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Foto de Pequiá

Foto: Whaldener Endo (CC0 1.0) via inaturalist

Pequiá

Caryocar villosum

Caryocaceae Amazônia
  • 25 a 40 mAltura
  • Muito grandePorte
FrutíferasMadeireirasRecuperação de áreasMelíferas

Também conhecida como: pequiá-verdadeiro, piquiá, amêndoa-de-espinho, grão-de-cavalo, pequiarana

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertence à família Caryocaceae, que reúne os gêneros Caryocar e Anthodiscus, típicos da região neotropical. Caryocar villosum é uma das espécies arbóreas de maior porte do gênero, distinta do pequi do Cerrado (Caryocar brasiliense) por seu hábito de grande árvore de floresta densa.

Descrição botânica

Árvore emergente que pode ultrapassar 40 m de altura, com tronco reto e cilíndrico atingindo 1 a 1,5 m de diâmetro, casca grossa, fendilhada e de coloração pardo-acinzentada. Copa ampla e arredondada. As folhas são compostas, opostas, trifolioladas, com folíolos coriáceos, e os ramos jovens apresentam pilosidade. As flores são grandes, vistosas, de coloração amarelo-esbranquiçada a creme, reunidas em inflorescências terminais e ricas em estames. O fruto é uma drupa grande, globosa a piriforme, de casca verde-amarelada, contendo geralmente uma a quatro sementes envoltas por polpa amarela oleosa; o endocarpo é lenhoso e recoberto por espinhos finos no interior, característica marcante do gênero.

Uso e ecologia
frutíferamadeireiromedicinalapícola
Produtos e utilizações

A polpa amarela do fruto é comestível, oleosa e muito apreciada na culinária amazônica, consumida cozida ou em pratos regionais. Dela se extrai óleo usado na alimentação e em preparações caseiras. A amêndoa também é comestível. A madeira é pesada, dura e resistente, empregada em construção civil, naval, dormentes, postes e obras externas. Cascas e óleo têm uso na medicina popular.

Aspectos ecológicos

Árvore clímax a secundária tardia, de crescimento lento e longevidade elevada, característica do dossel e do estrato emergente das florestas de terra firme. Por seu grande porte e produção abundante de frutos, é considerada espécie-chave em programas de enriquecimento florestal e recuperação de áreas degradadas na Amazônia.

Floração e frutificação

A floração ocorre principalmente na estação seca, e a frutificação concentra-se no período chuvoso, com queda dos frutos maduros que ficam disponíveis no solo.

Fauna associada

As flores ricas em néctar e pólen atraem abelhas e morcegos, importantes polinizadores. Os frutos e sementes são consumidos por mamíferos de grande porte como cutias, pacas, antas e primatas, que atuam na dispersão das sementes.

Plantio e silvicultura
Sementes

A propagação é feita por sementes (caroços), que apresentam dormência acentuada e germinação lenta e irregular, podendo levar vários meses. A escarificação do endocarpo lenhoso e a semeadura logo após a coleta favorecem a emergência. Sementes recalcitrantes, que perdem viabilidade com a secagem.

Produção de mudas

As mudas são produzidas em sacos ou tubetes grandes, em razão do sistema radicular vigoroso. O desenvolvimento inicial é lento, exigindo permanência prolongada no viveiro antes do plantio definitivo.

Características silviculturais

Recomendada para plantios de enriquecimento de florestas, sistemas agroflorestais e recuperação de áreas degradadas em região amazônica. Por ser espécie de dossel, tolera sombreamento parcial na fase juvenil.

Crescimento e produção

Crescimento lento, compatível com espécie de madeira densa e ciclo de vida longo.

Clima

Adaptada ao clima tropical úmido e quente da Amazônia, com altas temperaturas, elevada umidade e chuvas abundantes bem distribuídas.

Solos

Desenvolve-se em solos de terra firme, profundos, bem drenados e geralmente de baixa fertilidade, como os Latossolos amazônicos.