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Foto de Pessegueiro-bravo

Foto: Josiah Londerée (CC BY) via GBIF

Pessegueiro-bravo

Prunus myrtifolia

Rosaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
Recuperação de áreas

Também conhecida como: marmeleiro-brabo, marmeleiro-do-mato, pessegueiro-brabo, pessegueiro-do-mato, alma-de-serra, arma-de-serra, coração-de-bugre, coração-de-negro, uaru, viraru

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

A espécie é classificada como Prunus myrtifolia (Linnaeus) Urban, pertencente ao gênero Prunus, à família Rosaceae e à ordem Rosales, dentro das angiospermas (clado das eurosídeas I). Foi publicada por Urban em 1904 (Symb. Antill. 4:260). Entre seus sinônimos botânicos mais citados estão Laurocerasus myrtifolia N.L. Brit. e Prunus sphaerocarpa Sw., embora a espécie reúna uma sinonímia bastante extensa. O nome do gênero, Prunus, é a designação latina da ameixeira e da cerejeira, enquanto o epíteto myrtifolia remete às folhas semelhantes às da murta (Myrtus communis), unindo os termos latinos myrtus e folia (folha).

Descrição botânica

Trata-se de planta perenifólia que varia de arvoreta a árvore, alcançando, quando adulta, cerca de 15 m de altura e 40 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é tortuoso, com fuste em geral curto, de até 5 m. A ramificação é dicotômica, com ramos finos, glabros, ereto-patentes, de cor castanho-escura e dotados de lenticelas. A casca tem até 5 mm de espessura, sendo a parte externa (ritidoma) cinza-clara, áspera e com lenticelas. As folhas são simples, alternas e coriáceas, com pecíolo glanduloso de 6 mm a 11 mm; o limbo é brilhante na face superior e opaco na inferior, medindo de 5 cm a 8 cm de comprimento por 2 cm a 3 cm de largura, com formato que vai de oval a obovado, base apontada a obtusa, ápice agudo a acuminado-obtuso, bordo inteiro levemente ondulado, nervuras pouco visíveis na face superior e proeminentes na inferior, além de duas glândulas situadas de 2 mm a 14 mm da base; as estípulas surgem aos pares e caem cedo. As inflorescências formam racemos axilares eretos, glabros e multifloros, de 4,5 cm a 10 cm de comprimento, menores que as folhas. As flores são brancas, com pedicelos de 4 mm a 7 mm. O fruto é uma drupa roxo-escura, globosa, carnosa e glabra, de 0,5 cm a 0,8 cm de diâmetro. Cada fruto contém uma única semente, de cor bege-clara, com 3 mm a 5 mm de diâmetro, consistência córnea, superfície áspera e nervuras reticuladas; o endocarpo é globoso a largamente elipsoide, com ápice mucronado e uma sutura lateral que vai do múcron até a base, onde fica a cicatriz circular do hilo.

Uso e ecologia
recuperação de áreasapícolaenergia
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente de 0,70 g/cm³. O cerne é róseo-acastanhado, escurecendo para tons de castanho-claro, e a madeira tem superfície lisa, brilho discreto, textura média, grã direita e ausência de cheiro ou gosto marcantes. Apesar dessas características, a madeira tem pouco valor comercial e não é apropriada para serraria nem para uso em toras roliças; também é inadequada para celulose e papel. Eventualmente é empregada como lenha. Seu maior potencial está nos plantios com finalidade ambiental: a espécie é bastante promissora na recuperação de áreas degradadas, sobretudo em solos ácidos, álicos e muito úmidos, desde que receba sombreamento de espécies pioneiras.

Aspectos ecológicos

Quanto ao grupo sucessional, classifica-se de secundária inicial a secundária tardia ou clímax exigente em luz, sendo comum na vegetação secundária em estágio de capoeira. Ocorre no bioma Mata Atlântica, em Floresta Estacional Semidecidual (formações Submontana e Montana, em Minas Gerais e São Paulo, com até 56 indivíduos por hectare), em Floresta Ombrófila Densa (formações das Terras Baixas, Montana e Alto-Montana, em Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina, com até 17 indivíduos por hectare), em Floresta Ombrófila Mista com araucária (formações Montana e Alto-Montana, em Minas Gerais e no Paraná) e em áreas de contato entre Floresta Estacional Decidual e Semidecidual, em Minas Gerais. No bioma Cerrado, aparece em Savana Florestada (Cerradão), em São Paulo. Também é registrada em ambientes fluviais ou ripários (Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo) e em florestas de brejo, em São Paulo.

