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Foto de Salgueiro-chorão

Foto: nebrooks (CC BY) via GBIF

Salgueiro-chorão

Salix humboldtiana

Salicaceae Mata AtlânticaPantanal
  • 3 a 15 m (até 30 m)Altura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: salseiro, chorão, salgueiro, salgueiro-do-rio, salso, salso-chorão, salso-comum, salso-vermelho, salso-salseiro, sarã

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotiledonae), ordem Salicales e família Salicaceae. Foi descrita por Willdenow em 1806. Como sinonímia botânica registra-se Salix chilensis de diversos autores e Salix chilensis Molina, este último de aplicação considerada duvidosa. O nome do gênero, Salix, era a denominação latina que os romanos davam ao salgueiro, enquanto o epíteto humboldtiana presta homenagem ao naturalista alemão Alexander von Humboldt.

Descrição botânica

Árvore caducifólia que normalmente atinge de 3 a 15 m de altura e de 20 a 50 cm de DAP, podendo chegar a 30 m e 140 cm de DAP quando adulta. O tronco é curto e irregular, com fuste de 2 a 5 m. A ramificação é racemosa e a copa, ampla (até 12 m de diâmetro), exibe ramos finos e pendentes e a folhagem verde-clara que caracteriza a espécie. A casca chega a 25 mm de espessura: a externa é pardo-acinzentada, fibrosa, sulcada e com fissuras longitudinais; a interna é amarelada e de textura bastante fibrosa. As folhas são alternas, simples, linear-lanceoladas, com ápice acuminado e margem serreada, medindo até 15 cm de comprimento por 1,5 cm de largura, e exalam leve odor próprio. As flores são pequenas, esverdeadas, sem corola, em geral diclinas dióicas (hermafroditas apenas em casos anormais), reunidas em amentos pendentes terminais de 4 a 10 cm que surgem na ponta dos ramos novos, com disco cupular ou reduzido a escamas dentiformes. O fruto é uma cápsula ovoide, sublenhosa e castanho-escura, de até 5 mm por 2 mm, que se abre em 2 a 4 valvas liberando inúmeras sementes diminutas, negras, de cerca de 1 mm, leves e revestidas por longos pelos parecidos com algodão.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaartesanato
Produtos e utilizações

A madeira é leve (massa específica aparente de 0,40 a 0,50 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno branco-rosado e cerne castanho-rosado de tom claro que tende a escurecer após o beneficiamento. Apresenta superfície de brilho discreto, textura fina e homogênea, grã direita e cheiro e gosto imperceptíveis. É de fácil trabalhabilidade, porém pouco durável em condições de exposição e bastante vulnerável a cupins. Serrada ou roliça, é empregada sobretudo em construção rural (caibros, caixotaria de frutas — pois não passa cheiro ao conteúdo —, obras internas, carpintaria, marcenaria, cercas, postes, tornearia e mourões). Fornece lenha de baixo poder calorífico (3.500 a 3.900 Kcal/kg), com os ramos finos comercializados na Argentina, onde a espécie também serve à produção de pasta mecânica, semiquímica e celulose. A infusão dos ramos é rica em auxina, hormônio que favorece o enraizamento de estacas e é útil na propagação vegetativa de árvores e fruteiras. No Pantanal, presta-se como forragem para veados-campeiros (Ozotocerus bezoarticus) e para o gado. Os ramos delgados e flexíveis são aproveitados na confecção de cestos. Na medicina popular, a casca amarga contém ácido salicílico (base da aspirina) e é usada como antitérmico e, em infusão, como tônico, sedativo e antiespasmódico; chás de ramos são empregados contra cálculos renais e, na Bolívia, como antidiarreico; o cozimento de folhas e cascas combate a queda de cabelo, caspa e sarna, e o chá das folhas tem efeito calmante e sonífero.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie pioneira de solos aluviais, estrategista r, adaptada à instabilidade das cotas baixas de sedimentação em ambientes de várzea. Sua abundância e frequência variam bastante, sendo especialmente comum nas margens inundáveis, lodosas e de vegetação aberta; é um dos componentes mais típicos da vegetação secundária das matas ciliares e, em certos locais, chega a formar agrupamentos puros. Ocorre naturalmente nas matas ciliares da Floresta Ombrófila Mista (com araucária), da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), onde é frequente no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, da Floresta Estacional Semidecidual (formações Aluvial e Montana), da Floresta Estacional Decidual Baixo-Montana e no Pantanal Mato-Grossense.

Floração e frutificação

A floração acontece em julho no Mato Grosso do Sul, de agosto a outubro no Rio Grande do Sul e de setembro a novembro no Paraná. Os frutos amadurecem em agosto no Mato Grosso do Sul e de dezembro a janeiro no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

Planta dióica, polinizada principalmente por insetos (entomofilia). A dispersão de frutos e sementes é feita pelo vento (anemocoria), por aves (ornitocoria) e pela água (hidrocoria), em razão de sua ocorrência frequente junto aos cursos d'água. As flores são melíferas e atraem abelhas.

