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Peroba-vermelha
Aspidosperma olivaceum
- até 30 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: guatambu, guatambu-branco, guatambu-rosa, guatambu-amarelo, guatambu-peroba, guatambu-vermelho, guatambu-marfim, guatambu-mirim, guamixinga, canudo-pereira, pequiá, pequiá-amarelo, pereiro, peroba, tambu, tambu-macho, pau-cetim, ipequeá
Botânica
A peroba-vermelha pertence à família Apocynaceae, dentro da ordem Gentianales. Seu nome científico é Aspidosperma olivaceum Müll. Arg., descrita em 1844. A literatura registra como sinônimos botânicos Aspidosperma pyricollum e Aspidosperma argenteum. O nome do gênero, Aspidosperma, faz referência ao formato da semente, envolta por uma ampla asa em forma de disco: vem da junção de aspis (escudo) e sperma (semente). O gênero reúne 44 espécies de distribuição neotropical, que vão do México à Argentina, com a maior parte delas no Brasil.
Trata-se de uma árvore decídua que, quando adulta, pode chegar a cerca de 30 m de altura e 90 cm de diâmetro à altura do peito. O tronco é reto e cilíndrico, com leves sapopemas na base e fuste que alcança até 20 m. A copa é arredondada, com galhos grossos e dispostos de forma irregular, folhagem verde-clara moderadamente densa e ramos finos, glabros e cobertos de lenticelas. A casca, de até 20 mm de espessura, tem superfície externa lisa e esbranquiçada, com lenticelas alinhadas verticalmente; quando raspada revela um tom rosa-alaranjado, e a casca interna é semifibrosa e amarela. As folhas são alternas ou opostas e bastante variáveis na forma, indo de oblanceoladas a oval-obovadas, com 3 a 10 cm de comprimento e 1 a 5 cm de largura, discolores e de consistência subcoriácea a membranácea, com ambas as faces glabras. As inflorescências são subterminais, de 2 a 5 cm, pedunculadas e quase glabras. As flores são gamopétalas, com corola cinza-esverdeada ou amarelada e finamente pilosa, e pedicelo de 1 a 2 cm. O fruto é um folículo de formato elíptico a piriforme, medindo de 3 a 6 cm de comprimento por 2 a 3 cm de largura, afilando-se gradualmente para um estipe de 1 a 2 cm. Cada folículo guarda de 8 a 10 sementes ovaladas e achatadas, de 2 a 4 cm de comprimento por cerca de 2,5 cm de largura, dotadas de uma asa concêntrica.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa a densa, com massa específica entre 0,70 e 0,90 g/cm³. O alburno é amarelo-claro e o cerne varia entre branco-palha-amarelado e amarelo-pálido, por vezes com reflexos rosados. Tem superfície pouco lustrosa e lisa ao tato, textura muito fina, grã que vai de direita a irregular, cheiro pouco perceptível e sabor levemente amargo. É indicada para móveis finos, revestimentos e parquetes, além de ser empregada na confecção de cabos de ferramentas e utensílios domésticos nas regiões de Luminárias (MG) e da Grande Curitiba (PR). No Espírito Santo, o metro cúbico serrado já foi comercializado a US$ 350,00. A lenha é de boa qualidade, mas a espécie não serve para a produção de celulose e papel. Na medicina popular, a casca é usada contra a malária.
É uma espécie secundária inicial, secundária tardia ou clímax exigente em luz. Tem destacada importância sociológica, figurando entre as árvores companheiras mais expressivas de várias associações vegetais. No bioma Mata Atlântica, está presente na Floresta Estacional Decidual (até oito indivíduos por hectare, em Minas Gerais), na Floresta Estacional Semidecidual (de 1 a 22 indivíduos por hectare, em Minas Gerais e São Paulo), na Floresta Ombrófila Densa (até 23 indivíduos jovens por hectare, no Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo), na Floresta Ombrófila Mista (de 1 a 3 indivíduos por hectare, no Paraná) e na vegetação de restinga (Espírito Santo e Rio de Janeiro). No Cerrado, ocorre em cerradão (Mato Grosso e Minas Gerais). Aparece também em ambientes ripários do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais (de 7 a 14 indivíduos por hectare) e em brejos de altitude em Pernambuco.
A floração é bastante variável conforme a região: ocorre de julho a outubro em Pernambuco, de agosto a outubro no Rio de Janeiro, de setembro a janeiro em Minas Gerais e no Paraná, em outubro no Amazonas, de outubro a novembro no Acre e em Goiás, de outubro a janeiro em Santa Catarina, de novembro a janeiro em São Paulo, de janeiro a fevereiro na Bahia e em março no Espírito Santo. Os frutos amadurecem de junho a agosto em São Paulo, de setembro a novembro no Paraná, de novembro a janeiro em Santa Catarina e de novembro a março em Minas Gerais.
A espécie é monoica e sua polinização é feita principalmente por abelhas e mariposas. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, realizada pelo vento. Por terem flores melíferas, suas árvores também despertam interesse apícola.
Plantio e silvicultura
Como a peroba-vermelha libera as sementes quase logo após os frutos mudarem do verde para o castanho-claro, é preciso colhê-los antes da dispersão para não perdê-las. Depois de coletados, os frutos devem ficar em local arejado para que abram e liberem as sementes. Cada quilo contém em torno de 5 mil sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. São consideradas ortodoxas quanto ao armazenamento, mantendo a viabilidade por mais de 4 meses.
A semeadura é indicada em recipientes, como sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes grandes de polipropileno. Quando necessária, a repicagem pode ser feita de 4 a 6 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 5 e 27 dias após a semeadura, com poder germinativo elevado, chegando a 97%. A espécie apresenta incidência variável de micorriza arbuscular.
É uma espécie heliófila que suporta temperaturas baixas. Embora o crescimento das árvores seja marcadamente apical, muitos indivíduos acabam bifurcando, ao que tudo indica em razão do ataque de uma broca. Recomenda-se o plantio a pleno sol, em consórcio com outras espécies (plantio misto).
O crescimento é lento. Em ensaio realizado no Espírito Santo, contudo, a espécie registrou incrementos razoáveis em diâmetro e altura e incremento médio anual crescente em volume cilíndrico por hectare, indicando que ainda não ocupava todo o espaço disponível. A mortalidade observada ficou entre 26% e 69%.
A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 770 mm, no Rio de Janeiro, a 2.500 mm, em Pernambuco. As chuvas são bem distribuídas no Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas nas demais regiões. A temperatura média anual varia de 18,1 ºC (Diamantina, MG) a 26,7 ºC (Manaus, AM), com mínima absoluta de -7,1 ºC (Campo Mourão, PR). As geadas vão de 0 a 10 por ano em média, podendo chegar a 18 no Paraná, mas em geral são raras ou inexistentes. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Af, Am, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.
É uma espécie indiferente quanto ao solo, sem exigências edáficas marcantes, desenvolvendo-se igualmente bem no fundo dos vales, na meia encosta ou no topo das elevações. A adubação com superfosfato estimulou bastante o crescimento inicial das plantas, com ganho de até 499% na dose de 60 mg de fósforo por grama de solo.