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Foto de Pau-josé

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Pau-josé

Banara parviflora

Salicaceae Mata AtlânticaPampa
  • até 10 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasMadeireirasMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: pau-josé, cabroé, cambroé, farinha-seca, sapopema-da-miúda, cabroé-mirim, guaçatunga-amarela, guaçatunga-preta, cambroé-mirim, canela-mole, guaçantunga, guaçatunga, olho-de-pomba, olho-de-pombo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação APG III, a Banara parviflora pertence à divisão Angiospermae, clado Eurosídeas I, ordem Malpighiales e família Salicaceae (no antigo sistema de Cronquist era enquadrada em Flacourtiaceae), dentro do gênero Banara. O binômio Banara parviflora (A. Gray) Bentham foi descrito por Bentham em 1861. Entre os sinônimos botânicos figuram Kuhlia parviflora A. Gray, Banara exechandra Briquet e Banara brasiliensis auct., non (Schott) Bentham. O nome do gênero deriva da denominação indígena usada na Guiana Francesa, enquanto o epíteto parviflora vem do latim e remete às suas flores diminutas.

Descrição botânica

Árvore decídua que, na fase adulta, costuma chegar perto de 10 m de altura e 30 cm de DAP (diâmetro medido a 1,30 m do solo), embora excepcionalmente possa alcançar 20 m de altura e 50 cm de DAP. O tronco em geral é tortuoso, ramificado e de fuste curto, com ramificação cimosa e copa arredondada; os ramos lembram varas pendentes e os raminhos são finos, glabros e cobertos de pequenas lenticelas. A casca tem até 10 mm de espessura, sendo a parte externa de tom cinza-pardo, áspera e com fissuras finas, que se solta em placas pequenas e irregulares. As folhas são simples e alternas, com formato lanceolado a oblongo-lanceolado (raramente oblongo) e assimétrico, ápice acuminado subagudo e base desigual, cuneada ou arredondada de um dos lados; são cartáceas, glabras e brilhantes nas duas faces, medindo de 5 a 11 cm de comprimento por 2 a 3,5 cm de largura, com margem glandular-subcrenado-serreada, 3 (às vezes levemente 5) nervuras partindo da base e de 4 a 6 pares de nervuras laterais; os pecíolos são delgados, de 6 a 10 mm, e as estípulas subuladas medem 1,5 mm e caem aos poucos. As inflorescências formam panículas terminais piramidais de 6 a 10 cm de comprimento, com racemos simples na porção superior e ramos curtos na inferior, delgadas e bastante floríferas. As flores são trímeras, hermafroditas, amarelas e de cerca de 3 mm. O fruto é uma baga avermelhada ou alaranjada, com aproximadamente 5 mm de diâmetro e poucas sementes; as sementes são achatadas, ovoides-comprimidas, escuras e de cerca de 1,5 mm de comprimento.

Uso e ecologia
recuperação de áreasalimentícioapícolamadeireiro
Produtos e utilizações

Os frutos têm polpa de sabor adocicado e suas flores são melíferas, o que confere valor apícola à espécie. A madeira é moderadamente densa (densidade aparente de 0,60 g/cm³), com alburno pouco distinto do cerne e de coloração esbranquiçada, grã direita e superfície lisa ao toque; é aproveitada apenas em escala local em pequenas construções, como caibros e vigas, e fornece lenha de qualidade apenas razoável. Não serve para produção de celulose e papel.

Aspectos ecológicos

Quanto à sucessão, comporta-se como espécie secundária inicial a secundária tardia. Aparece sobretudo no interior de florestas, em matas alteradas ou parcialmente devastadas e no sub-bosque dos pinhais do Planalto Sul-Brasileiro, mas é especialmente associada a capoeiras e capoeirões do Sul do país, onde se mostra rara. Há registro de regeneração natural sob Araucaria angustifolia, com indivíduos recrutados a partir do banco de sementes do solo.

Floração e frutificação

A floração vai de outubro a dezembro no Paraná e de novembro a janeiro em Santa Catarina; em plantio, só começa a florescer aos 8 anos de idade. Os frutos amadurecem de dezembro a março no Paraná e de março a maio no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Fauna associada

A polinização é feita por abelhas e por diversos insetos pequenos, e a dispersão dos frutos e sementes ocorre essencialmente por zoocoria, ou seja, por animais.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a abrir; depois são expostos ao sol para concluir a abertura e liberar as sementes. Cada quilograma reúne cerca de 1 milhão de sementes, que não exigem nenhum tratamento pré-germinativo. Por terem comportamento recalcitrante, sua viabilidade é breve: perdem o poder germinativo cerca de 20 dias após a colheita.

Produção de mudas

Por serem muito pequenas, as sementes devem ser semeadas em sementeiras e, depois, as plântulas repicadas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea e as plântulas, fanerocotiledonares; a emergência tem início entre 20 e 40 dias após a semeadura, com poder germinativo baixo (de 3% a 40%). As mudas atingem tamanho adequado para o plantio cerca de 4 meses depois da semeadura. No viveiro, a espécie suporta sombreamento médio, já que a pleno sol as plântulas crescem bem mais devagar do que à sombra.

Características silviculturais

Trata-se de espécie de luz difusa, podendo ser heliófila, e com tolerância média a geadas. Tem hábito tortuoso, sem dominância apical clara, com ramificação pesada, bifurcações e múltiplos troncos, além de desrama natural fraca, o que exige podas frequentes de condução e de galhos; rebrota da touça, emitindo vários brotos. Apresenta melhor desenvolvimento em plantios mistos e sob cobertura.

Crescimento e produção

As informações sobre seu desempenho em plantio são escassas, mas o crescimento é reconhecidamente lento.

Clima

A precipitação média anual onde ocorre varia de 1.300 a 2.300 mm, ambos os extremos registrados no Rio Grande do Sul, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano. A deficiência hídrica é nula no Planalto Sul-Brasileiro e moderada no Rio de Janeiro. A temperatura média anual fica entre 15,5 °C (Caçador, SC) e 22,3 °C (Nova Iguaçu, RJ), com média do mês mais frio de 10,7 °C a 16,3 °C e do mês mais quente de 20 °C a 24,7 °C; a mínima absoluta registrada foi de -10,4 °C, em Caçador (SC). Geadas são frequentes no Planalto Sul-Brasileiro, com média de 3 a 15 por ano e até 40 em Santa Catarina. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Am no centro-oeste do Rio de Janeiro, Cfa em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e Cfb no centro-sul do Paraná e no Rio Grande do Sul.

Solos

Desenvolve-se em solos de fertilidade média, de textura arenosa a franco-arenosa e com altos teores de alumínio, sendo comum em Cambissolo Húmico.