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Foto de Quaresmeira

Foto: LPB (CC BY) via GBIF

Quaresmeira

Tibouchina sellowiana

Melastomataceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 10 mAltura
  • Médio portePorte
MedicinaisOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: aleluia, jacatirão, quaresma, tibuchina-da-serra, tibuchina, manacá, manacá-da-serra, quaresmeira-da-miúda, quaresmeira-da-serra, quaresmeirinha

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do APG II, a espécie pertence à divisão Angiospermae, clado das rosídeas, ordem Myrtales, família Melastomataceae (subfamília Melastomatoideae), tribo Tibouchineae e gênero Tibouchina. O nome aceito é Tibouchina sellowiana (Cham.) Cogn., publicado pela primeira vez em 1885 na Flora Brasiliensis de Martius. São reconhecidos como sinônimos botânicos Lasiandra sellowiana Cham., Pleroma raddianum (DC.) Triana e Tibouchina ulaei Cogn. O nome do gênero deriva da designação popular da planta, enquanto o epíteto sellowiana homenageia o botânico alemão Friedrich Sellow, que veio ao Brasil na comitiva de naturalistas que acompanhou Dona Leopoldina, futura esposa de Dom Pedro I.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta que vai do porte arbustivo ao arbóreo, sempre-verde (perenifólia), com troca contínua de folhas. Seu hábito depende muito do ambiente: em áreas de campo aberto, costuma se apresentar como arbusto de cerca de 1 m, ao passo que os indivíduos maiores chegam a aproximadamente 10 m de altura e 40 cm de diâmetro do tronco (medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco é reto, de seção achatada e irregular, com a base levemente alargada. A ramificação é dicotômica e a copa, baixa e densa, varia entre fastigiada e arredondada; os ramos de baixo são arredondados e os de cima, levemente tetragonais e estrigosos, com aspecto segmentado por causa das cicatrizes deixadas pelas folhas. A casca tem até 5 mm de espessura: a parte externa é finamente fissurada e se solta em escamas minúsculas, enquanto a interna, de cor ocre-clara a creme-escura, é fibrosa, de estrutura trançada, sabor amargo (lembra o caqui verde) e aparência estriada com manchas escuras que imitam fissuras. As folhas são simples, opostas e cruzadas, de textura coriácea e contorno elíptico a oblongo, com três nervuras na base; o limbo mede de 3 a 9 cm de comprimento por 1 a 3,5 cm de largura, tem base e ápice agudos, margem inteira e ambas as faces esparsamente pilosas; o pecíolo varia de 5 a 12 mm. As inflorescências, em dicásios terminais, são raras. As flores nascem solitárias, são vistosas e numerosas; começam brancas e vão passando para tons róseo-fortes a purpúreos, chegando a misturar essas cores, e medem de 20 a 30 mm de comprimento por 15 a 20 mm de largura — sendo as brancas as aptas à polinização. O fruto é uma cápsula ovoide, profundamente sulcada em cinco linhas e com muitas sementes; cada semente é bem pequena e avermelhada.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,60 a 0,65 g/cm³), com cerne e alburno sem distinção de cor, superfície opaca e ligeiramente áspera, sem gosto ou cheiro marcantes, textura fina e grã direita. Não serve para madeira serrada ou roliça e tem pouco valor comercial, sendo aproveitada apenas eventualmente em caixotaria; como lenha, é de qualidade apenas razoável. A espécie é considerada adequada para celulose e papel. A forragem contém 11% de proteína bruta e 10,4% de tanino, o que a torna pouco recomendável como alimento animal. No uso medicinal, o chá das folhas é tido como diurético, purgativo, emenagogo (estimula o fluxo menstrual), anti-reumático e anti-sifilítico. Seu destaque, porém, é ornamental: muito usada na arborização de ruas, praças e jardins de cidades como Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS), valorizada pela floração exuberante, copa bem formada, porte e folhagem.

