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Foto de Pau-paraíba

Foto: Thomaz Ricardo Favreto Sinani (CC BY) via GBIF

Pau-paraíba

Simarouba versicolor

Simaroubaceae CerradoMata AtlânticaPantanal
  • até 12 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: gaxeta, paraíba, praíba, pau-praíba, mata-cachorro, mata-cachorra, marupá-do-campo, simaruba, pau-de-perdiz, perdiz, mata-vaqueiro, sabugueiro, casca-paraíba

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Simaroubaceae e à ordem Sapindales, o pau-paraíba tem como nome científico aceito Simarouba versicolor A. St.-Hil., dentro do gênero Simarouba. Seu primeiro registro científico apareceu na obra Plantes Usuelles des Brasiliens, entre 1824 e 1828. Na literatura botânica também é citada sob o sinônimo Simarouba versicolor var. pallida Engl. O nome do gênero corresponde à denominação popular da espécie-tipo na Guiana Francesa, enquanto o epíteto versicolor faz alusão às folhas de coloração contrastante (discolores) características da planta.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta que varia de arbustiva a arbórea, semidecídua, ou seja, troca parte de suas folhas em determinada época do ano. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 12 m de altura e a 60 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco é reto a um pouco tortuoso e o fuste costuma ser curto, com até 5 m. A ramificação é dicotômica, formando copa com ramos terminais acinzentados ou castanhos, que podem ou não apresentar lenticelas. A casca alcança até 10 mm de espessura; a parte externa (ritidoma) é acinzentada a esbranquiçada, fissurada ou escamosa, de aspecto meio esponjoso, desprendendo-se em placas irregulares. As folhas são compostas, alternas, espiraladas e imparipinadas, reunindo de 7 a 21 folíolos alternos ou opostos, de formato elíptico ou ovado, com até 8 cm de comprimento por 5 cm de largura; os ápices são agudos, obtusos ou emarginados e as bases agudas a cuneadas, com margens inteiras e revolutas. A nervação é broquidódroma, de nervuras secundárias paralelas e pouco visíveis; os pecíolos chegam a 10 cm, com raque avermelhada e peciólulos curtos ou folíolos sésseis, sem estípulas. Os folíolos são cartáceos, discolores e glabros, brilhantes na face superior e pilosos na inferior. Tanto folhas quanto pecíolos têm sabor amargo, traço comum na família Simaroubaceae. As inflorescências surgem em panículas terminais de 10 cm a 35 cm de comprimento. As flores, masculinas e femininas, medem até 0,5 cm de diâmetro, com pétalas livres e esverdeadas. O fruto é uma drupa formada por um único carpelo, subglobosa, ovada ou elíptica, de até 3 cm e cor escura na maturação, contendo uma única semente esbranquiçada de até 1,2 cm.

Uso e ecologia
madeireiromedicinalalimentíciopaisagismorecuperação de áreas
Produtos e utilizações

A madeira é leve a moderadamente densa (massa específica aparente em torno de 0,38 g/cm³ e básica de 0,40 g/cm³). O alburno é amarelado, nítido, abundante e firme, enquanto o cerne tem cor violeta-escura com listras escuras, conferindo um aspecto mosqueado irregular. Apresenta textura fina, veio retilíneo e fibras entrelaçadas, sem sabor ou odor marcantes; não costuma ser atacada por insetos. Por ser leve e macia, é muito fácil de trabalhar, cola bem e oferece bom acabamento. É empregada em usos internos na construção civil, forros, brinquedos, tamancos, urnas funerárias, palitos de fósforo e caixotaria, além de fornecer lenha de boa qualidade. Da casca extraem-se fibras para cordas rústicas (a chamada casca-paraíba) e o líber rende fibras para estopa e pasta de papel. Os frutos são comestíveis. Toda a planta é intensamente amarga por causa dos quassinoides, compostos ligados ao seu emprego medicinal: a casca é tida como tônica, febrífuga, antissifilítica e indicada contra anemia e dermatoses, sendo casca e raiz usadas em garrafadas para problemas do fígado e a infusão da casca aproveitada como adstringente e antidiarreico. O pó da casca seca e o pó dos frutos servem para eliminar piolhos, e em Santo Antônio do Leverger (MT) a casca é usada contra sarna canina. Em doses elevadas, porém, folhas e casca tornam-se venenosas; frutos e cascas têm forte ação inseticida e o pó dos frutos é usado como vermífugo. Pesquisadores identificaram dois triterpenos na casca da raiz e dois quassinoides, um deles uma glaucarubinona.

