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Foto de Pinheiro-bravo

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Pinheiro-bravo

Podocarpus sellowii

Podocarpaceae Mata AtlânticaAmazôniaCerrado
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
Raras / ameaçadasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: pinheirinho, pinheirinho-da-mata, pinheiro-do-mato, pinho-bravo, pinho-bravo-de-folha-larga, pinheiro-brabo, pinho, podocarpo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação de Cronquist, Podocarpus sellowii Klotzsch ex Endl. pertence à divisão Pinophyta (Gymnospermae), classe Coniferopsida, ordem Coniferae, família Podocarpaceae e gênero Podocarpus. A espécie foi publicada em Syn. Conif. 209, em 1847. O nome do gênero deriva do grego podos (pé) e karpós (fruto), referência ao pedúnculo carnoso, chamado epimácio, que sustenta a semente. Já o epíteto sellowii homenageia Friedrich Sellow, botânico alemão que integrou o grupo de naturalistas que veio ao Brasil acompanhando Dona Leopoldina, futura esposa de Dom Pedro I.

Descrição botânica

Trata-se de uma arvoreta a árvore perenifólia, sendo que os exemplares de maior porte chegam a cerca de 25 m de altura e 50 cm de DAP na fase adulta. O tronco é reto, com fuste que pode alcançar 18 m de comprimento, e os ramos apresentam esgalhamento esparso, marcados por cicatrizes de folhas e escamas unidas em retículo. A casca tem até 10 mm de espessura: a parte externa é pardacenta e levemente fendilhada, soltando-se em lâminas finas com as pontas dobradas para cima, que caem aos poucos, enquanto a interna é carmim-clara e tem leve perfume. As folhas são sésseis, glabras, pouco rígidas e de formato oblongo a oblongo-lanceolado, medindo de 6 a 13 cm de comprimento por 7 a 15 mm de largura; dispõem-se de forma alterna, com ápice agudo geralmente não espinhoso e nervura central levemente elevada. Os cones polínicos são subsésseis, de 10 a 20 mm de comprimento por 2,5 a 3,0 mm de largura quando maduros, isolados ou reunidos em grupos de 2 a 8 nos galhos adultos. Os cones ovulíferos surgem solitários sobre pedúnculo de 5 a 12 mm, com receptáculo de 5 a 18 mm e 2 a 3 brácteas soldadas, localizados na base da folha em galhos novos. O fruto é um epimácio (pedúnculo carnoso unido ao cone) de cerca de 10,85 mm de diâmetro, verde-claro durante o desenvolvimento e roxo-escuro na maturação. As sementes são subglobosas, levemente estriadas, de consistência coriácea e cor verde-escura quando maduras, medindo de 7,10 a 10,63 mm de comprimento, 6,40 a 8,76 mm de largura e 6,40 a 8,67 mm de espessura, sustentadas pelo epimácio.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreas
Produtos e utilizações

A madeira do pinheiro-bravo é leve a moderadamente densa (0,46 a 0,55 g/cm³), com cerne e alburno pouco diferenciados e coloração bege-clara levemente amarelada e uniforme. Suas superfícies são lisas ao tato, de brilho discreto, textura muito fina, grã direita e sem gosto ou cheiro perceptíveis. Por suas propriedades físicas e mecânicas, presta-se à fabricação de embalagens, molduras, ripas, guarnições, tábuas para forros, caixaria, lápis, palitos de fósforo, brinquedos, caixas de ressonância, compensados, laminados, aglomerados, instrumentos musicais e trabalhos de carpintaria e marcenaria. A espécie também rende lenha de qualidade aceitável e é adequada para a produção de celulose e papel, sobretudo de fibra longa.

