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Foto de Santa-rita

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Santa-rita

Gordonia fruticosa

Theaceae AmazôniaCerradoMata Atlântica
  • 10 a 15 m (até 30 m)Altura
  • Médio portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: pau-de-santa-rita, caixeta-de-casca-fina, caixetarana, chazeiro-da-terra, chazeiro-do-brejo, oliveira-crespa, juruvoca, maria-mole-da-vermelha, peroba-d'água, riteira, pinho-do-campo, pinho-de-campo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), ordem Theales e família Theaceae. O nome aceito é Gordonia fruticosa (Schrad.) H. Keng, publicado em 1980. Entre os sinônimos botânicos figuram Haemocharis semiserrata (Nees) Martius & Zuccarini, Laplacea fruticosa (Schrader) Kobuski, Laplacea semiserrata (Nees) Cambessedes e Wikstroemia fruticosa Schrader. O gênero Gordonia homenageia o botânico inglês Gordon, enquanto o epíteto fruticosa faz referência à frutificação abundante da planta.

Descrição botânica

Árvore perenifólia que costuma medir de 10 a 15 m de altura e 30 a 50 cm de diâmetro à altura do peito (DAP), podendo, quando adulta, alcançar 30 m e 70 cm de DAP. Em altitudes elevadas, como na Floresta Ombrófila Densa Alto-Montana do Paraná, a 1.400 m, foram registrados indivíduos menores, de cerca de 4,5 m e 10 cm de DAP. O tronco é cilíndrico, por vezes tortuoso e nodoso, com fuste que chega a 11 m. A ramificação é racemosa e dicotômica, formando copa densa e arredondada de tom verde-oliva; um traço marcante para a identificação é o contraste entre as folhas velhas, avermelhadas, e as jovens, verde-escuras. A casca atinge até 22 mm de espessura: por fora é acastanhada e lisa nos exemplares jovens e, nos adultos, torna-se acinzentada, com manchas claras, levemente fissurada, sulcada no sentido longitudinal e com desprendimento pulverulento; por dentro varia de bege a salmão, apresentando inclusões siliciosas pontiagudas. As folhas são simples, dispostas em espiral, espatular-obovadas, assimétricas, glabras na face ventral e pubescentes na dorsal, com margem levemente serrilhada no terço superior, ápice agudo e lâmina de 4 a 11,5 cm de comprimento por 1,7 a 5 cm de largura. As flores, perfumadas, têm pétalas brancas a amareladas de até 3 cm, surgem nas axilas, raramente isoladas, em geral reunidas de 2 a 5. O fruto é uma cápsula lenhosa, lobada, urceolada e pentalocular, de cor castanho-pardacenta e deiscência septífraga, com até 20 mm e de 6 a 8 sementes por lóculo. As sementes são aladas, de coloração castanho-amarelada a castanho-avermelhada, com núcleo seminal basal de até 17 mm incluindo a asa.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreascelulose e papelenergia
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente de 0,60 a 0,70 g/cm³ a 15% de umidade; o alburno é branco e o cerne tem cor castanho-avermelhada uniforme. Sua superfície é lisa ao tato e sem brilho, de textura fina e grã direita, sem cheiro ou gosto perceptíveis. A madeira, serrada ou roliça, é empregada localmente sobretudo em obras internas e tabuado, sendo também indicada para laminação, compensados e contraplacados. Presta-se à produção de celulose e papel e fornece lenha de qualidade média para energia. A forragem, com 9,5% de proteína bruta e 20,4% de tanino, não é adequada para alimentação animal. A planta tem bom potencial ornamental para paisagismo e arborização, além de ser recomendada na recuperação de ecossistemas degradados e na restauração de matas ciliares em terrenos sem inundação.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária tardia, que por vezes forma capões quase puros. Aparece principalmente na Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária), na formação Montana, onde é comum no sub-bosque e regenera bem, e na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), nas formações Alto-Montana, Montana, Submontana e de planície quaternária. Ocorre ainda, de modo raro, na Floresta Estacional Semidecidual Montana; no ecótono floresta/savana de Jaguariaíva (PR), figura entre as dez espécies de maior valor de importância; também é registrada em restingas, matas de galeria do Centro-Oeste e campos rupestres de altitude. Em levantamento na Floresta Estacional Semidecidual Montana de Itutinga (MG), constatou-se densidade de um indivíduo por hectare.

Floração e frutificação

Os botões florais despontam em março, e as flores aparecem de maio a outubro no Paraná e em São Paulo. Os frutos amadurecem de fevereiro a junho no Paraná e de março a julho em São Paulo, e frutos velhos já abertos permanecem na árvore o ano todo. Em plantios, a reprodução começa por volta dos 7 anos de idade.

Fauna associada

Planta hermafrodita. A polinização é feita sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, realizada pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos assim que mudam do verde para o marrom-escuro e, em seguida, mantidos em local arejado para que a deiscência se complete. Cada quilo reúne cerca de 293.334 sementes, que não apresentam dormência e, portanto, dispensam tratamentos de superação. A viabilidade se conserva por até 6 meses em ambiente sem controle. Para estudos de germinação em laboratório podem ser usados substratos de areia, vermiculita, papel-filtro ou papel mata-borrão, sob temperaturas de 25 °C ou 30 °C.

Produção de mudas

A produção de mudas é mais eficiente quando se faz a semeadura em sementeiras, removendo-se a asa da semente, e depois se repicam as plântulas para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio, de 5 a 7 semanas após a germinação. A germinação é epígea e tem início entre 11 e 45 dias após a semeadura, com poder germinativo médio de 50%. As mudas alcançam o tamanho ideal para o plantio cerca de 9 meses após a semeadura.

Características silviculturais

É uma espécie semi-heliófila, que tolera sombreamento de baixa a média intensidade quando jovem e suporta medianamente as baixas temperaturas. Na fase juvenil cresce de forma monopodial, com falsa dicotomia, exigindo desrama artificial e podas de condução e de galhos para aprimorar o fuste comercial. Plantada a pleno sol, registrou mortalidade superior à observada sob vegetação matricial arbórea, de modo que se recomenda o plantio misto com espécies pioneiras, o plantio em faixas abertas na vegetação secundária ou em linhas ou grupos (sistema Anderson). A planta rebrota da touça após o corte.

Crescimento e produção

O desenvolvimento em altura e em diâmetro é moderado. Em plantios mistos a pleno sol, a taxa de sobrevivência ficou abaixo de 50%.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.000 mm, na Bahia, a 3.700 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP). As chuvas são uniformemente distribuídas no Sul, na Serra de Paranapiacaba e nos arredores de Belém (PA), e periódicas no Sudeste, concentradas no verão. A deficiência hídrica é nula no Sul e moderada no Centro-Oeste, com até 5 meses de seca. A temperatura média anual oscila entre 16,2 °C (Castro, PR) e 26,6 °C (Óbidos, PA); a do mês mais frio vai de 12,2 °C (Curitiba, PR) a 25,7 °C (Óbidos, PA) e a do mês mais quente, de 19,9 °C (Curitiba, PR) a 27,8 °C (Óbidos, PA). A mínima absoluta registrada foi de -8,4 °C, em Castro (PR). O número de geadas anuais varia de 0 a 13, com máximo absoluto de 35 no Sul. Pela classificação de Köppen, ocorre em climas tropical (Aw e Af), subtropical úmido (Cfa), subtropical de altitude (Cwb) e temperado úmido (Cfb).

Solos

Cresce naturalmente em diferentes tipos de solo, de fertilidade química média a elevada, bem drenados e de textura entre franca e argilosa.