Floração e frutificação

A floração ocorre de junho a outubro no Paraná, de setembro a dezembro em São Paulo e de fevereiro a junho no Rio de Janeiro. Os frutos amadurecem de novembro a janeiro no Paraná, de janeiro a fevereiro em São Paulo, em julho no Rio de Janeiro e de julho a dezembro em Santa Catarina. A espécie é monoica e começa a se reproduzir cerca de 2 anos após o plantio.

Fauna associada

A polinização é feita principalmente por abelhas, com destaque para a abelha-europeia ou africanizada (Apis mellifera) e a abelha-mirim (Friesella schrottkyi). A dispersão de frutos e sementes é zoocórica, sobretudo pelas aves: o pessegueiro-bravo atrai sabiás, sanhaços e outras espécies.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos são colhidos diretamente da árvore assim que passam de verdes a arroxeados. Em seguida, são imersos em água fria por 12 horas e, depois, macerados em peneira sob água corrente para retirar a polpa e separar as sementes, que devem ser secas à sombra apenas o suficiente para perder o excesso de umidade. Cada quilo reúne de 5.000 a 10.066 sementes. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo, mas deixar as sementes de molho em água fria por 2 dias antes da semeadura pode acelerar e uniformizar a germinação. As sementes têm comportamento recalcitrante: mesmo armazenadas sob refrigeração (5 ºC), perdem rapidamente a capacidade de germinar.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sacos de polietileno de pelo menos 14 cm de altura por 6 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Em sementeiras, a repicagem deve ser feita entre 1 semana e 1 mês após a germinação. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, com emergência entre 15 e 30 dias após a semeadura e poder germinativo elevado, de até 75%. As mudas alcançam tamanho adequado para o plantio por volta de 6 meses, embora em São Paulo costumem levar cerca de 1 ano. No viveiro da Embrapa Florestas, em Colombo (PR), substrato com teor elevado de alumínio (5,1 meq/100 cm³) provocou desuniformidade entre as plântulas, atraso de crescimento e alta mortalidade, associados a problemas de viveiro e às características das raízes. Como as raízes formam associação com fungos micorrízicos arbusculares, recomenda-se inocular o solo do viveiro com terra coletada sob pessegueiros adultos.

Características silviculturais

Espécie heliófila que suporta temperaturas baixas. Seu hábito é variável, indo do crescimento monopodial a bifurcações em diferentes alturas, podendo apresentar brotos ladrões, galhos grossos e ramificação pesada. Como não faz desrama natural, exige podas e desramas periódicas de condução para viabilizar o aproveitamento comercial. Recomenda-se o plantio misto, em associação com espécies pioneiras, para corrigir problemas de forma. A planta rebrota da touça, do colo ou de várias alturas.

Crescimento e produção

Há poucos dados disponíveis sobre o crescimento da espécie. Em plantio misto no Paraná, aos 4 anos, com espaçamento de 4 m x 3 m, a sobrevivência foi de 33,3%, com altura média de 6,50 m e DAP médio de 7,9 cm em Latossolo Vermelho Distroférrico.

Clima

A precipitação anual média varia de 830 mm, na Chapada Diamantina (BA) e em Minas Gerais, a 2.700 mm, no litoral paulista. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano na Região Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica é nula no Sul (salvo no norte do Paraná), de pequena a moderada no inverno do leste de São Paulo e do sul de Minas Gerais, e de moderada a forte na região central da Bahia e em Minas Gerais. A temperatura média anual fica entre 16,5 ºC (Curitiba, PR) e 24,3 ºC (Urucaia, MG); a média do mês mais frio vai de 11,8 ºC (Porto União, SC) a 22,1 ºC, e a do mês mais quente, de 19,7 ºC (Resende, RJ) a 26,2 ºC. A mínima absoluta registrada é de -7,4 ºC (Rio Negro, PR), podendo chegar a -10 ºC junto à relva. O número de geadas por ano varia de 0 a 10,7 em média, com máximo de até 33 no Paraná. Segundo a classificação de Köppen, a espécie ocorre nos tipos Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb, conforme a região.

Solos

Cresce naturalmente em solos de baixa fertilidade química, em geral pobres em cátions trocáveis, ricos em alumínio e com pH baixo. Também se desenvolve bem em solos mal drenados, como os Orgânicos, o Gleissolo Melânico alumínico (Glei húmico) e o Gleissolo Háplico Tb distrófico (Glei pouco húmico).