 2 ou 3 dias. Cada quilo reúne de 8.000 a 17.000 sementes. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo, embora deixá-las de molho em água fria por 2 horas antes da semeadura possa estimular a germinação. As sementes precisam ser guardadas sob refrigeração (5 °C), mas perdem o poder germinativo em poucos meses.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita diretamente em recipientes, como sacos de polietileno ou tubetes de propileno de tamanho médio, ou em canteiros para posterior repicagem. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares; a emergência começa entre 10 e 15 dias após a semeadura, atingindo de 70% a 90% de aproveitamento. Por volta dos 6 meses as mudas já têm porte adequado para ir ao campo. A espécie é altamente dependente de fungos micorrízicos arbusculares: observou-se ausência de colonização micorrízica em campo, mas colonização e resposta à inoculação elevadas em condições de casa de vegetação.

Características silviculturais

Heliófila e tolerante a temperaturas baixas, a sapuvinha cresce com forma tortuosa, sem dominância apical clara, ramificação pesada e bifurcações. Como sua derrama natural é fraca, exige podas frequentes, tanto de condução quanto dos galhos. Recomenda-se o plantio em sistema misto.

Crescimento e produção

Há poucas informações sobre o desempenho da espécie em plantios, mas seu crescimento é lento.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 770 mm, no Rio de Janeiro, a 2.300 mm, no Rio Grande do Sul, com chuvas uniformes no Sul e periódicas no restante; a deficiência hídrica é nula no Sul do país, exceto no norte do Paraná. A temperatura média anual oscila entre 15,5 °C (Caçador, SC) e 23,5 °C (Senhor do Bonfim, BA), com mínima absoluta de -10,4 °C registrada em Caçador. As geadas são frequentes no Sul, chegando a 33 por ano, e ausentes no norte de Minas Gerais. Pela classificação de Köppen, a planta vive sob os tipos Aw, Bsh, Cfa, Cwa e Cfb.

Solos

Pouco exigente quanto ao solo, desenvolve-se em terrenos pedregosos, arenosos e arenoargilosos, tanto em locais secos quanto úmidos.