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Foto de Sabiá

Foto: (c) Claudio Oliveira Lim…, some rights reserved (CC BY-SA) (cc-by-sa) via iNaturalist

Sabiá

Mimosa caesalpiniifolia

Mimosaceae CaatingaCerrado
  • até 10 mAltura
  • Médio portePorte
Crescimento rápidoFrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: angiquinho-sabiá, sansão-do-campo, unha-de-gato

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Mimosaceae (Leguminosae: Mimosoideae) e ao gênero Mimosa, a espécie foi descrita por Bentham em 1841, com o nome científico Mimosa caesalpiniifolia. São registradas como sinonímias botânicas Mimosa caesalpiniaefolia sensu Bentham e Mimosa punctulata sensu Glaziou. O termo Mimosa tem origem grega, de mimein ("fazer movimento") e meisthal ("imitar"), em alusão às espécies cujas folhas e folíolos se contraem ao toque. Já o nome popular sabiá estaria ligado à semelhança entre a cor da casca e a plumagem do pássaro do gênero Turdis.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta perenifólia que varia de arbusto a árvore, atingindo na fase adulta cerca de 10 m de altura e 30 cm de DAP nos exemplares maiores. O tronco costuma apresentar acúleos em grau variável, podendo ser inerme; o caule jovem é pouco espinhoso e vai perdendo os espinhos conforme a casca engrossa. A ramificação é dicotômica, formando copa espalhada, pouco densa e bastante ramificada, com ramos fortemente aculeados. A casca chega a 5 mm de espessura, tem superfície externa pardo-clara e ritidoma que se desprende em tiras longitudinais alongadas, descamando aos poucos; a casca interna é branca e em forma de linha. As folhas são compostas, bipinadas e alternas, em geral com seis pinas opostas, cada uma com 4 a 8 folíolos glabros, opostos e discolores, de 3 a 8 cm de comprimento. O pecíolo mede de 2 a 5 cm, as estípulas subuladas quase 3 mm e os peciólulos de 2 a 3 mm. As inflorescências formam espigas cilíndricas de 5 a 10 cm, axilares, dispostas em panículas terminais. As flores são bissexuais, pequenas, brancas e levemente perfumadas. O fruto é um craspédio articulado e plano, de 7 a 10 cm de comprimento por 10 a 13 mm de largura, segmentado em geral em 8 artículos retangulares ou quadrados, cada um com uma semente miúda. As sementes variam de obovóides a oblongas e orbiculares, são duras e lisas, medindo de 5,1 a 5,9 mm de comprimento, 4,4 a 6,3 mm de largura e 1,3 a 1,8 mm de espessura, com tegumento castanho-claro a marrom, liso e lustroso, marcado por pleurograma em forma de ferradura.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticorecuperação de áreaspaisagismoapícolamedicinalalimentício
Produtos e utilizações

A madeira do sabiá é dura, compacta, de superfície brilhante e lisa, com densidade que vai de moderadamente densa a densa (0,86 a 1,10 g/cm³) e massa específica básica de 0,80 g/cm³ em árvores com 7 anos. Recém-cortada, apresenta cor rosa-forte, escurecendo com o tempo até tons castanho-claros e vermelho-pardacentos com nuances violáceas, com alburno amarelo de cerca de 1 cm. É de grande durabilidade, mesmo exposta à umidade ou enterrada. Por essas qualidades, presta-se a usos externos como forquilhas, esteios, vergas e enxaimés, além de excelente potencial para estacas, mourões, varas e caibros — cada planta fornece até quatro caibros aproveitáveis. O Ceará é o maior produtor e exportador de estacas de sabiá do Nordeste. O extrato da madeira pode substituir parcialmente a resina ureia-formol na fabricação de adesivos e chapas de madeira aglomerada. Na geração de energia, é indicada para carvão vegetal, com alto poder calorífico, elevado rendimento gravimétrico (32,04%), baixo teor de cinza (1,71%) e alto rendimento em carbono fixo (25,40%); também rende ótima lenha, com cerca de 73% de carbono fixo. Não é recomendada para celulose e papel, devido ao baixo teor de alfa-celulose (28,40%), alto teor de lignina (32,40%) e densidade elevada. A madeira é rica em extrativos polifenólicos, com 3,5% de tanino condensável e 8% de rendimento em tanino, aproveitável como adesivo para colagem de madeira. As folhas têm alto valor forrageiro: tanto frescas quanto secas (feno) servem de alimento a bovinos, caprinos e ovinos, especialmente na seca, com teor de proteína bruta entre 13,48% e 17,06%. Na medicina caseira, a infusão das cascas é usada como tônico no tratamento da bronquite (uso interno), enquanto o cozimento das cascas é aplicado para estancar sangramentos e lavar ferimentos (uso externo).

