Foto: Stephen Lewis (CC0) via GBIF
Pente-de-macaco
Apeiba tibourbou
- até 20 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: pau-de-jangada, malva-pente-de-macaco, jangada, jangada-macho, jangada-branca, pau-jangada, piúba, embira-branca, escova-de-macaco, balseiro, pau-de-balsa, solta-cavaco, jangadeira
Botânica
Seguindo a classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), Apeiba tibourbou pertence à divisão Angiospermae, ao clado Eurosídeas II e à ordem Malvales. Está alocada na família Malvaceae, embora no sistema de Cronquist fosse classificada em Tiliaceae. O gênero é Apeiba e a espécie, descrita por Aublet, foi publicada pela primeira vez em 1775 na obra Hist. Pl. Guian. O nome do gênero, Apeiba, tem origem na designação popular usada na Guiana.
Trata-se de uma planta de hábito que varia de arbustivo a arbóreo, decídua, cujos indivíduos maiores chegam a cerca de 20 m de altura e 60 cm de DAP na fase adulta. O tronco é acanalado na base, com pequenas sapopemas, e o fuste alcança no máximo 7 m. A ramificação é dicotômica e a copa, ampla e de contorno irregular; os ramos jovens são estriados e revestidos por indumento hirsuto-ferrugíneo, tornando-se castanho-acinzentados e quase glabros quando maduros. A casca chega a 20 mm de espessura, com superfície externa (ritidoma) levemente escamosa e de cor cinza-escura, enquanto a casca interna é parda, fibrosa e libera exsudação gomosa em pequenas gotas. As folhas são simples, alternas, estipuladas e seríceo-ferrugíneas, com pecíolos estriados e hirsutos de 1,2 cm a 3,7 cm; a lâmina mede de 12,5 cm a 42,0 cm de comprimento por 6,5 cm a 22,0 cm de largura, é elíptica, oblonga, oval a largamente obovada, com base cordada a oblíqua, ápice agudo a acuminado e margem finamente serreada, apresentando tricomas ramificados, em geral estrelados, na face adaxial e densa cobertura de tricomas ramificados na face abaxial. As inflorescências formam panículas opostas às folhas, com 8 cm a 10 cm e aspecto pubescente, sustentadas por bractéolas grandes e agudas, com pedicelos de 8 mm a 12 mm. As flores são actinomorfas, de 2 cm a 3 cm de diâmetro, com sépalas pardo-amareladas por fora e amarelo-brilhantes por dentro, e pétalas igualmente amarelo-brilhantes. Os frutos são cápsulas de 5 cm a 12 cm de diâmetro (cerdas incluídas), recobertas por cerdas rígidas de 1 cm a 2 cm que lhes conferem aparência de ouriço-do-mar, com tricomas simples retrorsos, deiscência tardia, cor marrom-escura e numerosas sementes. As sementes medem de 1 mm a 2 mm, são ovaladas, marrons, dispostas em um corpo central discoide preso à placenta, envoltas por substância oleosa e com odor característico.
Uso e ecologia
A madeira, muito leve (massa específica de 0,18 g/cm³ a 0,26 g/cm³), tem alburno branco que adquire tom esverdeado em bandas concêntricas, com grossas faixas de parênquima paratraqueal. É empregada na construção de pequenas embarcações, sobretudo as jangadas usadas na pesca ao longo de todo o litoral nordestino, e serve também à produção de polpa para papel. Como lenha, porém, fornece combustível de qualidade muito baixa. Suas fibras, conhecidas como “embiras”, são aproveitadas na fabricação de cordas. No paisagismo, é cultivada na arborização e ornamentação de praças e avenidas, valorizada pela beleza da folhagem e pelos frutos exuberantes e altamente decorativos. Para fins ambientais, é indicada para plantios em áreas de preservação permanente, encostas íngremes e margens de rios.
É uma espécie pioneira ou clímax exigente em luz, com papel relevante na vegetação secundária de 15 a 30 anos, embora já tenha sido registrado um exemplar com 40 anos em floresta secundária no Pará. Ocorre em diversas formações vegetacionais: na Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Decidual (formações Submontana e Montana, em Minas Gerais, com cerca de um indivíduo por hectare), na Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana, em Mato Grosso e Minas Gerais, com até três indivíduos por hectare) e na Floresta Ombrófila Densa (das Terras Baixas, na Bahia, Paraíba e Sergipe; Submontana, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; e Montana, em Pernambuco). Na Amazônia, ocorre na Floresta Ombrófila Aberta das Terras Baixas, no Amazonas. Na Caatinga, está presente na Savana-Estépica do Sertão Árido, em Minas Gerais, e no Cerrado, na Savana Florestada (cerradão), no Amazonas e em Minas Gerais. Também é encontrada em matas ciliares na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, com até dois indivíduos por hectare, além de brejos de altitude nordestinos, áreas de contato e ecótonos, florestas inundáveis em Tocantins e restingas no Maranhão.
