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Foto de Pau-de-tucano

Foto: Cristiane Colodel (CC BY) via GBIF

Pau-de-tucano

Vochysia tucanorum Mart.

Vochysiaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: louro-cajueiro, pau-de-leite, angélica, pau-doce, bico-de-papagaio, cambará, caixeta, caxuta, congonha-de-flor-amargosa, congonha-murici, flor-de-tucano, pau-de-vinho, vinhático, cinzeiro, camaçari, vinheiro-falso, rabo-de-tucano, vinheiro-do-mato

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a espécie é Vochysia tucanorum Mart., do gênero Vochysia, família Vochysiaceae, ordem Polygalales, classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e divisão Magnoliophyta (angiospermas). Foi descrita em 1824, na obra Nov. Gen. et Sp. (vol. 1, p. 142). Entre os sinônimos mais citados na literatura estão Cucullaria tucanorum Spreng., Vochysia tucanorum Mart. var. vulgaris Mart. e Vochysia opaca Pohl ex Warm., embora a espécie reúna uma sinonímia bem extensa. O nome do gênero, Vochysia, vem da latinização de vochy, designação vernacular da planta na Guiana, registrada por Aublet em 1775 ao descrever Vochy guianensis, espécie-tipo do gênero. Já o epíteto tucanorum faz referência ao apreço dos tucanos pela espécie.

Descrição botânica

Árvore perenifólia que, em fase adulta, alcança cerca de 20 m de altura e até 120 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto e cilíndrico, dividindo-se em vários troncos secundários que sobem até a copa, que é densa, arredondada e de tom verde-escuro. A ramificação é dicotômica, com ramos jovens angulosos marcados por duas linhas que partem da base das folhas. A casca chega a 30 mm de espessura: por fora é acinzentada, áspera, com fissuras profundas e textura semi-suberosa, soltando-se com facilidade ao toque e revelando coloração marrom quando raspada; por dentro é amarelo-clara, friável e de textura arenosa, exsudando uma seiva cor de vinho quando o corte atinge o alburno. As folhas são simples e dispostas em verticilos de quatro (raramente três), com limbo em geral espatulado de 4 a 12 cm de comprimento por 1,5 a 5 cm de largura, ápice obtuso-arredondado e truncado, base atenuada, margem pouco ou nada revoluta e pecíolo fino de 6,8 a 11 mm. As flores reúnem-se em panículas terminais de 15 a 25 cm, formadas por cincinos de 2 a 4 flores; são numerosas, vistosas e amarelas, medindo de 1,2 a 2,5 cm de comprimento por 0,2 cm de largura, irregulares, bilabiadas, com três pétalas desiguais e esporas, sobre pedúnculo e pedicelo delgados de 0,5 a 1 cm. O fruto é uma cápsula lenhosa oblonga a cilíndrica, trígona e de superfície verruculosa, com valvas oblongas de cerca de 2 a 3 cm de comprimento por 1 a 1,5 cm de diâmetro, de cor verde a castanha e com muitas sementes. As sementes são ovoides, com asa formada por pelos longos e sedosos (uma por lóculo) e cerca de 1 a 2 cm de comprimento.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasalimentícioapícola
Produtos e utilizações

A madeira é leve, com densidade de 0,40 g/cm³, alburno esbranquiçado e cerne rosado. Pela coloração atraente, presta-se a revestimentos decorativos e também à caixotaria, além de fornecer lenha de boa qualidade e servir à produção de pastas celulósicas. Da seiva extrai-se um produto singular: no Sudeste, os moradores locais a coletam e, depois de fermentada, obtêm uma espécie de vinho muito apreciado; no Paraguai prepara-se de modo semelhante uma bebida fermentada cor de vinho.

Aspectos ecológicos

Classificada como pioneira a secundária inicial, a espécie aparece tanto no interior de florestas primárias quanto em formações secundárias, como capoeiras e capoeirões. Sua distribuição é ampla, porém descontínua: costuma formar agrupamentos populacionais em determinadas áreas e estar totalmente ausente em outras. Na Mata Atlântica, ocupa a Floresta Estacional Semidecidual (formações submontana, montana e alto-montana) em Goiás, Minas Gerais e São Paulo, com 1 a 26 indivíduos por hectare, além da Floresta Ombrófila Densa em São Paulo. No Cerrado, está no cerrado lato sensu de Goiás, Paraná e São Paulo, com densidades de 3 a 182 indivíduos por hectare, no cerradão do Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo, e no campo cerrado paulista. Também ocorre em ambientes ripários (BA, DF, GO, MG e SP), em brejos de altitude de Pernambuco e em campos rupestres de Minas Gerais.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de julho a janeiro no Distrito Federal, de setembro a fevereiro em Minas Gerais, de novembro a janeiro em São Paulo e de novembro a julho no Paraná. A frutificação, com frutos maduros, ocorre de março a setembro no Paraná e de agosto a outubro em Minas Gerais.

Fauna associada

Espécie monóica e de reprodução predominantemente alogâmica, com uma pequena produção de frutos por autogamia, possivelmente como estratégia alternativa. A polinização é feita sobretudo por abelhas e outros pequenos insetos, e a dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, pelo vento. Como planta melífera, também é atrativa para a fauna apícola.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começarem a abrir espontaneamente e, em seguida, expostos ao sol para concluir a abertura e liberar as sementes. Cada quilo reúne cerca de 39.800 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. O comportamento no armazenamento é recalcitrante, com perda rápida de viabilidade. Em laboratório, a luz favoreceu a germinação, exceto sob temperatura constante de 25 ºC, na qual as sementes não se mostraram fotoblásticas e foi registrada a maior porcentagem de germinação.

Produção de mudas

Recomenda-se semear de 2 a 3 sementes diretamente em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes grandes de polipropileno. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 20 e 60 dias após a semeadura, em geral com taxa baixa. O desenvolvimento das mudas é lento, e elas ficam prontas para o plantio definitivo em torno de 10 a 11 meses.

Características silviculturais

Espécie heliófila que tolera temperaturas baixas, apresenta hábito irregular, com crescimento monopodial na fase jovem e sem dominância apical bem definida. Pode ser plantada a pleno sol, em sistemas puros ou mistos. Em Minas Gerais, é indicada para sombreamento de pastagens: sua copa irregular produz sombra densa, cobrindo um diâmetro de 4 a 5 m.

Crescimento e produção

Não há dados sobre o desempenho em plantios, mas, no campo, o crescimento das plantas é muito lento.

Clima

A precipitação média anual nas áreas de ocorrência vai de 730 mm, na Bahia, a 1.900 mm, no Paraná, com chuvas uniformemente distribuídas no centro-leste do Paraná e no sudoeste de São Paulo e periódicas nos demais locais. A deficiência hídrica é nula no centro-leste paranaense, no sudoeste paulista e na Serra dos Órgãos (RJ), variando de pequena a forte no inverno conforme a região. A temperatura média anual fica entre 17,9 ºC (Franca, SP) e 26,5 ºC (Bom Jesus do Piauí, PI); a mínima absoluta registrada foi de -7,1 ºC (Campo Mourão, PR). As geadas variam de 0 a 10 por ano em média, chegando a um máximo de 18 no Paraná, mas predominam locais sem geadas ou com geadas pouco frequentes. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

O pau-de-tucano é indiferente às condições físicas e químicas do solo, adaptado aos cerrados pobres e de textura arenosa.