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Sapopema

Sloanea monosperma

Elaeocarpaceae Mata Atlântica
  • até 30 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: castanha-brava, coloral-da-mata, ouriceiro, ouriço, alecrim, maria-negra, nhumbiúva, pó-de-mico, saia-de-negra, sacopema, sapopemba, carrapicho, tubuneira

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Descrita por Vellozo em 1825 (Flora Fluminensis), a espécie recebe o binômio Sloanea monosperma Vell., com Sloanea lasiocoma K. Schum. registrada como sinônimo. O gênero homenageia Sir Hans Sloane, naturalista inglês dedicado ao estudo da flora jamaicana, enquanto o epíteto monosperma faz referência ao fruto, que abriga uma única semente. O nome popular sapopema (e suas variantes sacopema e sapopemba) vem do tupi-guarani sapó-peba, ou seja, raiz-chata, em alusão às raízes tabulares e achatadas que se formam ao redor do tronco, podendo chegar a 2 m de altura.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore perenifólia que, na fase adulta, pode alcançar por volta de 30 m de altura e 250 cm de DAP. O tronco é cilíndrico, em geral tortuoso e achatado, marcado por sapopemas bem desenvolvidas na base (raízes tabulares de arestas côncavas) e, eventualmente, por raízes superficiais. A ramificação é dicotômica, de esgalhamento grosso e largo, formando uma copa densa, larga e de tonalidade escura, com aspecto bastante característico. Os ramos são cilíndricos, cinzentos e cobertos por inúmeras lenticelas arredondadas, glabros ou por vezes hirsutos, com estípulas lineares e caducas na porção superior, menores que os pecíolos. A casca chega a 23 mm de espessura: a parte externa é acastanhada, de aspecto verrucoso a verrucoso-sulcado, com fendas longitudinais de cerca de 4 mm de profundidade que se soltam em grumos e placas irregulares, de textura curto-fibrosa e estrutura laminada; já a casca interna é áspera, de cor creme a salmão e praticamente sem odor. As folhas são polimorfas, curto-pecioladas, dispostas de forma oposta e alterna, ovais ou elípticas (às vezes obovadas), coriáceas e glabras, medindo de 2,5 a 7,5 cm de comprimento por 2 a 4 cm de largura, com base atenuada, ápice emarginado e estípulas caducas. As inflorescências formam pequenos corimbos laxifloros ou apresentam flores isoladas; as flores são pequenas (até 8 mm de diâmetro), pediceladas e de cor branco-amarelada. O fruto é uma cápsula globosa de deiscência loculicida com quatro valvas, cujo exocarpo é densamente recoberto por cerdas ou espinhos flexíveis de até 7 mm, contendo uma só semente. A semente é marrom-clara, ovalada, de 0,3 a 0,4 cm de comprimento por 0,2 cm de diâmetro, pendente, com funículo alongado e carnoso de coloração alaranjada.

Uso e ecologia
madeireirorecuperação de áreasenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente de 0,77 a 0,88 g/cm³), com cerne bege a levemente rosado e ocasionais manchas longitudinais, superfície medianamente lisa ao tato, pouco lustrosa e de textura média. Serrada ou roliça, é empregada na construção civil, em assoalhos, na carpintaria, em cabos de ferramentas, vigas, caibros e obras expostas como mourões e pranchas para pontes. A espécie também fornece lenha de boa qualidade, mas não serve para a produção de celulose e papel. Sua forragem contém 18,6% de proteína bruta e 15% de tanino, sendo este último teor um fator que restringe seu aproveitamento como alimento para animais.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária tardia que evolui para clímax, é uma árvore típica do interior dos pinhais e imbuiais, onde por vezes se torna bastante abundante. No bioma Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Decidual (no Rio Grande do Sul); na Floresta Estacional Semidecidual, nas formações Aluvial, Submontana, Montana e Alto-Montana (em Minas Gerais, no Paraná e em São Paulo), com 1 a 12 indivíduos por hectare; na Floresta Ombrófila Densa, nas formações das Terras Baixas, Submontana e Montana (no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo), com até quatro indivíduos por hectare; e na Floresta Ombrófila Mista Montana, ou Floresta de Araucária (no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina), com 3 a 40 indivíduos por hectare. Surge ainda em ambientes fluviais ou ripários, no Distrito Federal, em Minas Gerais e em São Paulo, além de florestas turfosas em São Paulo.

Floração e frutificação

A floração vai de agosto a setembro no Paraná e de setembro a janeiro no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de janeiro a março no Rio Grande do Sul e de março a abril no Paraná.

Fauna associada

Espécie monoica, é polinizada essencialmente por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão dos frutos e sementes se dá principalmente por gravidade, mas também pode contar com aves não especializadas, atraídas pela pequena semente envolvida por arilo alaranjado.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos ainda fechados, antes do início da deiscência natural. Cada quilo reúne de 2.700 a 24.500 sementes, e de 1 kg de frutos extraem-se cerca de 380 g de sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento recalcitrante: começam a perder o poder germinativo entre 80 e 90 dias após a colheita, o que dificulta o armazenamento.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em sementeiras ou diretamente em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou ainda em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Quando preciso, a repicagem deve ocorrer de 4 a 6 semanas após a germinação ou quando a plântula atingir de 4 a 7 cm de altura. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência entre 14 e 35 dias após a semeadura e taxa de 30% a 50%. As mudas alcançam porte adequado para o plantio cerca de seis meses depois da semeadura.

Características silviculturais

O hábito é variável, indo do crescimento monopodial à ramificação irregular com bifurcações, o que torna recomendável a poda dos galhos. Por ser sensível à insolação direta, deve ser cultivada em plantio misto associada a espécies pioneiras; também pode ser implantada em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas na vegetação secundária e em linhas ou grupos Anderson. A planta rebrota da cepa ou da touça.

Crescimento e produção

Existem poucas informações disponíveis sobre o crescimento da sapopema em plantios.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.200 mm, em São Paulo, a 2.000 mm, no Rio Grande do Sul. Na Região Sul (exceto no norte do Paraná) as chuvas se distribuem de forma uniforme, enquanto nas demais regiões são periódicas. A deficiência hídrica é nula na Região Sul (à exceção do norte paranaense) e de pequena a moderada, no inverno, no centro e leste de São Paulo, no sul de Minas Gerais e no Distrito Federal. A temperatura média anual fica entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 22,3 ºC (Jaú, SP); a do mês mais frio, entre 8,2 ºC (Campos do Jordão, SP) e 19,1 ºC (Brasília, DF); e a do mês mais quente, entre 19,9 ºC (Curitiba, PR) e 25,1 ºC (Jaú, SP). A mínima absoluta registrada foi de -10,4 ºC (Caçador, SC), podendo chegar a -15 ºC na relva. O número de geadas vai de 0 a 30 por ano, com máximo absoluto de 81 na Região Sul e em Campos do Jordão. Segundo Köppen, ocorre nos climas Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Desenvolve-se naturalmente tanto em solos bastante úmidos quanto em solos secos.