Plantio e silvicultura
Sementes

Recomenda-se colher os frutos já maduros, porém ainda fechados, deixando-os abrir em local ventilado. Como as sementes são minúsculas e envoltas por uma pluma muito leve, convém depositar os ramos frutíferos sobre lona plástica e protegê-los com peneira fina para que o vento não os leve. Um quilo reúne cerca de 1 milhão de sementes com pluma e 3,5 milhões sem pluma. Não há necessidade de tratamento para quebra de dormência, pois as sementes não a apresentam. Por terem comportamento recalcitrante, mantêm a viabilidade por pouco tempo em ambiente não controlado — apenas cerca de duas semanas após a colheita.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em sementeiras, com repicagem das plântulas para recipientes entre 4 e 6 semanas após o início da germinação, embora o método mais comum seja a propagação vegetativa. A germinação é epígea e começa entre 15 e 60 dias, com poder germinativo muito baixo (até 10%). A estaquia é a técnica mais empregada, pela facilidade e eficiência, sobretudo no inverno, e pode ser realizada inteiramente em viveiro tradicional, em sacos de polietileno preenchidos com terra de viveiro. Em geral usam-se estacas de 25 a 30 cm cortadas de ramos de um ano, enterradas verticalmente até cerca de 45% do comprimento; a estaquia também pode ser feita diretamente no campo, sem fase de viveiro. Carpanezzi e colaboradores obtiveram enraizamento de 70% a 94% aos 40 dias, com maior sobrevivência nas estacas de diâmetro superior a 2 cm, ao passo que o florescimento foi mais intenso nas estacas mais finas. O ciclo total de produção das mudas é de aproximadamente 120 dias.

Características silviculturais

Espécie heliófila e tolerante a baixas temperaturas, exibe crescimento característico, ramos pouco pendentes e boa desrama natural. Pode ser plantada a pleno sol, em plantio puro, de preferência no inverno, quando se obtém alta taxa de pegamento; costuma-se usar estacas de 30 cm no espaçamento 2 x 2 m, e a árvore rebrota intensamente da touça após o corte. No Rio Grande do Sul, mourões de salseiro servem de cercas vivas e brotam com tamanha facilidade que chegam a se tornar árvores, dando a impressão de que o arame foi fixado depois de a planta já estar adulta. Na Bolívia, é indicada para quebra-ventos. Na Argentina, foram multiplicados diversos híbridos naturais de excelente desempenho no Delta do Paraná, obtidos do cruzamento natural entre indivíduos masculinos de S. humboldtiana e femininos de S. babylonica.

Crescimento e produção

O salseiro cresce rapidamente até por volta dos 50 anos. Na Argentina, seus híbridos foram amplamente cultivados nas terras baixas do Delta do Rio Paraná para madeira de serraria e celulose, atingindo incremento volumétrico de até 15 m³/ha/ano com casca aos 10 anos; o corte pode ocorrer entre 10 e 12 anos após o plantio definitivo. Em Foz do Iguaçu (PR), em Latossolo Vermelho distroférrico e plantado a 4 x 3 m, apresentou aos 3 anos altura média de 4,13 m, DAP médio de 3,6 cm e 20% de sobrevivência.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.100 mm no Mato Grosso do Sul a 1.800 mm no Rio Grande do Sul, ficando entre 800 e 1.000 mm no Delta do Rio Paraná, na Argentina. As chuvas se distribuem de forma uniforme na Região Sul e de modo mais concentrado no inverno no sudeste de Minas Gerais e no Mato Grosso do Sul. A deficiência hídrica é nula na maior parte do Sul, pequena no verão no sul do Rio Grande do Sul, de pequena a moderada no inverno no leste de São Paulo e sul de Minas, e moderada no inverno no norte do Mato Grosso do Sul, onde a estação seca pode durar até 5 meses. A temperatura média anual oscila entre 17,5 ºC (Passa Quatro, MG) e 25,0 ºC (Corumbá, MS); a média do mês mais frio vai de 12,3 ºC (Bagé, RS) a 21,1 ºC (Corumbá, MS) e a do mês mais quente de 21,4 ºC (Ponta Grossa, PR) a 27,2 ºC (Corumbá, MS), com mínima absoluta de -6 ºC (Ponta Grossa, PR). O número de geadas por ano vai de 0 a 9 em média, chegando a 22 no Sul. Os tipos climáticos de Köppen são tropical (Am e Aw), subtropical úmido (Cfa), subtropical de altitude (Cwb) e temperado úmido (Cfb).

Solos

Cresce naturalmente em solos aluviais muito úmidos, lodosos e profundos, de textura arenosa a areno-argilosa e lençol freático alto, com drenagem extremamente variável e sujeitos a inundações periódicas. Também se desenvolve bem em terrenos bem drenados, desde que o lençol freático não seja profundo, como no alto de barrancos arenosos à beira de rios.