Aspectos ecológicos

O pau-paraíba é considerado uma espécie secundária inicial. Embora seja apontado como característico e exclusivo do Cerrado e do Cerradão, sua presença é frequente, porém bastante descontínua e irregular ao longo da área de distribuição, com preferência por áreas abertas e capões. No bioma Cerrado, aparece no cerrado stricto sensu (até 12 indivíduos por hectare) e no cerradão (até 11 por hectare); no Pantanal Mato-Grossense, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, atinge até oito indivíduos por hectare. Na Mata Atlântica é registrado em Floresta Estacional Semidecidual montana, em Minas Gerais, e em Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, em Alagoas e na Bahia. Ocorre ainda em ambientes ripários (mata ciliar), em Goiás, Minas Gerais e Paraíba, com até 10 indivíduos por hectare, e em formações como Floresta Estacional Decidual sobre afloramento calcário em Goiás e vegetação de tabuleiro no Ceará.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de julho a agosto em Mato Grosso do Sul, de julho a novembro no Distrito Federal, de novembro a dezembro no Ceará e em dezembro no Piauí. Os frutos amadurecem de outubro a janeiro no Distrito Federal, de novembro a dezembro em Mato Grosso do Sul e em dezembro no Piauí.

Fauna associada

Espécie dioica, é polinizada por insetos, sobretudo abelhas pequenas e dípteros, podendo contar também com o vento. A dispersão de frutos e sementes é realizada por pássaros e morcegos.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser coletados diretamente da árvore assim que começa a queda espontânea. Cada quilo reúne cerca de 660 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo, mas a embebição em água pode acelerar a germinação. Sem armazenamento, as sementes mantêm a viabilidade por até 6 meses.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e, em seguida, repicar as plântulas para recipientes médios, como sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno; quando atingem de 4 cm a 6 cm de altura, as mudas devem ser transferidas dos canteiros para recipientes individuais. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 8 e 40 dias após a semeadura. Com sementes recém-colhidas, o poder germinativo chega a 80%, e as mudas atingem tamanho adequado para o plantio definitivo em cerca de 6 meses.

Características silviculturais

Espécie heliófila e sensível ao frio, requer poda de condução e de galhos. Desenvolve-se bem em plantios puros densos a pleno sol, em plantios mistos diversificados e também sob sombreamento parcial. É indicada para arborização de pastagens, embora, em teste de sistema silvipastoril com Brachiaria decumbens e outras quatro espécies arbóreas, tenha apresentado desempenho insatisfatório em todos os parâmetros avaliados.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o crescimento da espécie. Segundo Lorenzi, em campo o desenvolvimento é apenas moderado, alcançando cerca de 2,5 m aos 2 anos de idade.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 900 mm, em Minas Gerais, a 2.200 mm, em Alagoas, sob regime de chuvas periódicas; a deficiência hídrica é de pequena a moderada na faixa costeira de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e parte do Rio Grande do Norte, e de moderada a forte no norte do Piauí. A temperatura média anual varia de 21,2 ºC (Brasília-DF e Leme do Prado-MG) a 26,8 ºC (Parnaíba-PI), com mínima absoluta de -3,7 ºC registrada em Coxim (MS) em 20 de julho de 1975. As geadas são ausentes na maior parte da área de ocorrência e raras em Mato Grosso do Sul. Na classificação de Köppen, abrange os tipos Af no sul da Bahia, As em Alagoas e na Paraíba, Aw em diversos estados do Centro-Oeste e Nordeste e Cwa no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e em Campo Maior (PI).

Solos

Tolera solos secos, de baixa fertilidade e de textura arenosa. No Nordeste, é encontrado em áreas de tabuleiro.