Aspectos ecológicos

O sabiá é uma espécie pioneira, presente tanto em formações primárias quanto secundárias, sendo comum ou frequente nas capoeiras. Em inventário florestal realizado em Quixadá (CE), respondeu por 10,7% da frequência das espécies e 14,0% do volume de madeira. No bioma Caatinga, ocorre na Savana-Estépica do Semiárido, onde é espécie característica, com frequência de 71 a 197 indivíduos por hectare. No bioma Cerrado, aparece na Savana (Cerrado lato sensu) e na Savana Florestada (Cerradão) do Piauí. Ocorre ainda em ambientes fluviais ou ripários no Ceará, no Maranhão e em Pernambuco.

Floração e frutificação

A floração é geralmente irregular ao longo dos anos e varia conforme a região: de março a abril no Maranhão, de abril a junho em Pernambuco, de outubro a dezembro no Ceará e de novembro a março em Minas Gerais. Onde foi introduzido, floresceu de novembro a dezembro em Sergipe, de março a junho no Rio de Janeiro e de abril a maio em São Paulo. Os frutos amadurecem de setembro a novembro em Minas Gerais, de setembro a fevereiro em Pernambuco e em janeiro no Ceará. A espécie é precoce, iniciando a reprodução por volta dos 2 anos de idade.

Fauna associada

A espécie é monóica e tem como principais polinizadores a abelha africanizada Apis mellifera e diversos insetos pequenos. A dispersão de frutos e sementes é autocórica, do tipo barocórica (por gravidade). O sabiá é planta apícola por excelência, produzindo grande quantidade de pólen e abundante néctar muito procurados pelas abelhas; presente em 12 das 14 amostras de méis do Ceará (85,71%), foi por muito tempo considerado apenas planta polinífera, até ser reconhecido como importante na composição do mel cearense.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore e secos ao sol para facilitar a quebra e a retirada das sementes; também podem ser apenas quebrados, mantendo-se as sementes com casca. Não há necessidade de retirar as sementes das pequenas vagens — basta separar os segmentos ou artículos, que já podem ser semeados. A debulha mecânica utilizada por alguns produtores favoreceu a superação da dormência, com germinação equivalente à da debulha manual com desponte. Cada quilo contém de 11.800 a 33.333 sementes. As sementes apresentam dormência por impermeabilidade do tegumento à água, fator que limita a propagação, já que apenas pequenas porcentagens germinam em condições naturais. Para produção de mudas, recomendam-se tratamentos pré-germinativos como escarificação em água fervente por 1 minuto ou imersão em ácido sulfúrico (até 95%) por 5, 7, 10 ou 13 minutos; a imersão em água a 100 ºC por 3 ou 5 minutos provoca a morte das sementes. Quando se semeiam os artículos, indica-se a escarificação com lixa, que rende germinação de até 66,5%. Diferentes níveis de salinidade da água não influenciaram significativamente a germinação. As sementes têm comportamento ortodoxo: armazenadas a seco, mantêm o poder germinativo por até 300 dias ou mais de um ano, embora na natureza esse poder dure apenas até o primeiro inverno.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita diretamente em sacos de polietileno, em tubetes pequenos de polipropileno ou em canteiros para repicagem, que deve ocorrer 1 a 2 semanas após o início da germinação ou quando as plântulas atingirem 3 a 5 cm. A germinação é epígeo-foliácea ou fanerocotiledonar, com emergência de 5 a 10 dias após a semeadura e taxas de 65% a 90%. As mudas atingem porte adequado para plantio cerca de 3 meses depois da semeadura, e a planta jovem apresenta raiz axial bem ramificada. O sabiá fixa nitrogênio em simbiose com bactérias do gênero Rhizobium: suas raízes axiais têm raízes secundárias longas, finas e ramificadas, com muitos nódulos bacterianos coralóides de baixa atividade da nitrogenase. A propagação vegetativa ocorre por brotação de tocos e raízes, mas o enraizamento de estacas mostrou baixo desempenho. Recomenda-se a aplicação de 200 mg/kg de N nas mudas produzidas em substrato com resíduos agroindustriais (bagaço de cana e torta de filtro peneirados).

