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Pixiricão

Miconia cabucu

Melastomataceae Mata Atlântica
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
Recuperação de áreas

Também conhecida como: cabuçu, pau-de-copa, pixirica, carvão-vermelho, jacatirão, sucanga

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II), o pixiricão pertence à ordem Myrtales e à família Melastomataceae, dentro do clado das rosídeas. O nome científico aceito é Miconia cabucu Hoehne, publicado em 1933 (Ostenia: 299), tendo como sinônimo botânico Miconia organensis Gardn. A grafia do epíteto é objeto de controvérsia: conforme o artigo 60.4 do Código Internacional de Nomenclatura Botânica, letras alheias ao latim clássico precisariam ser transcritas, de modo que o "ç" original daria lugar a "ss"; ainda assim, optou-se aqui pela forma cabucu, seguindo o Index Kewensis e os especialistas brasileiros do gênero. O nome do gênero homenageia D. Micon, médico espanhol, enquanto o epíteto específico tem origem indígena. Os nomes populares variam conforme a região: cabuçu em Minas Gerais; pixiricão no Paraná; pau-de-copa, pixirica e pixiricão em Santa Catarina; e cabuçu, carvão-vermelho, jacatirão e sucanga em São Paulo.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore perenifólia que, na fase adulta, alcança cerca de 15 m de altura e 40 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto, com fuste de até 10 m de comprimento, e a ramificação é cimosa; os ramos jovens são cilíndricos, profundamente sulcados no ápice e revestidos por densos pelos (tricomas) estrelados de cor ferrugínea. A casca atinge até 10 mm de espessura, sendo a parte externa persistente, rugosa, fissurada e acinzentada, enquanto a casca interna tem odor fraco ou quase ausente. As folhas são simples, opostas, simétricas e de textura cartácea, com lâmina de 10,5 a 29 cm de comprimento por 5,5 a 17 cm de largura, formato oval a elíptico, base arredondada a subcordada, ápice variando de obtuso a acuminado e margem levemente revoluta, com nervuras acródromas suprabasais; a face superior, pilosa quando jovem, torna-se glabra, e a inferior é densamente recoberta por indumento estrelado-lepidoto; o pecíolo mede de 2,5 a 9,9 cm. As inflorescências são panículas de glomérulos de 10 a 29 cm, igualmente cobertas por tricomas estrelados ferrugíneos. As flores são pequenas, sésseis, pentâmeras ou hexâmeras, com pétalas glabras e claras e ovário trilocular. O fruto é uma baga, verde quando jovem e enegrecida ao amadurecer, contendo de 3 a 13 sementes pequenas e amareladas.

Uso e ecologia
energéticorecuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira é densa e de coloração clara, com grã direita e textura fina, exibindo anéis de crescimento discretos, e conta com descrições anatômicas detalhadas na literatura. Apesar dessas características, não tem aproveitamento como madeira serrada ou roliça e carece de valor econômico, além de ser imprópria para a produção de celulose e papel. Seu principal valor está na geração de energia, pois rende lenha de boa qualidade.

Aspectos ecológicos

O pixiricão é uma espécie pioneira a secundária inicial, característica das formações secundárias da Floresta Atlântica em encostas bem drenadas, onde é bastante abundante nos capoeirões e chega a figurar entre as árvores mais relevantes. Embora prefira os estágios sucessionais mais avançados, também aparece, com menor frequência, em florestas primárias. Na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), ocupa as formações de Terras Baixas, Submontana e Montana no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo, podendo atingir até 18 indivíduos por hectare. Em Minas Gerais, ocorre ainda em ambientes fluviais ou ripários.

Floração e frutificação

A floração acontece de agosto a novembro no Paraná e de setembro a outubro em Santa Catarina; em um levantamento de 17 árvores nesse último estado, observou-se floração em apenas 11 % dos exemplares. Os frutos amadurecem de outubro a janeiro em São Paulo, de novembro a dezembro no Paraná e de novembro a março em Santa Catarina.

Fauna associada

É uma espécie monóica, cuja polinização depende sobretudo de abelhas de várias espécies e de pequenos insetos. A dispersão de frutos e sementes é feita por animais (zoocoria), com destaque para o macaco-bugio ou guariba (Alouatta guariba).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos do pixiricão amadurecem de forma desigual, tanto na copa quanto dentro de cada infrutescência, e são logo consumidos pelos pássaros. É possível colher tanto frutos maduros, de cor violácea-escura, quanto frutos verdes, já que ambos contêm sementes viáveis durante toda a safra. Para um beneficiamento parcial, maceram-se os frutos em água e deixa-se as sementes decantarem naturalmente até perderem a tonalidade arroxeada. Cada quilo reúne cerca de 354.358 sementes, com 8,9 % de umidade. As sementes têm acentuada dormência fotoblástica positiva e toleram a desidratação e o armazenamento em baixas temperaturas, inclusive em nitrogênio líquido, o que permite classificá-las como ortodoxas. Em laboratório, a melhor combinação para o teste de germinação foi substrato de areia a 25 ºC na presença de luz.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeira e, depois, repicar as plântulas para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio, distribuindo de 5 a 7 sementes por recipiente; a repicagem deve ocorrer cerca de 3 meses após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência iniciando de 35 a 80 dias após a semeadura. O poder germinativo é bastante variável e irregular, oscilando entre 0 % e 50 %. As mudas alcançam tamanho adequado para o plantio aproximadamente 12 meses após a semeadura.

Características silviculturais

Espécie heliófila e sensível ao frio, o pixiricão apresenta crescimento monopodial e boa desrama natural quando cultivado em espaçamentos reduzidos; em espaçamentos amplos, exige desrama artificial. Pode ser empregado em plantios mistos, atuando como tutor de espécies secundárias e clímax. Rebrota da touça, suporta a concorrência com plantas invasoras e não é exigente quanto às capinas.

Crescimento e produção

Não há registros sobre o desempenho da espécie em plantios, mas seu crescimento é muito vigoroso na regeneração natural.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.300 mm, em Santa Catarina, a 2.700 mm, em São Paulo. As chuvas distribuem-se de forma uniforme nos litorais do Paraná e de Santa Catarina e no sudeste e litoral paulista, sendo periódicas no sul de Minas Gerais; a deficiência hídrica é nula nessas faixas litorâneas e de pequena a moderada, no inverno, no sul mineiro. A temperatura média anual fica entre 19,3 ºC (São Paulo, SP) e 21,4 ºC (Ubatuba, SP); a do mês mais frio varia de 15 ºC (Brusque, SC) a 17,6 ºC (Ubatuba, SP) e a do mês mais quente, de 22,1 ºC (Lavras, MG) a 25 ºC (São Pedro de Alcântara, SC, e Ubatuba, SP), com mínima absoluta de -4,6 ºC (Brusque, SC). As geadas são raras, em média uma a cada dois anos, chegando a no máximo sete na Região Sul. Pela classificação de Köppen, ocorre em climas Af (tropical superúmido) nos litorais do Paraná e de São Paulo, Cfa (subtropical úmido) no leste do Paraná, no leste de Santa Catarina e no Planalto de Ibiúna, SP, e Cwb (subtropical de altitude) no sul de Minas Gerais e no sudeste paulista.

Solos

A espécie cresce naturalmente em diversos tipos de solo, incluindo areia quartzosa. Em geral, prefere terrenos bem drenados, com textura que vai de arenosa a areno-argilosa.