voltar ao catálogo
Foto de Saguaraji-amarelo

Foto: Thomaz Ricardo Favreto Sinani (CC BY) via GBIF

Saguaraji-amarelo

Rhamnidium elaeocarpum

Rhamnaceae Mata AtlânticaCerradoPantanalCaatinga
  • até 16 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: cafezinho, broto-de-cabrito, cabriteiro, cabrito, tarumaí, veludo, cabriteira, café-do-campo, pau-brasil, azeitona, saguaraji, cafezinho-do-mato, jaguari, saguaraji-vermelho, saguarajá, sobrasil, brasil

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação fundamentado no Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie pertence à divisão Angiospermae, clado das Eurosídeas I, família Rhamnaceae e gênero Rhamnidium. O nome científico completo é Rhamnidium elaeocarpum Reissek, descrito originalmente na Flora Brasiliensis (v. 11, pt. 1, p. 94-95, 1861). O nome do gênero deriva de Rhamnus, que vem do grego rhamnos e do céltico ram (arbusto), somado ao sufixo idium/idion; já o epíteto elaeocarpum combina os termos gregos elaios (óleo de oliva) e carpós (fruto), em alusão às sementes ricas em óleo. Os nomes populares variam por estado: em Goiás é chamado de cafezinho; no Mato Grosso, de broto-de-cabrito, cabriteiro, cabrito, tarumaí e veludo; no Mato Grosso do Sul, de cabrito, cabriteira, café-do-campo e pau-brasil; em Minas Gerais, de azeitona, cafezinho, pau-brasil, saguaraji, saguaraji-amarelo e tarumaí; em Santa Catarina, de tarumaí; e em São Paulo recebe denominações como brasil, cafezinho, cafezinho-do-mato, jaguari, saguaraji, saguaraji-amarelo, saguaraji-vermelho, saguarajá e sobrasil.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta de hábito que vai do arbustivo ao arbóreo, com comportamento decíduo. Os indivíduos de maior porte chegam a cerca de 16 m de altura e 60 cm de DAP na fase adulta, enquanto na forma arbustiva ficam em torno de 2 m. O tronco é reto e o fuste pode alcançar até 10 m de comprimento. A ramificação é cimosa, com ramos cilíndricos, opostos, pubescentes ou pubérulos que se tornam glabrescentes, exceto nos nós, e entrenós de 1 cm a 3 cm. A casca atinge até 10 mm de espessura, com ritidoma rugoso e de cor marrom. As folhas são opostas, com lâmina de 4 cm a 12 cm de comprimento por 2 cm a 5 cm de largura, de consistência membranácea a cartácea, formato elíptico a oblongo (raramente obovado), base obtusa ou aguda, ápice acuminado a agudo e margem inteira levemente revoluta; possuem nervação craspedódroma com 8 a 12 pares de nervuras laterais, face superior glabrescente e brilhante, face inferior velutínea e com glândulas pontuais dispersas. O pecíolo, delgado e articulado ao ramo, mede de 0,5 cm a 1,5 cm; as estípulas têm de 3 mm a 4,5 mm de comprimento e podem persistir como escamas após a queda das folhas. As folhas jovens têm coloração vermelho-aveludada. As inflorescências em dicásio reúnem de 18 a 30 flores, com pedúnculo pubescente de 4 mm a 5 mm. As flores são de cor creme, medem de 4 mm a 6 mm e são protegidas por bractéolas de cerca de 0,5 mm. Os frutos são bacáceos, elipsoides e glabros, de 1 cm a 1,5 cm, frequentemente com uma só semente por aborto; quando maduros ficam pretos, lembrando a pimenta-cumari. As sementes são ovais, escuras, de 0,3 cm a 0,7 cm de comprimento por 0,3 cm de largura.

Uso e ecologia
energéticomoirões e postesmedicinalalimentíciopaisagismorecuperação de áreas
Produtos e utilizações

Os frutos são doces e próprios para consumo. A madeira é moderadamente densa e tem cor róseo-clara recém-cortada, escurecendo até um vermelho intenso quando exposta ao sol; as árvores jovens apresentam bastante alburno. Sua textura é média e ela é altamente resistente ao apodrecimento, mesmo em contato com o solo e a umidade. Por isso, presta-se bem para lascas de cercas e postes, com durabilidade acima de 30 anos, mas não serve para serraria, pois lasca com facilidade. Fornece lenha e carvão de excelente qualidade, embora seja inadequada para celulose e papel. Na medicina popular de Santo Antônio do Leverger (MT), o chá feito do cozimento das folhas é empregado contra o reumatismo.