Características silviculturais

Espécie heliófila, o sabiá não tolera baixas temperaturas e não apresenta desrama natural. É recomendado para consórcio com essências arbóreas de maior valor, pois cria um microclima que favorece o desenvolvimento de outras espécies, como no caso bem-sucedido do jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra). Caracteristicamente cespitoso, forma touceiras: desde jovem desenvolve brotos a partir da base, com 3 a 8 ramificações que culminam em alta produção de madeira. Possui grande capacidade de regeneração por brotação, comum às espécies do Semiárido, e os cortes sucessivos resultam em rebrotas ainda mais vigorosas e numerosas, formando touceiras com até 13 indivíduos arbóreos. A brotação começa cerca de 7 dias após o corte do tronco e pode gerar mais de 12 brotos, sendo recomendado o raleio para deixar apenas 3 a 6. A espécie é amplamente empregada na formação de cercas-vivas e quebra-ventos em diversas regiões do Brasil e, atualmente, no tutoramento de plantações de videira (Vitis vinifera) nas áreas irrigadas do Vale do Rio São Francisco.

Crescimento e produção

De crescimento rápido, o sabiá alcança facilmente 4 m de altura aos 2 anos. Os povoamentos costumam ser explorados pelos sistemas seletivo e de talhadia, favorecendo o maior desenvolvimento das hastes. Cultivado pela rusticidade e pelo incremento veloz, pode ser explorado entre 4 e 6 anos para obtenção de estacas para cercas e de caibros com cerca de 8 cm de diâmetro — até quatro por planta. Um sabiazal bem manejado pode render até 4 mil estacas ou cerca de 40 m³ de lenha para combustível e carvão; aos 5 ou 6 anos já pode ser cortado para aproveitamento da madeira. Em povoamento de 8 anos sobre Argissolo Vermelho-Amarelo, a produção de varas varia de 4 mil a 9 mil unidades por hectare. A região de exploração abrange cerca de 30.000 ha, dominada por pequenas propriedades que, com o declínio da cultura do algodão, passaram a ter na produção de estacas a atividade principal — só no Distrito de Arapá, em Tianguá (CE), chegaram a ser comercializadas cerca de 20 mil estacas por dia entre setembro e dezembro. A produção média é de 26,4 st/ha/ano (variando de 18,91 a 33,08). No manejo voltado à obtenção de estacas, o principal problema são os espinhos presentes em alguns indivíduos, contornável pela seleção de árvores sem espinhos ainda na fase de mudas; estudos genéticos obtiveram linhagens inermes (M. caesalpiniifolia forma inerme), de caráter recessivo. Quando o objetivo é a formação de cercas-vivas, porém, a presença de espinhos é desejável. As sementes comerciais costumam ter baixa germinação (24% a 25%) e má qualidade.

Clima

A precipitação pluvial média anual na área de ocorrência vai de 315 mm, em Aiuaba (CE), no Sertão dos Inhamuns, a 2.400 mm no Maranhão, sob regime de chuvas periódicas. A deficiência hídrica varia de moderada a forte no norte do Maranhão e na região de Campo Maior (PI), sendo forte no restante do Nordeste e no norte de Minas Gerais. A temperatura média anual fica entre 22,1 ºC (Pedra Azul, MG) e 27,2 ºC (Mossoró, RN); a média do mês mais frio entre 19,5 ºC e 26 ºC, e a do mês mais quente entre 23,9 ºC e 29,2 ºC, com mínima absoluta de 12 ºC em Tauá (CE). As geadas são ausentes na região de ocorrência natural, ocorrendo apenas de forma rara onde a espécie foi introduzida, como no sudeste e norte do Paraná. Na classificação de Köppen, predominam os climas Aw (tropical úmido de savana, com inverno seco) no Maranhão e no Piauí e Bsh (semiárido). A introdução teve sucesso também em climas Cfa (subtropical úmido, verão quente) no norte do Paraná e Cwa (subtropical, inverno seco e verão chuvoso) no Distrito Federal e em São Paulo.

Solos

Na natureza, o sabiá se desenvolve em terrenos profundos, sobretudo em solos de textura arenosa. Por ser pouco exigente quanto à fertilidade e à umidade, vai bem até em áreas muito degradadas, com movimentação de terra e exposição do subsolo. Nesses casos, porém, é importante complementar com adubação orgânica ou química para obter melhores resultados na produção de madeira.