Aspectos ecológicos

O pinheiro-bravo é considerado uma espécie secundária tardia, embora alguns autores não lhe atribuam caracterização ecológica definida. Nas Serras da Mantiqueira e da Bocaina, em Minas Gerais, chega a formar maciços puros expressivos. Na Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Semidecidual (formações Aluvial e Montana) em Minas Gerais e São Paulo, com frequência de 1 a 17 indivíduos por hectare, e na Floresta Ombrófila Densa (formações das Terras Baixas, Montana e Alto-Montana) no Ceará e no Paraná, além das zonas de contato com a Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária) no Paraná. Na Amazônia, ocorre na Floresta Ombrófila Densa do Pará e de Rondônia, e no Cerrado aparece na savana de Goiás. Também é encontrado em ambientes ripários (comum ao redor de Brasília), brejos de altitude em Pernambuco, campo rupestre na Serra da Bocaina (MG), onde é raro, e em florestas turfosas em São Paulo.

Floração e frutificação

Os cones polínicos surgem de outubro a maio em São Paulo. A frutificação ocorre de fevereiro a junho no Paraná, em maio no Pará e de setembro a maio em São Paulo.

Fauna associada

Espécie dióica, é polinizada principalmente por abelhas e diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes é zoocórica, realizada sobretudo pela avifauna.

Plantio e silvicultura
Sementes

A colheita deve ser feita diretamente nas árvores, com auxílio de podão, quando mais de 50% dos epimácios estiverem arroxeados e bem desenvolvidos. Cada quilo reúne de 2.607 sementes (teor de água inicial de 54,8%) a 3.695 (umidade inicial de 45,5%). Não é necessário tratamento pré-germinativo. As sementes são recalcitrantes, com grau crítico de umidade em torno de 26,8%. Em laboratório, a 25 ºC e em vermiculita, obteve-se 49,5% de germinação.

Produção de mudas

A semeadura é feita em sementeiras, e as plântulas são repicadas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio. Recomenda-se a repicagem de 1 a 6 semanas após a germinação, ou quando as mudas atingirem de 4 a 8 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência iniciando entre 24 e 122 dias após a semeadura e porcentagem que varia de 13% a 71,8%.

Características silviculturais

Espécie esciófila a heliófila, o pinheiro-bravo não tolera baixas temperaturas. Apresenta disposição simpodial, característica incomum entre as coníferas: a pleno sol cresce esgalhado, bifurcado e com brotações na base do colo, ao passo que em vegetação matricial arbórea ou em regeneração natural assume crescimento monopodial, com ramificação lateral leve e espaçada. Como a desrama natural é deficiente, recomenda-se poda frequente e periódica, que pode começar no terceiro ano após o plantio (poda verde), já que a planta rebrota nos pontos podados e na base do tronco. Para regeneração, suporta bem plantios com boa disponibilidade de luz, sendo indicado o plantio misto associado a espécie pioneira ou o plantio em vegetação matricial arbórea, com abertura de faixas em capoeiras e implantação em linhas. Vale lembrar que a espécie consta da lista de plantas raras ou ameaçadas de extinção no Distrito Federal e é alvo de apelos pela sua preservação, dada a pressão dos desmatamentos.

Crescimento e produção

Existem poucos dados disponíveis sobre o desenvolvimento do pinheiro-bravo em plantios.

Clima

A precipitação média anual nas áreas de ocorrência varia de 700 mm, em Pernambuco, a 3.700 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP), com chuvas bem distribuídas em Santa Catarina e no Paraná e regime periódico nos demais locais. A deficiência hídrica é nula em Santa Catarina, no Paraná e nas Serras da Mantiqueira e da Bocaina (MG), e de pequena a moderada nas outras regiões. A temperatura média anual fica entre 16 ºC (Quatro Barras, PR) e 25 ºC (Caruaru, PE), com mínima absoluta de -4 ºC registrada em Quatro Barras. As geadas vão de pouco frequentes a raras no Paraná e na Serra de Caparaó (MG), sendo ausentes nas demais unidades. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Am, As, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Desenvolve-se naturalmente em solos de fertilidade química variável, em geral pobres, rasos e bem drenados, com textura que vai de franca a argilosa.