Aspectos ecológicos

Apresenta comportamento típico de espécie pioneira. É característica das formações secundárias das florestas baixas das encostas da serra do Mar e da serra Geral, onde chega a formar agrupamentos quase puros.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de dezembro a maio no Rio Grande do Sul, de janeiro a maio no Paraná, de fevereiro a junho em Santa Catarina e de abril a junho em Minas Gerais e São Paulo. Os frutos amadurecem de maio a agosto no Paraná e de maio a outubro em São Paulo.

Fauna associada

Espécie monoica e alógama, predominantemente de fecundação cruzada (96,6%), mas autocompatível, tendo apresentado 3,4% de autopolinização. A polinização é feita essencialmente por diversos tipos de abelhas. A dispersão das sementes é anemocórica, ou seja, pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Como os frutos amadurecem de forma desigual tanto na copa quanto individualmente, podem ser colhidos ainda fechados, maduros ou verdes. Um beneficiamento parcial das sementes é possível macerando os frutos em água: as sementes afundam enquanto o material inerte fica na superfície, facilitando a separação, repetindo-se até que percam o tom arroxeado. Depois disso, secam-se em local sombreado e arejado, pois fora dessas condições a germinação cai bastante. Cada quilo reúne cerca de 36 milhões de sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo e têm comportamento fisiológico ortodoxo no armazenamento. Em laboratório, a germinação atinge vigor máximo sob luz contínua, em papel de filtro e a 30 ºC; no escuro, não houve germinação alguma.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em sementeira, repicando-se depois as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio; na prática, recomenda-se colocar de 7 a 10 sementes por recipiente e repicar cerca de 3 meses após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 15 e 45 dias após a semeadura e poder germinativo bastante irregular (de 0% a 50%); as mudas ficam prontas para o plantio cerca de 5 meses depois. Como o tamanho reduzido das sementes dificulta a propagação por via sexuada, a estaquia é uma boa alternativa — não há barreiras anatômicas ao enraizamento, e recomenda-se aplicar 3.000 mg/L de AIB (ácido indolbutírico), em líquido ou talco, em estacas coletadas na primavera. Para adubar as mudas, sugere-se em sacos de polietileno usar adubação orgânica (25% do volume de solo) ou química (4 kg/m³ de NPK 4:14:8), e em tubetes aplicar 100 g de adubo de liberação lenta por saco de 25 kg de substrato.

Características silviculturais

A planta tem comportamento que vai de heliófila a esciófila e suporta baixas temperaturas. Cresce de forma monopodial, com boa desrama natural em espaçamentos pequenos — em espaçamentos amplos, exige desrama artificial — e rebrota da touça. Pode ser cultivada a pleno sol, em plantio puro, ou em plantio misto, servindo como tutora de espécies secundárias e clímax.

Crescimento e produção

Há poucos registros de crescimento em plantios, mas o desenvolvimento inicial é rápido.

Clima

A precipitação média anual onde ocorre vai de 1.000 mm, em Minas Gerais, a 3.380 mm, na serra de Paranapiacaba (SP), com chuvas bem distribuídas no Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica é nula no Sul (salvo o norte do Paraná), de pequena a moderada no inverno do sul mineiro e leste paulista, e de moderada a forte no inverno do oeste de Minas. A temperatura média anual fica entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 22,4 ºC (Montes Claros, MG), com mínima absoluta de -7,3 ºC registrada em Campos do Jordão em junho de 1979. As geadas são frequentes no inverno do Planalto Sul-brasileiro, em média de 0 a 30 por ano (máximo de 33 na Região Sul e 81 em Campos do Jordão). Pelo sistema de Köppen, ocorre nos tipos Af, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Cresce naturalmente em diversos tipos de solo, inclusive Neossolos Quartzarênicos (areias quartzosas), em geral bem drenados e de textura que vai de arenosa a areno-argilosa.