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Foto de Pindaíba

Foto: Marcio Santos Ferreira (CC BY) via GBIF

Pindaíba

Xylopia brasiliensis

Annonaceae AmazôniaCerradoMata Atlântica
  • até 30 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: envira-vassourinha, pidaíba, pindaíba-boca-seca, pindaíba-da-folha-fina, pindaibinha, pau-de-mastro, pidaubuna, pindabuna, pindaúva, pindauvuna, cortiça, pau-de-remo, pimenta-do-mato, erva-doce, embira, embira-de-caçador, pimenta-de-macaco, pindaíva, pindaúva-vermelha, casca-de-barata, corticeira, guamirim, pimenta, pindaíba-do-campo, pindaíba-vermelha, pindaibeira, quioquinho

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

A espécie foi descrita por K. P. J. Sprengel, com publicação em 1822. Pertence à família Annonaceae, gênero Xylopia. Ao longo do tempo recebeu outras denominações hoje consideradas sinônimas, entre elas Xylopia parvifolia, Xylopicrum brasiliensis, Xylopia brasiliensis var. gracilis e Xylopia gracilis. O nome do gênero deriva do grego e quer dizer "madeira amarga", enquanto o epíteto brasiliensis indica que o exemplar-tipo foi coletado no Brasil. Já o nome popular pindaíba significa algo como "vara de anzol" ou "entrecasca para linha de pescar"; supõe-se ainda que a conhecida expressão "estar na pindaíba" tenha relação com a polpa rala e pouco nutritiva do fruto, associada a alguém em situação de penúria. No exterior, é chamada de yvyra katu no Paraguai.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta perenifólia que varia de arvoreta a árvore, alcançando, nos exemplares de maior porte, cerca de 30 m de altura e 80 cm de diâmetro à altura do peito quando adulta. O tronco é ereto e bem cilíndrico, livre de canais ou sapopemas, com fuste de até 16 m. A ramificação é cimosa e irregular, formada por poucos ramos disformes, e a copa tem formato piramidal; os ramos jovens são recobertos por pelos finos e levemente curvos de aproximadamente 0,25 mm, tornando-se glabros e cobertos por lenticelas esbranquiçadas com a maturidade. A casca chega a 18 mm de espessura, com superfície externa lisa a finamente fissurada, de tom avermelhado a cinza-escuro e aspecto pulverulento; a casca interna é fibrosa, marrom-creme com estrias claras, e libera um aroma agradável semelhante ao da cânfora. As folhas são simples, alternas, dísticas, aromáticas e subcartáceas, com lâmina de 4 a 10 cm de comprimento por 0,7 a 2 cm de largura, estreito-lanceoladas, de faces com cores distintas, ápice obtuso e base aguda, e pecíolo de 2 a 3 mm. As inflorescências reúnem fascículos de 2 a 5 flores, com pedicelo recurvado e pubescente de 2 a 4 mm. As flores são hermafroditas, de pedicelo curto, com três pétalas largas e três muito pequenas; as externas não têm alas e medem 2 cm, apresentando interior lilás e botões amarelos. Os frutos reúnem vários carpídios clavados e geralmente glabros, com 5 a 10 monocarpos verdes e separados originados de uma única flor; são oblongos, medem de 1,5 a 3 cm de comprimento por 5 a 7 mm de largura e se abrem por sutura ventral, expondo de 1 a 5 sementes. As sementes são elípticas, pretas, de 6 a 8 mm, dotadas de um arilo na base que produz um suco leitoso.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasalimentício
Produtos e utilizações

A madeira presta-se a caixotaria, tamancaria, tabuados, caibros e vigas não expostos, obras internas e externas, mastros de pequenas embarcações, implementos agrícolas, marcenaria e construção civil. Na região de Luminárias (MG) é empregada em cabos de enxada, e no extremo nordeste do Rio Grande do Sul é tida como excelente para a fabricação de remos. Os frutos, de propriedade carminativa e sabor acre, são usados como condimento em substituição à pimenta-do-reino, e as sementes têm sabor semelhante. Da casca também se produzem cordas. Quanto às características da madeira, ela é moderadamente densa (0,70 g/cm³), com cerne branco-acinzentado-claro de nuances rosadas ou pardo-avermelhadas; a superfície é lisa ao tato e irregularmente lustrosa, de textura média e odor desagradável.