Aspectos ecológicos

No processo de sucessão ecológica, classifica-se como secundária inicial a clímax exigente de luz. Ocorre de forma esparsa, sem formar agrupamentos, sendo vista em capoeiras, capoeirões e florestas primárias parcialmente alteradas, além de clareiras pequenas com menos de 60 m²; não aparece naturalmente em áreas totalmente abertas. No bioma Mata Atlântica está presente na Floresta Estacional Decidual (formações submontana e montana, em Minas Gerais, com até 23 indivíduos por hectare), na Floresta Estacional Semidecidual (Bahia, Minas Gerais e São Paulo, com até 14 indivíduos por hectare) e na Floresta Ombrófila Densa submontana de Santa Catarina, onde é muito rara. No Cerrado, ocorre no cerrado stricto sensu (Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, com até quatro indivíduos por hectare) e no cerradão (Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo). No Pantanal, está presente no Pantanal Mato-Grossense. Na Caatinga, surge na savana-estépica do sertão árido de Pernambuco. Também é comum em ambientes ripários (mata ciliar) do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, e nos brejos de altitude do Nordeste, em Pernambuco, com até dez indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração é sazonal e varia conforme a região: de setembro a maio no Mato Grosso do Sul, de outubro a novembro no Paraná e em São Paulo, de novembro a dezembro em Santa Catarina e em abril em Pernambuco. Os frutos amadurecem de janeiro a fevereiro no Mato Grosso do Sul e de fevereiro a março no Paraná e em São Paulo. A reprodução tem início por volta dos 10 anos de idade.

Fauna associada

É uma espécie hermafrodita. A polinização é realizada essencialmente por diversos insetos de pequeno porte, e a dispersão dos frutos e sementes fica a cargo principalmente das aves.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser coletados diretamente na árvore quando começam a cair espontaneamente. Em seguida, são mantidos em repouso por alguns dias até iniciar a decomposição, o que facilita a remoção da polpa em água corrente; também é possível semear os frutos inteiros, sem despolpá-los. Cada quilo contém de 4.300 a 18.500 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. A conservação é limitada: a viabilidade em armazenamento não passa de 90 dias.

Produção de mudas

Recomenda-se semear de 1 a 2 sementes em sacos de polietileno com pelo menos 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 5 e 15 dias após a semeadura e taxa alta, chegando a 95%. As mudas ficam prontas para o plantio em cerca de 5 meses.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila que não suporta temperaturas inferiores a -3,5 ºC. Quando cresce à sombra, exibe boa derrama natural e cicatrização. Indica-se o plantio misto, e o pegamento de mudas de raiz nua é muito bom, inclusive em plantas com mais de 1 m de altura.

Crescimento e produção

O desenvolvimento do saguaraji-amarelo é considerado moderado.

Clima

A precipitação média anual em sua área de distribuição vai de 435 mm, em Pernambuco, a 1.900 mm, no Paraná, com chuvas periódicas em toda a região. O déficit hídrico de inverno varia de pequeno a moderado nos planaltos do centro e leste de São Paulo, no Distrito Federal e no sul de Goiás e de Minas Gerais; é de moderado a forte no oeste de Minas Gerais, norte de Goiás, centro do Mato Grosso e oeste da Bahia. A temperatura média anual fica entre 19,3 ºC (São Paulo, SP) e 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT), tendo sido registrada mínima absoluta de -3,7 ºC em Coxim (MS), em julho de 1975. As geadas vão de 0 a 2 por ano, com média de 0,5 em Santa Catarina, são raras no Mato Grosso do Sul, no centro-leste paulista e no sul mineiro, e ausentes no restante. Pela classificação de Köppen, a espécie abrange os tipos Aw, Bsh, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

Cresce naturalmente em terrenos de alta fertilidade, como arenitos e terra roxa, tanto em solos rasos quanto profundos, de textura arenosa ou argilosa e drenagem lenta, mas não tolera locais encharcados.