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Foto de Pau-de-rosas

Foto: João Medeiros (CC BY 2.0) via Wikimedia

Pau-de-rosas

Physocalymma scaberrimum

Lythraceae CerradoAmazônia
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: pau-rosa, itaubarana-da-capoeira, roxinha, resedá-brasileiro, capitão-do-mato, cega-machado, nó-de-porco, aricá

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Segundo o sistema de classificação do APG II, a espécie pertence à ordem Myrtales e à família Lythraceae, dentro do clado das rosídeas. Seu nome científico é Physocalymma scaberrimum Pohl., descrita pela primeira vez em 1827 (Flora X, 152). Trata-se da única espécie reconhecida no gênero Physocalymma, que já teve como sinônimo Physocalymma floridum Pohl. O nome do gênero remete a um cálice inflado ou vesiculoso, enquanto o epíteto scaberrimum deriva do latim scaber, com sentido de áspero ou rugoso.

Descrição botânica

Árvore de comportamento decíduo que, na fase adulta, pode alcançar cerca de 25 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo). Em terrenos pobres e pedregosos, contudo, assume porte arbustivo. O tronco costuma ser único, mais ou menos reto e cilíndrico, podendo se dividir até cinco vezes. A ramificação é dicotômica, formando copa alongada ou piramidal, com ramos laterais quase perpendiculares ao tronco que partem da base ou a partir de 2 a 2,5 m de altura, medindo de 1,5 a 2 m; os ramos jovens são pubescentes e variam de cilíndricos a quadrangulares. A casca tem cerca de 7 mm de espessura, sendo a externa (ritidoma) bastante rugosa e estriada, formada por placas grossas retangulares de cor cinza-clara, e a interna castanha. As folhas são opostas, pecioladas, escabras e cartáceas, com lâminas de 5 a 12 cm de comprimento por 3,5 a 8 cm de largura, ápice obtuso a acuminado e base obtusa; o pecíolo mede de 1 a 1,5 cm. A inflorescência é uma panícula racemosa terminal ou subterminal, de 10 a 18 cm de comprimento. As flores, muito vistosas, são pediceladas, bibracteoladas e opostas, com pétalas de tom róseo-magenta a arroxeado e estames exsertos. O fruto é uma cápsula castanha inflada, de pericarpo papiráceo, com abertura apical em forma de dentes. As sementes são aladas e arredondadas, medindo cerca de 6 mm por 4 mm.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira é densa (0,85 g/cm³ a 15% de umidade), com textura grossa, resistente e moderadamente durável; o alburno é mais claro e suave que o cerne, este de coloração amarelo-clara. É empregada em marcenaria de luxo, trabalhos de torno, construção civil e obras externas como postes, mourões, dormentes, estacas e carrocerias, além de servir como lenha de boa qualidade. Não é indicada para celulose e papel. Por suas flores arroxeadas e ornamentais, presta-se à arborização e à jardinagem, embora ainda seja pouco utilizada com esse fim, sendo encontrada em ruas de Manaus (AM). Também tem potencial apícola, já que as flores produzem néctar e pólen, e é recomendada para a restauração de ambientes fluviais e ripários, bem como de áreas bem drenadas ou sujeitas a inundações periódicas de curta duração.

Aspectos ecológicos

Classificada como pioneira ou clímax exigente em luz, ocorre de maneira descontínua e irregular, sendo mais comum em capoeiras e capoeirões situados nas partes mais elevadas do relevo. Aparece com frequência também como planta isolada e em áreas de pastagem. Está associada ao Cerrado stricto sensu (no Amazonas, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais) e ao Cerradão, além de ambientes ripários (mata ciliar) em Goiás e Mato Grosso, babaçuais no Mato Grosso, florestas estacionais decidual e semidecidual e florestas inundáveis em Tocantins, onde chega a registrar até 48 indivíduos com perímetro à altura do peito igual ou superior a 20 cm.

Floração e frutificação

A floração ocorre de junho a janeiro no Amazonas, de junho a setembro em Goiás e de julho a setembro em Tocantins. Os frutos amadurecem entre outubro e dezembro no Mato Grosso.

Fauna associada

Espécie hermafrodita e predominantemente autógama (de autofecundação), tem como principal agente polinizador a abelha Melipona compressips manaosensis. A dispersão dos frutos e sementes é feita pelo vento (anemocoria).

Plantio e silvicultura
Sementes

As infrutescências devem ser colhidas diretamente da árvore logo após o secamento das flores, momento em que algumas sementes já começam a se soltar com o balanço dos ramos. Cada quilo reúne cerca de 1 milhão de sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. Por terem comportamento fisiológico recalcitrante, mantêm a viabilidade por no máximo 6 meses de armazenamento.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e, depois, repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 18 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio. A repicagem deve ser feita quando surgem as primeiras folhas definitivas, de 2 a 4 semanas após a germinação, com a raiz principal já com cerca de 5 cm. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência iniciando de 15 a 40 dias após a semeadura e taxa baixa, de até 50%. Por volta de 6 meses no viveiro, as mudas alcançam 20 cm de altura, porte adequado para o plantio.

Características silviculturais

Espécie heliófila, não suporta baixas temperaturas. Seu hábito é variável e irregular, indo desde um tronco vertical dominante com ramificação limitada por galhos laterais finos e horizontais até formas bifurcadas, de tronco curto e sem dominância apical definida. Não realiza desrama natural, exigindo podas periódicas de condução e de galhos para ampliar a altura comercial, e rebrota da touça ou cepa. Indica-se o plantio misto, a pleno sol, em associação com espécies pioneiras.

Crescimento e produção

Há poucos dados disponíveis sobre seu crescimento, mas, em campo, ele tem se mostrado rápido.

Clima

A precipitação anual média varia de 1.100 mm, em Minas Gerais, a 1.800 mm, em Goiás, com chuvas periódicas e deficiência hídrica de moderada a forte no inverno no norte de Goiás, no centro do Mato Grosso e em Tocantins. A temperatura média anual fica entre 22,5 ºC (Pirenópolis, GO) e 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT); a mínima absoluta registrada foi de 2,8 ºC, em Goiânia (GO), em 18 de julho de 1975. Não há ocorrência de geadas. Pela classificação de Köppen, predomina o clima Awa (tropical com inverno seco) no Amazonas, em Goiás, no Mato Grosso, em Minas Gerais e em Tocantins, além do Cwa (subtropical com inverno seco e verão quente) em Goiás.

Solos

Tolera solos secos, de fertilidade baixa a regular, com textura arenosa, boa drenagem e boas características físicas. Em Minas Gerais, é encontrada em solos aluviais.