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Foto de Pinheiro-bravo

Foto: Raffi Kojian (CC BY-SA 3.0) via Wikimedia

Pinheiro-bravo

Podocarpus lambertii

Podocarpaceae Mata AtlânticaPampaCerradoCaatinga
  • 1 a 27 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: atamba-açu, pinheirinho, pinheirinho-alemão, pinheirinho-bravo, pinheiro-bravo-de-campos-do-jordão, pinheiro-nacional-bravo, pinheiro-do-mato, pinho-bravo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Engler, a espécie está posicionada na classe Coniferopsida, ordem Coniferae e família Podocarpaceae. Seu nome científico é Podocarpus lambertii Klotzsch ex Endlicher, descrito em 1847, tendo Podocarpus angustifolius Niederl. como sinônimo botânico. O nome do gênero deriva do grego pous (podos), que significa pé, referência ao pedicelo do pseudofruto; o epíteto lambertii homenageia Aylmer Bourke Lambert (1761-1842), botânico inglês dedicado ao estudo das coníferas.

Descrição botânica

Árvore perenifólia de altura bastante variável conforme o ambiente: nos campos atinge de 1 a 4 m, enquanto na Floresta com Araucária pode chegar a 27 m de altura e 120 cm ou mais de DAP, sendo comum encontrá-la com cerca de 10 m e 20 a 40 cm de DAP. O tronco costuma ser tortuoso, inclinado e curto, mas torna-se reto dentro da floresta, formando fustes de até 10 m. Quando jovem tem ramificação monopodial e copa cônica; na fase adulta a copa fica arredondada a irregular, com galhos grossos e longos. A casca, de até 10 mm de espessura, é externamente pardacenta e levemente fendilhada, desprendendo-se em lâminas finas com as pontas voltadas para cima; internamente é carmim-clara e tem leve odor perfumado. As folhas são simples, alternas e lineares, coriáceas, com 3 a 5 cm de comprimento por 4 mm de largura, ápice agudo acuminado e base aguda. Por ser dioica, possui flores femininas solitárias e axilares, com pedúnculo delgado de até 15 mm, e flores masculinas umbeliformes reunidas em até seis amentilhos. O pedúnculo carnoso e suculento que sustenta a semente assume coloração roxo-escura quando maduro. A semente é subglobosa, brilhante e esverdeada, de 4 mm de diâmetro, envolta pelo epimácio e situada na extremidade do pedúnculo.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalalimentícioenergético
Produtos e utilizações

A madeira é leve (0,43 a 0,54 g/cm³ entre 12% e 15% de umidade), com alburno e cerne indistintos de cor bege-clara uniforme a levemente amarelada, superfície lisa e de pouco brilho, textura fina, grã direita e cheiro e gosto imperceptíveis. Apresenta baixa durabilidade natural, sendo pouco resistente ao apodrecimento e ao ataque de cupins de madeira seca, porém é fácil de cortar, aplainar e lixar, recebe bem verniz e tinta e oferece bom polimento, embora a presença de nós às vezes prejudique o acabamento. Suas propriedades físico-mecânicas chegam a superar as do pinheiro-do-paraná e, em quase todos os aspectos, as do Pinus elliottii. É empregada na fabricação de embalagens, molduras, ripas, guarnições, tábuas para forro, caixaria, lápis, palitos de fósforo, brinquedos, marcenaria, caixas de ressonância, compensados, laminados, aglomerados e instrumentos musicais. A lenha tem qualidade aceitável e a madeira é apta à produção de celulose e papel, sobretudo de fibra longa. Os pseudofrutos são comestíveis para pessoas e animais, e a forragem contém 9,5% de proteína bruta e 8% de tanino. Medicinalmente, o cozimento das folhas é usado contra anemia, doenças das glândulas e astenia; a resina serve como anticatarral e no tratamento de afecções da bexiga, sendo depurativa e estimulante da sudorese, e os brotos rendem um xarope fortificante e estimulante. Estudos com as sementes indicam que a fração lipídica corresponde a 38,95% da farinha e que as glutelinas básicas são a principal fração proteica da espécie.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie secundária tardia ou clímax, tolerante à sombra, que apresenta excelente regeneração natural em capoeirões, em vegetações secundárias mais desenvolvidas e em capões. Habita a Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária), nas formações Aluvial (galeria), Montana e Alto-Montana, ocorrendo também na Floresta Estacional Decidual da Depressão Central Gaúcha e, em área disjunta, na Floresta Estacional Decidual Montana da região central da Bahia. É encontrada ainda em campos rupestres ou de altitude e na Estepe Gramíneo-Lenhosa, onde, em solo enxuto, dá início à formação dos capões de floresta.

