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Foto de Saboneteira

Foto: (c) Guayubira, some rights reserved (CC BY) (cc-by) via iNaturalist

Saboneteira

Quillaja brasiliensis

Rosaceae Mata AtlânticaPampa
  • 6 a 10 m (até 20 m)Altura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: açoita-toucinho, árvore-de-sabão, quilaia, bugreiro-da-várzea, lava-cabelo, pau-de-bugre, pau-de-sabão, pirubaúva, sabão-de-soldado, timbuva, saboeiro, tibura, timbaúva, timbauvão

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Rosaceae e à ordem Rosales, a espécie foi descrita entre 1824 e 1826. Tem como sinônimo botânico Fontenella brasiliensis Saint-Hilaire et Tulasne. O nome do gênero deriva de "quillai", termo de origem araucana usado para a espécie chilena Quillaja saponaria, cujo significado remete ao ato de lavar o rosto, em referência à espuma produzida pela casca quando colocada na água, resultado da presença de saponina. O epíteto brasiliensis indica o Brasil, país onde o material que serviu de tipo foi coletado. As outras duas espécies do gênero têm origem chilena.

Descrição botânica

Árvore perenifólia que costuma medir de 6 a 10 m de altura, com diâmetro à altura do peito de 20 a 40 cm, podendo, quando adulta, alcançar 20 m e 60 cm de DAP. O tronco é reto a ligeiramente tortuoso, com fuste em geral curto, de até 10 m. A ramificação é racemosa, dicotômica e densa, formando copa larga, alongada e pouco enfolhada, de coloração verde-clara. A casca chega a 10 mm de espessura: a parte externa varia de castanha a cinza-escura, rugosa e com descamação em pequenas lâminas, enquanto a interna é marrom-clara a rosada. As folhas são simples, alternas ou alternas espiraladas, elípticas a lanceoladas, com ápice agudo-acuminado e margens inteiras ou levemente denteadas; coriáceas, têm de 3 a 10 cm de comprimento e até 3 cm de largura, com nervuras amareladas pouco aparentes na face superior e salientes na inferior, glabras dos dois lados. As folhas mais velhas, amareladas, contrastam com o verde-escuro das jovens, traço útil na identificação. As flores são pequenas, pouco vistosas, com corola bege-esverdeada de cerca de 1 cm de diâmetro, reunidas em inflorescências corimbosas, com poucas flores, axilares e que facilmente se confundem com a folhagem. Os frutos são tomentosos e formados por cinco folículos bivalvares, unidos pela base, com deiscência dorsal e ventral; cada folículo mede de 5 a 10 mm de comprimento por 3 a 5 mm de largura e contém de 6 a 12 sementes, somando em média 40 por fruto. A semente é pequena, membranácea, obovado-espatulada, alada, de cor castanho-escura, com 8 mm de comprimento e um pequeno núcleo seminal na base.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticomedicinalpaisagismorecuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,65 a 0,76 g/cm³ a 12% de umidade), com alburno amarelado pouco distinto do cerne; em árvores velhas, o cerne torna-se preto e de grande valor. Tem sabor amargo e odor desagradável por causa do alto teor de saponinas. A secagem é o principal entrave ao seu uso como madeira serrada, pois favorece empenamentos e colapso celular, embora a madeira seja fácil de serrar, aplainar, tornear, parafusar, pregar e lixar, resultando em superfície bem lisa, e apresente boa resistência mecânica em algumas propriedades. Pode ser empregada em construção civil leve e pesada, carpintaria, obras internas, tabuado, marcenaria de interior e exterior e dormentes; serve ainda para lenha e carvão de boa qualidade, mas não se presta à produção de celulose e papel. Nas folhas há flavonoides e, no epicarpo do fruto, 2,33% de saponina. Da casca extrai-se, de modo caseiro, um óleo com ação inseticida. Na medicina popular, a casca do tronco é usada externamente como dentifrício e para lavar os cabelos, já que produz espuma na água, e internamente como diurética; a tintura de quilaia entra em formulações tópicas indicadas como cicatrizante e antisséptico.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira. Considerada elemento de origem andina, participa da formação inicial dos capões do Planalto Sul-Brasileiro, sobretudo em Santa Catarina, mantendo-se vigorosa até que os sub-bosques sob os pinheiros fiquem muito densos, quando passa gradualmente a ceder lugar a espécies mais exigentes. É comum também na vegetação secundária, como nos morros graníticos da região de Viamão (RS), e nos capões do Planalto Sul-Brasileiro, onde por vezes é abundante. Ocorre principalmente nas margens de rios e encostas de serras, na Floresta Ombrófila Mista Montana (Floresta com Araucária), onde ocupa o estrato intermediário com ampla dispersão no sul do Paraná, nos capões de campo do Terceiro Planalto Paranaense e em Santa Catarina. Aparece ainda na Floresta Estacional Baixo-Montana em Santa Maria (RS), no sudoeste gaúcho junto à mata de pau-ferro (Astronium balansae) e, mais ao sul, na vegetação tipo parque do Escudo Rio-Grandense, em Pelotas (RS).

