voltar ao catálogo

Pau-de-tucano

Vochysia magnifica

Vochysiaceae Mata Atlântica
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: guaricica-da-serra, flor-de-tucano, pau-de-caxeta, pau-novo, pau-josé, caxeta, murici, caixeta, farinha-seca, pau-de-vinho, pau-amarelo, vinheiro

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

A espécie foi descrita como Vochysia magnifica Warm., tendo sua primeira publicação em 1875, na obra Flora Brasiliensis de Martius. Pelo sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), pertence às angiospermas, ao clado das rosídeas e à ordem Myrtales (classificada como Polygales no sistema de Cronquist), na família Vochysiaceae e no gênero Vochysia. O nome do gênero deriva de vochy, designação popular da planta na Guiana, latinizada por Aublet em 1775 quando descreveu Vochy guianensis, a espécie-tipo e o exemplar mais antigo conhecido do gênero. Já o epíteto magnifica faz referência à beleza notável da árvore, sobretudo quando está em flor.

Descrição botânica

Árvore de folhagem perene (sempre-verde), com troca de folhas. Os indivíduos de maior porte chegam a aproximadamente 25 m de altura e 80 cm de DAP (diâmetro medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco é reto e cilíndrico, com fuste que alcança até 10 m. A ramificação é dicotômica e a copa, irregular e pouco densa, com ramos jovens algo angulosos e internódios de 3 cm a 5 cm. A casca tem até 5 mm de espessura: a parte externa (ritidoma) é fina, rugosa e acinzentada, enquanto a interna é quebradiça, pela presença de células pétreas no tecido. As folhas dispõem-se geralmente em 3 verticilos (raramente 5), com pecíolo de 2 cm a 3 cm de comprimento e cerca de 0,2 cm de diâmetro. A lâmina é oblonga, oblongo-lanceolada ou elíptico-oblonga, de 8 cm a 16 cm de comprimento por 3 cm a 4,5 cm de largura, com consistência coriáceo-cartácea, base e ápice semelhantes, agudos ou obtusos (muito raramente arredondados). A venação é broquidódroma e reticulada, com nervuras pouco salientes nas duas faces e cerca de 20 nervuras laterais secundárias bem espaçadas, que se unem em arcos a cerca de 0,5 cm da margem lisa e sub-revoluta. As inflorescências são racemos terminais eretos a axilares, de 15 cm a 30 cm de comprimento. As flores são pediceladas e de cor amarelo-ouro, com botão floral levemente curvo, cilíndrico, de ápice obtuso ou arredondado, medindo de 1,5 cm a 2,0 cm de comprimento por 0,4 cm a 0,5 cm de diâmetro. O fruto é uma cápsula trígona, glabra, rugosa e deiscente, com 5 a 10 sementes. As sementes são ovoides, dotadas de uma ala formada por pelos longos e sedosos (uma por lóculo), medindo de 1 cm a 2 cm de comprimento.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira é densa (0,78 g/cm³ a 15% de umidade), com cerne escuro e alburno mais claro, bem distintos entre si; tem textura grossa, grã revessa, resistência mecânica mediana e durabilidade moderada. Na construção civil presta-se a usos internos, como caibros, ripas, vigas, tabuados em geral e caixotaria. A espécie também serve à produção de celulose e papel e fornece lenha de boa qualidade. Suas flores amarelas vistosas tornam-na ornamental, indicada para a arborização de parques e grandes jardins, e suas flores têm potencial apícola. É ainda recomendada para a restauração e recuperação de ecossistemas degradados.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária tardia, que costuma formar grupos gregários nas florestas da encosta atlântica. Ocorre na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), nas formações Montana e Alto-Montana — no maciço do Itatiaia, em Minas Gerais, na região serrana do Rio de Janeiro e em São Paulo —, com frequência de até 24 indivíduos por hectare. Aparece também na Floresta Ombrófila Mista (com araucária), na formação Montana, no Paraná, e Alto-Montana, em Minas Gerais, e na Floresta Estacional Semidecidual, nas formações das Terras Baixas, Submontana, Montana e Alto-Montana, em Minas Gerais e São Paulo, com até 21 indivíduos por hectare. Está presente ainda em ambientes ripários (mata ciliar), em Minas Gerais, e em floresta higrófila, no Paraná.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de janeiro a março no Paraná, de março a abril no Rio de Janeiro e de abril a junho em São Paulo. Os frutos amadurecem a partir de agosto no Rio de Janeiro e entre novembro e dezembro no Paraná.

Fauna associada

A polinização é feita principalmente por abelhas e outros pequenos insetos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica: as sementes aladas são levadas pelo vento e depositadas longe da árvore-mãe.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos ainda fechados, pois, ao amadurecer, abrem-se e liberam as sementes ao vento; a abertura deve ser feita em local arejado e a extração, manualmente, batendo-se os frutos. Antes de semear, recomenda-se retirar a ala da semente. Cada quilo reúne cerca de 8.500 sementes. Há leve dormência tegumentar, superável pela imersão em água à temperatura ambiente por 24 horas. As sementes são recalcitrantes e perdem rapidamente a viabilidade no armazenamento.

Produção de mudas

Semeiam-se 2 a 3 sementes diretamente em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes grandes de polipropileno. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 20 e 60 dias após a semeadura, geralmente com taxa baixa. As mudas crescem lentamente e ficam aptas ao plantio definitivo em 10 a 11 meses. No viveiro da Embrapa Florestas, em Colombo (PR), o uso de terra de subsolo como substrato resultou em mudas heterogêneas, crescimento atrasado e alta mortalidade; para reduzir esses problemas, sugere-se inocular o substrato com solo coletado sob árvores adultas da espécie. A presença de fungos micorrízicos arbusculares nas raízes ainda precisa ser investigada.

Características silviculturais

Espécie de comportamento heliófilo a esciófilo, tolerante a baixas temperaturas. Seu hábito é irregular, com crescimento monopodial na fase jovem e sem dominância apical definida. Pode ser conduzida em plantio misto, a pleno sol.

Crescimento e produção

Não há dados sobre seu desempenho em plantios, mas o crescimento no campo é lento. Um plantio realizado em Rolândia (PR) resultou em mortalidade total.

Clima

A precipitação média anual vai de 1.100 mm, em Minas Gerais e São Paulo, a 2.100 mm, em Minas Gerais, com chuvas uniformemente distribuídas no Paraná e periódicas no restante da área. A deficiência hídrica é nula no Paraná e nas serras da Cantareira, Mantiqueira e Bocaina (MG, RJ e SP), variando de moderada a forte no inverno, no oeste de Minas Gerais. A temperatura média anual fica entre 17,6 ºC (Jaguariaíva e Ponta Grossa, PR) e 23,7 ºC (Bambuí, MG), com mínima absoluta de -6 ºC registrada em Ponta Grossa (PR). As geadas vão de raras, na serra dos Órgãos (RJ), a frequentes no inverno do Planalto Centro-Leste do Paraná e acima de 1.100 m nas serras da Mantiqueira e Bocaina (MG, RJ e SP), com média de 0 a 12 geadas por ano e máximo absoluto de 22 no Paraná. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Prefere terrenos de encosta bem drenados, com solo de textura argilosa e fertilidade média a alta.