Floração e frutificação

A floração masculina (amentilhos) ocorre de abril a junho e a feminina (estróbilos) de setembro a maio. Os frutos amadurecem de dezembro a fevereiro no Paraná; em janeiro em Santa Catarina; de janeiro a março no Rio Grande do Sul; de fevereiro a março no Rio de Janeiro; e de abril a maio em São Paulo. Em plantios, o ciclo reprodutivo começa a partir dos 8 anos de idade.

Fauna associada

A polinização é feita principalmente por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão das sementes é zoocórica, com destaque para a ornitocoria (aves), atraídas pelo pedúnculo carnoso e comestível.

Plantio e silvicultura
Sementes

O pseudofruto, de cor roxo-escura, é colhido maduro; em seguida separa-se o pedúnculo carnoso da semente, que é então seca em local ventilado. Cada quilo reúne de 30.000 a 59.323 sementes. No viveiro da Embrapa Florestas, costuma-se semear sem tratamento prévio ou após imersão em água à temperatura ambiente por 24 horas; ainda assim, a escarificação com remoção parcial do epimácio acelera a germinação, já que essa estrutura dificulta a entrada de água. As sementes maduras têm elevado teor de água (47,5%) e perdem rapidamente umidade e viabilidade no armazenamento; em ambiente sem controle, perdem toda a viabilidade em 60 dias. Guardá-las em sacos plásticos a 3-5 ºC prolonga a viabilidade, e há recomendação de conservá-las em câmara fria (4 ºC ± 1 ºC e 84% ± 2% de UR), em embalagem semipermeável, por 360 dias. O teste de germinação em laboratório pode ser conduzido em areia média esterilizada ou papel de filtro, a 25 ºC.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem de 1 a 6 semanas após a germinação ou quando as plantas tiverem de 4 a 8 cm. A germinação é epígea, inicia entre 19 e 80 dias após a semeadura e costuma ser baixa, em geral até 60%, com as mudas atingindo porte adequado para plantio cerca de 8 meses depois. O aproveitamento de mudas oriundas de regeneração natural é tecnicamente viável: indica-se plantá-las com 30 a 60 cm de altura, após três meses de adaptação no viveiro em recipientes. As raízes abrigam fungos micorrízicos arbusculares, sendo recomendável adicionar solo de mato aos recipientes para inoculação.

Características silviculturais

Espécie semi-heliófila e tolerante a baixas temperaturas. A pleno sol, cresce esgalhada, bifurcada e com brotações na base do colo; já em vegetação matricial arbórea ou em regeneração natural, desenvolve crescimento monopodial, com ramificação lateral leve e espaçada entre os pseudoverticilos. Como a desrama natural é deficiente, são necessárias podas frequentes e periódicas, que podem começar no terceiro ano após o plantio (poda verde); a planta rebrota nos pontos de poda e na base do tronco. Quanto à regeneração, suporta bem plantios com boa disponibilidade de luz, recomendando-se plantio misto com pioneiras, como acácia-negra (Acacia mearnsii) ou bracatinga (Mimosa scabrella), ou plantio em vegetação matricial arbórea, com abertura de faixas em capoeiras e plantio em linhas. Convém investigar a viabilidade do manejo da regeneração natural, abundante em alguns locais. Rebrota na base do colo após o corte.

Crescimento e produção

O desenvolvimento é lento, com produtividade volumétrica máxima registrada de 7,55 m³/ha/ano aos 15 anos de idade.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.000 mm, na Bahia, a 2.500 mm, no Rio de Janeiro, com chuvas uniformemente distribuídas na maior parte da área de ocorrência e concentradas no verão no sul de Minas Gerais e na região central da Bahia. Não há deficiência hídrica. A temperatura média anual fica entre 13,2 ºC (São Joaquim, SC) e 21 ºC (Serranos, MG); a média do mês mais frio entre 8,2 ºC (Campos do Jordão, SP) e 17,2 ºC (Morro do Chapéu, BA); e a do mês mais quente entre 17,2 ºC (São Joaquim, SC) e 25,1 ºC (São Sepé, RS). A temperatura mínima absoluta registrada é de -8,2 ºC (São Joaquim, SC). O número de geadas vai de 0 a 31 por ano, com máximo absoluto de 57 na Região Sul e em Campos do Jordão. Os tipos climáticos de Köppen são temperado úmido Cfb, subtropical úmido Cfa e subtropical de altitude Cwb.

Solos

Ocorre naturalmente em solos de fertilidade química variável, em sua maioria pobres, bem drenados e de textura franca a argilosa. Em plantios experimentais, desenvolve-se melhor em solos com boas propriedades físicas, férteis, bem drenados e de textura argilosa; em solos de baixa fertilidade química, o crescimento é lento.