Aspectos ecológicos

Classifica-se como espécie secundária inicial ou clímax tolerante à sombra. Estudos sobre uma população em ambiente ripário em Itutinga (MG) apontaram que ela vem crescendo no fragmento de floresta de galeria analisado, tanto pelo maior recrutamento quanto pelo maior crescimento dos indivíduos na borda da mata. Na Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Semidecidual (formações submontana e montana, em MG e SP, com 1 a 30 indivíduos por hectare), na Floresta Ombrófila Densa (terras baixas e submontana, no PR e em SP), na zona de contato com a Floresta Ombrófila Mista, no sul de MG, e na restinga, no PR. No bioma Amazônia, surge na Floresta Ombrófila Densa de terra firme, no AM, com até 18 indivíduos por hectare. No Cerrado, ocorre em savanas e no cerradão, no DF e em MG, onde é frequente. Também habita ambientes fluviais e ripários no DF, em GO e em MG, com cerca de nove indivíduos adultos e 53 em regeneração natural por hectare.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de agosto a setembro em São Paulo, de setembro a março em Minas Gerais, de outubro a novembro no Paraná e de novembro a fevereiro no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de setembro a novembro no Rio Grande do Sul, de outubro a novembro em São Paulo, de novembro a dezembro no Paraná e de novembro a março em Minas Gerais, estado em que a espécie apresenta padrão anual de reprodução.

Fauna associada

O sistema sexual é monoico e a polinização é feita por besouros (cantarofilia), que auxiliam na fecundação e também se alimentam das partes carnosas da flor; o anel lenhoso (hipanto) pode atuar na proteção dos carpelos contra predadores. A dispersão de frutos e sementes é essencialmente zoocórica, e a ampla distribuição da planta pelo Brasil meridional provavelmente contou com a ajuda de aves que consomem a substância carnosa aderida às sementes.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando boa parte deles já apresentar abertura espontânea; em seguida, convém guardá-los em sacos plásticos por alguns dias para que amoleçam e facilitem a retirada manual das sementes. Cada quilo reúne cerca de 13.700 sementes, que apresentam dormência tegumentar leve, superável por escarificação mecânica. O comportamento de armazenamento é recalcitrante: em condições ambientais, a viabilidade não passa de 30 dias.

Produção de mudas

Recomenda-se a semeadura em sementeiras, com posterior repicagem para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio; o transplante para embalagens individuais deve ocorrer quando as plântulas atingirem 4 a 6 cm. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, com emergência iniciando de 30 a 50 dias após a semeadura e poder germinativo baixo. O desenvolvimento das mudas é lento, e elas podem ir a campo entre 9 e 11 meses após a germinação. A espécie apresenta incidência média de micorriza arbuscular.

Características silviculturais

É uma planta heliófila e sensível a baixas temperaturas, que se destaca pela excelente forma. Para o cultivo, indica-se plantio misto e a pleno sol.

Crescimento e produção

Há poucos registros de crescimento em plantios, mas, no campo, o desenvolvimento da espécie é lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 2.700 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas no extremo nordeste do Rio Grande do Sul e na faixa litorânea de SC, PR e SP, e regime periódico nos demais locais. A deficiência hídrica vai de nula, nessas áreas costeiras, a forte no inverno, no oeste de Minas Gerais e no sul de Goiás. A temperatura média anual fica entre 16,4 ºC (Maringá, PR) e 26 ºC (Malhador, SE), com mínima absoluta de -5 ºC em Telêmaco Borba (PR). As geadas variam de 0 a 10 por ano em média, podendo chegar a 18 no Paraná, mas predominam locais sem geada ou com geadas raras. Conforme Köppen, a espécie ocorre nos tipos climáticos Af, As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

Na planície litorânea, cresce naturalmente em solos rasos e de drenagem rápida, integrando o estrato intermediário. Também se desenvolve em solos profundos, arenosos e de alta fertilidade química. Já em solos argilosos não ocorre de forma espontânea.