Floração e frutificação

A floração vai de setembro a fevereiro em Santa Catarina, de dezembro a março no Paraná e de janeiro a março no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de janeiro a abril em Santa Catarina e de abril a junho no Paraná e no Rio Grande do Sul. Em plantios, o período reprodutivo começa entre 5 e 10 anos de idade.

Fauna associada

Planta hermafrodita, é polinizada sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão das sementes é anemocórica, feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos ainda fechados e deixados em ambiente ventilado para que abram, retirando-se as sementes manualmente. Cada quilo reúne cerca de 170 mil sementes, que não apresentam dormência. As sementes têm comportamento recalcitrante no armazenamento: aquelas coletadas no início da maturação, ou quando os frutos já estavam maduros e começando a abrir, perdem a viabilidade mais depressa em câmara fria e seca (15 ºC e 40% de umidade relativa), ao passo que as colhidas na fase final de dispersão conservam viabilidade alta por mais tempo, tanto em ambiente como em câmara. Estas últimas podem ser guardadas em ambiente até setembro, sendo recomendável o expurgo devido à forte infestação por pragas. Sementes armazenadas em sala apresentaram 18% de germinação aos 10 meses.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e, depois, repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea e começa entre 9 e 45 dias após a semeadura, com poder germinativo de 49% a 80%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 6 meses depois da semeadura.

Características silviculturais

Espécie heliófila e tolerante a temperaturas baixas. Tem hábito irregular, ramificação pesada, tronco curto e muitas bifurcações, sem desrama natural, exigindo podas frequentes de condução e de galhos. Pode ser plantada a pleno sol em plantio puro; em plantio misto, junto a outras espécies pioneiras ou em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas em capoeira jovem, e ainda em linhas ou em grupos (sistema Anderson). Rebrota da touça após o corte. A espécie consta da lista de plantas ameaçadas de extinção do Paraná, na categoria vulnerável.

Crescimento e produção

Em Foz do Iguaçu (PR), o incremento médio máximo registrado em experimentos foi estimado em 3,90 m³/ha/ano aos 4 anos de idade. O crescimento inicial em altura é considerado bom.

Clima

A precipitação anual média varia de 1.300 mm, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a 1.800 mm no Rio Grande do Sul, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano na Região Sul e em São Paulo. A deficiência hídrica é nula na Região Sul (exceto o sul gaúcho) e pequena, no verão, no sul do Rio Grande do Sul. A temperatura média anual fica entre 13,2 ºC (São Joaquim, SC) e 20 ºC (São Borja, RS), com média do mês mais frio de 8,7 ºC (Urubici, SC) a 14,8 ºC (Osório, RS) e do mês mais quente de 17,2 ºC (São Joaquim, SC) a 25,9 ºC (São Borja, RS); a mínima absoluta chega a -9,8 ºC (Curitibanos, SC). O número de geadas por ano varia de 0 a 22, em média, podendo chegar a 50 no máximo absoluto na Região Sul. Os tipos climáticos, segundo Köppen, são o subtropical úmido (Cfa) e o temperado úmido (Cfb).

Solos

Cresce naturalmente nos mais diversos solos, de rasos, litólicos, pedregosos, rochosos ou empobrecidos pela agricultura até aluviais às margens de rios. Desenvolve-se melhor em solos de boas propriedades físicas, com fertilidade química adequada, boa drenagem e textura areno-argilosa a argilosa.