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Foto de Pau-gambá

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Pau-gambá

Abarema langsdorffii

Fabaceae Mata Atlântica
  • até 30 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: farinha-seca, gambazeiro, raposeira, árvore-de-tento, orelha-de-macaco

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à família Fabaceae (denominada Leguminosae no sistema de Cronquist), subfamília Mimosoideae, ordem Fabales e clado das Eurosídeas I. O binômio aceito é Abarema langsdorffii (Bentham) Barneby & J. W. Grimes, publicado em 1996 nos Memoirs of The New York Botanical Garden (74: 95). Entre os sinônimos botânicos figuram Pithecolobium langsdorffii e Pithecellobium langsdorffii. O nome do gênero deriva do tupi-guarani abaremotemo — de abaré (padre) e motimbora (fazer fumaça ou incenso), ou ainda de abaremó (pênis) e tembó (vara, canudo). Já o epíteto específico homenageia o botânico Georg Heinrich von Langsdorff (1774-1852), nascido em Woellstein, na então Prússia, e falecido em Freiburg, na Alemanha.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta que varia de arbustiva a arbórea, com folhagem sempre-verde (perenifólia). Os indivíduos de maior porte chegam, na fase adulta, a cerca de 30 m de altura e 80 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo), embora também ocorram exemplares de apenas 1 m de altura. O tronco é reto a pouco tortuoso, com fuste que pode alcançar até 10 m. A ramificação é dicotômica, formando copa reduzida com ramos pubescentes, e a casca chega a 20 mm de espessura, com superfície externa (ritidoma) fissurado-decorticante. As folhas são bipinadas, de 6 cm a 20 cm de comprimento, com 5 a 10 pares de pinas, raque glanduloso e glândulas evidentes, estípulas caducas e folíolos muito discolores dotados de estipelas. Os foliólulos somam de 9 a 24 ou de 25 a 28 pares, medem de 5 mm a 12 mm de comprimento por 1 mm a 3 mm de largura, são membranáceos, oblongo-lanceolados e de ápice agudo, com faces glabras (exceto a nervura central pilosa na face inferior) e margem ciliada e levemente revoluta. As inflorescências formam racemos laxos, homomórficos, axilares ou subapicais, de eixo medindo 4 cm a 10 cm e raque pubescente de 1 cm a 3 cm, com bractéolas pequenas e decíduas. As flores são brancas e vistosas, de pediceladas a subsésseis (pedicelo de 1 mm a 2 mm), cálice pubescente de 2 mm a 5 mm de comprimento por 3 mm a 5 mm de largura com 4 a 5 lacínias, corola campanulada e serícea de 5 mm a 9 mm de comprimento por cerca de 2 mm de largura, e estames de aproximadamente 3 cm cujos filetes exsertos ultrapassam a corola em mais de 2 cm. O fruto é um legume de contorno semicircular a circular, com epicarpo reticulado e pericarpo lenhoso e rígido, medindo de 6 cm a 10 cm de comprimento por 4 cm a 6 cm de largura, de bordos elevados e valvas coriáceas que se espiralizam e contorcem após a abertura — característica marcante da espécie —, abrigando de 3 a 13 sementes. As sementes vão de lentiformes a globosas, com 6 mm a 7 mm de comprimento por 5 mm a 6 mm de largura, pleurograma apical-basal fechado e embrião de plúmulas desenvolvidas.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente leve, de cerne claro-rosado e alburno branco-palha, com superfície lisa ao tato e lustrosa, textura média, grã direita e gosto e cheiro indistintos. De uso variado, presta-se à fabricação de móveis, tacos e caixotaria, tanto em forma serrada quanto roliça, e fornece lenha de boa qualidade. Já para a produção de celulose e papel é considerada inadequada. Na composição química das sementes não foi detectada galactomanana. A espécie integra a flora apícola de Santa Catarina, oferecendo néctar e pólen. Por seu aspecto elegante, é apreciada na arborização de praças e grandes jardins.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial, é pouco comum no interior das florestas e nas porções altas das encostas, e ausente em solos úmidos e no fundo dos vales. Em contrapartida, mostra-se frequente em capoeiras, onde costuma surgir como arvoreta. No bioma Mata Atlântica, habita a Floresta Ombrófila Densa nas formações de Terras Baixas (com ocorrência frequente no Vale do Itajaí, em Santa Catarina), Submontana (em Santa Catarina) e Montana (em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde chega a nove indivíduos por hectare). Também aparece em Campo Rupestre e em vegetação de restinga, no litoral de São Paulo.

Floração e frutificação

A floração vai de outubro a março no Rio Grande do Sul e em São Paulo, estendendo-se de outubro a abril no Rio de Janeiro. Os frutos amadurecem em outubro em São Paulo e em janeiro no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

A espécie é hermafrodita e tem na polinização a participação principalmente de abelhas e de diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e das sementes ocorre por autocoria, isto é, pela própria planta.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a abrir, momento facilmente identificável pela coloração avermelhada do interior das vagens. Cada quilo reúne cerca de 1.300 sementes. Como apresentam dormência tegumentar moderada, é preciso superá-la imergindo-as em ácido sulfúrico por 1 minuto ou recorrendo à escarificação mecânica. De comportamento fisiológico ortodoxo, conservam a capacidade de germinar por mais de um ano quando guardadas em condições ambientais.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita diretamente em sacos de polietileno, em tubetes de polipropileno ou em canteiros destinados à repicagem, recomendando-se transplantar as plântulas de 1 a 2 semanas após a germinação. O sistema radicular é profundo. A germinação é epígea e as plântulas, fanerocotiledonares; a emergência inicia-se entre 10 e 30 dias quando a dormência foi superada e entre 20 e 60 dias sem esse tratamento. O poder germinativo fica abaixo de 30% sem a quebra de dormência e supera 75% quando ela é feita. As mudas ficam prontas para o campo em torno de 6 meses. As raízes associam-se simbioticamente a Rhizobium, formando nódulos do tipo muconoide com baixa atividade da nitrogenase.

Características silviculturais

Espécie heliófila e medianamente tolerante ao frio, apresenta hábito inicialmente monopodial que depois se torna irregular, exigindo desrama para melhorar o fuste. Tem boa capacidade de rebrota a partir da touça ou da cepa. Pode ser conduzida a pleno sol, em plantios puros ou mistos.

Crescimento e produção

Há poucos registros de desempenho da espécie em plantios, mas o que se observa indica crescimento lento.

Clima

A precipitação anual média varia de 1.300 mm a 2.200 mm, ambas registradas em São Paulo, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e ausência de deficiência hídrica. A temperatura média anual oscila entre 18,1 °C (Nova Friburgo, RJ) e 23,7 °C (Rio de Janeiro, RJ); a do mês mais frio fica entre 14 °C e 21,3 °C, e a do mês mais quente, entre 21,4 °C e 26,5 °C. A mínima absoluta registrada foi de -3,8 °C, em Orleans (SC). As geadas são raras, com até 10 ocorrências anuais e média de 3. Pela classificação de Köppen, a espécie ocupa os climas Af (tropical úmido a superúmido), do litoral paulista ao Paraná; Aw (tropical com inverno seco), no Rio de Janeiro; Cfa (subtropical de verão quente), em Santa Catarina e no Planalto de Ibiúna (SP); e Cwb (subtropical de altitude com inverno seco e verão ameno), no sul de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Solos

Desenvolve-se preferencialmente em terrenos baixos, de drenagem moderada e textura arenosa, em geral de fertilidade média.