A floração varia conforme a região: de janeiro a março em São Paulo, de janeiro a abril no Rio de Janeiro, de março a maio no Maranhão e de abril a agosto em Pernambuco. O período de floração é longo, sendo comum encontrar em uma mesma árvore botões florais e frutos maduros ao mesmo tempo. Em cultivo, iniciou a floração em novembro e dezembro em Rolândia (PR), seis anos após o plantio; em Garça (SP), de fevereiro a março; e em Viana (ES), em abril, três anos após o plantio. Os frutos amadurecem de agosto a novembro em Mato Grosso, de setembro a novembro em São Paulo e de dezembro a fevereiro em Pernambuco e no Rio de Janeiro, permanecendo presos à árvore por algum tempo. No norte do Paraná, frutificou de outubro a novembro, oito anos após o plantio.
A polinização é realizada por abelhas e por diversos pequenos insetos. A espécie é hermafrodita, e a dispersão dos frutos e sementes ocorre pelo vento (anemocoria).
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos quando passam do verde para o marrom-claro, antes do início da deiscência ou logo no começo dela. Após a colheita, são deixados sobre lonas ou bandejas para secar à sombra e, em seguida, expostos gradualmente ao sol para completar a abertura; para liberar totalmente as sementes, recomenda-se agitar os frutos. Cada quilo reúne de 94 mil a 200 mil sementes. Elas apresentam dormência por impermeabilidade do tegumento, que pode ser superada com imersão em água a 80 ºC até o resfriamento. De comportamento fisiológico ortodoxo, as sementes conservaram melhor a viabilidade e o vigor quando armazenadas em ambiente natural de laboratório (24,8 ºC a 28 ºC e umidade relativa de 68,9% a 82,5%), acondicionadas em sacos de papel Kraft e de polietileno. Nos testes de germinação e vigor, temperaturas constantes de 30 ºC e 35 ºC mostraram-se adequadas, assim como os substratos sobre areia e pó de coco.
A semeadura pode ser feita em sementeiras, repicando-se as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes grandes de polipropileno, de quatro a oito semanas após a germinação. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência entre 6 e 25 dias e taxa de até 64,5%. Cerca de quatro meses após a semeadura, as mudas alcançam 20 cm de altura.
Trata-se de espécie heliófila, levemente tolerante a baixas temperaturas. Tem ramificação intensa, tende a formar multitroncos e touceiras, e não realiza derrama natural, exigindo poda de condução para a formação de um tronco único, seguida de podas sucessivas para a retirada de galhos grossos. O plantio puro a pleno sol deve ser evitado, pois favorece o esgalhamento precoce; recomenda-se o plantio misto com espécies pioneiras. A espécie rebrota com vigor a partir do toco.
Há poucos registros de plantios, com parcelas existentes em Maceió (AL). O crescimento inicial em altura é rápido. Em Rolândia (PR), atingiu produção volumétrica de até 2,75 m³/ha/ano aos oito anos de idade.
A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 900 mm, em Minas Gerais, a 3.000 mm, no Pará. As chuvas são uniformes no noroeste do Amazonas e nos arredores de Belém (PA), uniformes ou periódicas na faixa costeira da Bahia e em pequenas áreas de Alagoas e Pernambuco, e periódicas no restante da área. A deficiência hídrica é nula no noroeste do Amazonas e arredores de Belém, nula ou pequena no litoral da Bahia e partes de Alagoas e Pernambuco, moderada no sul de Rondônia e de moderada a forte no inverno do oeste de Minas Gerais e no norte do Maranhão. A temperatura média anual oscila entre 19,3 ºC (São Paulo, SP) e 26,7 ºC (Manaus, AM); a média do mês mais frio fica entre 15,5 ºC e 26,0 ºC, e a do mês mais quente entre 22,5 ºC (Brasília, DF) e 27,9 ºC (Macapá). A menor temperatura já registrada foi de -3,7 ºC, em Coxim (MS), em julho de 1975. As geadas são ausentes na maior parte da área e ocasionais em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Am, As, Aw, Cwa e Cwb.
Cresce naturalmente em solos pouco férteis e de textura arenosa, sendo também encontrada em solo calcário no Distrito Federal.