Foto: Marcio Santos Ferreira (CC BY) via GBIF
Pupunha
Bactris gasipaes
- até 20 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: pupunheira, pejibaye, pixbae, chontaduro, pupunha-vermelha
Botânica
Bactris gasipaes Kunth pertence à família Arecaceae (palmeiras), subfamília Arecoideae, tribo Cocoseae. É uma das palmeiras mais cultivadas da Amazônia, considerada uma planta domesticada pelos povos indígenas pré-colombianos a partir de ancestrais silvestres do gênero Bactris. Reconhecem-se variedades cultivadas e formas silvestres, com grande variabilidade em tamanho de fruto, presença de espinhos e cor da polpa.
Palmeira que pode formar touceiras com vários estipes, atingindo até cerca de 20 m de altura, com estipes de 15 a 30 cm de diâmetro, geralmente armados com anéis de espinhos negros, embora existam formas inermes selecionadas. As folhas são pinadas, grandes, dispostas em coroa terminal, com pecíolo e ráquis frequentemente espinhosos e numerosos folíolos lineares. A inflorescência é interfoliar, ramificada, protegida por espata; as flores são pequenas, unissexuais na mesma planta (monoica). Os frutos são drupas ovoides a globosas, de 2 a 6 cm, agrupados em grandes cachos, com casca de cor amarela, alaranjada ou vermelha quando maduros; a polpa (mesocarpo) é farinácea, oleosa e rica em amido e carotenoides, envolvendo uma única semente.
Uso e ecologia
Os frutos cozidos são um alimento tradicional amazônico de alto valor energético, ricos em amido, óleo, proteínas e carotenoides, consumidos cozidos, em farinhas e óleos. A pupunheira é também a principal fonte de palmito cultivado no Brasil, por perfilhar (rebrotar) após o corte do estipe, permitindo manejo sustentável. O estipe, duro e resistente, fornece madeira usada em construções rústicas, arcos e artesanato; das folhas se obtêm fibras.
Palmeira heliófila, de rápido crescimento, típica de cultivo em sistemas agroflorestais e quintais amazônicos. Tolera bem os solos ácidos e o clima quente e úmido da região, sendo cultivada em consórcios com outras frutíferas e essências florestais. Sua capacidade de perfilhamento favorece o manejo contínuo.
Em condições amazônicas pode florescer e frutificar mais de uma vez ao ano, com produção concentrada em um a dois picos anuais; a frutificação ocorre alguns meses após a floração, com cachos amadurecendo de forma escalonada.
Os frutos são consumidos por diversas aves e mamíferos, incluindo roedores como cutias e pacas, além de morcegos e primatas, que atuam na dispersão das sementes. As flores atraem insetos polinizadores, sobretudo besouros e abelhas.
Plantio e silvicultura
A propagação é feita principalmente por sementes, que apresentam germinação relativamente lenta e desuniforme. Recomenda-se semear sementes recém-colhidas, pois perdem rapidamente a viabilidade quando armazenadas. A germinação é favorecida por calor e umidade constantes em sementeira sombreada.
As mudas são produzidas em sementeiras e repicadas para sacos ou tubetes, permanecendo no viveiro até atingirem porte adequado ao plantio, em geral de 4 a 6 meses. Também é possível a propagação vegetativa por perfilhos retirados da touceira para clonagem de matrizes selecionadas.
É cultivada tanto para produção de frutos quanto de palmito. Para palmito, adotam-se plantios adensados; para fruto, espaçamentos maiores que permitam o desenvolvimento dos cachos. Adapta-se bem a sistemas agroflorestais e responde à adubação e ao manejo do perfilhamento.
Apresenta crescimento rápido em clima quente e úmido, iniciando a produção de palmito por volta de 18 a 24 meses e a frutificação geralmente a partir do terceiro ao quinto ano após o plantio.
Espécie tropical, exige clima quente e úmido, com temperaturas médias elevadas, alta pluviosidade bem distribuída e ausência de geadas. Não tolera frio intenso nem estações secas prolongadas.
Desenvolve-se em ampla gama de solos tropicais, inclusive ácidos e de baixa fertilidade natural, desde que bem drenados; responde bem à adubação e a solos profundos e úmidos.