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Foto de Pau-de-gaiola

Foto: Mario Barroso (CC BY) via GBIF

Pau-de-gaiola

Aegiphila sellowiana

Verbenaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
MedicinaisMadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: fidalgo, minura, mululo, briaúva, fruta-de-papagaio, papagaio, pau-de-tamanco, são-josé, tamanqueira, fumo-bravo, tamanqueiro, gaioleira, gaioleiro, pau-de-miolo, cajuja, canelinha-do-brejo, capoeira-branca, folha-larga, fruta-de-sabiá

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Seguindo o sistema de classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Lamiales, dentro da família Verbenaceae e do gênero Aegiphila. Foi descrita por Chamisso como Aegiphila sellowiana Cham., com publicação registrada em Linnaea 7:111, de 1831. O nome do gênero, Aegiphila, tem origem na ideia de "amiga da cabra" ou "apreciada pela cabra".

Descrição botânica

Trata-se de uma planta decídua, que varia de arvoreta a árvore e, quando adulta, pode alcançar cerca de 15 m de altura e 30 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é tortuoso, de seção irregular e base levemente reforçada, exibindo cicatrizes foliares circulares, salientes e bem visíveis. A ramificação é simpódica, com galhos flexíveis, quadrangulares e pubescentes, formando uma copa alta, densa e de contorno irregular. A casca chega a 5 mm de espessura; externamente é cinza-esbranquiçada, com fissuras finas e sinuosas e descamação pulverulenta, enquanto a parte interna é verde-amarelada, de textura arenosa e estrutura compacta, oxidando pouco após o corte. As folhas são simples, opostas e cruzadas, membranáceas, discolores, de formato obovado-lanceolado a oblongo-elíptico, com ápice acuminado e base atenuada, medindo de 5 a 27 cm de comprimento por 2,5 a 11 cm de largura; a margem é inteira ou levemente denteada, a face superior é áspera quando jovem e a inferior, subtomentosa. As inflorescências formam dicásios multifloros nas axilas das folhas. As flores estaminadas são maiores e mais vistosas que as pistiladas, com corola em forma de funil e coloração branco-esverdeada. O fruto é um nuculânio elíptico de 8 a 9 mm de comprimento por 5 a 7 mm de largura, com mesocarpo fino, cálice persistente e tom amarelo-alaranjado. A semente é desprovida de endosperma.

Uso e ecologia
madeireiroapícolamedicinalrecuperação de áreas
Produtos e utilizações

A madeira do pau-de-gaiola é leve, fácil de trabalhar e de baixa durabilidade natural. Serrada ou roliça, presta-se à carpintaria, à caixotaria, à confecção de tamancos e de cepas de escovas, além de obras internas; na tamancaria, funciona como boa alternativa à caixeta (Tabebuia cassinoides). A espécie é adequada para a produção de celulose e papel, mas a lenha é de qualidade muito ruim como combustível.

Aspectos ecológicos

Classificada como pioneira a secundária inicial, a espécie é comum na vegetação secundária, em capoeiras e capoeirões. No sul da Bahia, figura entre as principais pioneiras que surgem já um ano após a derrubada e queima da mata original, ocupando clareiras amplas, com mais de 100 m². Habita a Floresta Estacional Semidecidual (formações montana e alto-montana, em MG, PR e SP), a Floresta Ombrófila Densa (formações de terras baixas, submontana e montana, na BA, no RJ e em SP, onde chega a 37 indivíduos por hectare), a Floresta Ombrófila Mista (formações aluvial e montana, no PR, com 2 a 25 indivíduos por hectare), zonas de contato entre formações no sul de MG e restingas no RJ. No Cerrado, aparece em cerradão de MG e SP, e ainda em ambientes ripários do DF, de GO, de MG e do PR.

Floração e frutificação

A floração vai de novembro a janeiro no Paraná e de novembro a fevereiro em São Paulo. Os frutos amadurecem entre fevereiro e maio no Paraná e de março a julho em São Paulo.

Fauna associada

É uma espécie dioica, polinizada sobretudo por abelhas e por sirfídeos (moscas-das-flores, Diptera: Syrphidae). A dispersão das sementes é zoocórica, realizada principalmente pelas aves.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando maduros e, nessa condição, podem ser usados no plantio como se fossem sementes. Cada quilo reúne aproximadamente 32 mil sementes. Elas apresentam uma leve dormência, de natureza não tegumentar, que se supera com tratamento em água quente a 80 ºC. Em armazenamento, mantêm viabilidade por mais de seis meses.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio, transferindo as plântulas quando atingem de 4 a 6 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 50 e 100 dias após a semeadura. Sem a quebra de dormência, o poder germinativo é baixo, cerca de 2%; com a dormência superada, sobe para algo entre 50% e 65%. As mudas alcançam o tamanho ideal para plantio definitivo em quatro a cinco meses.

Características silviculturais

Trata-se de uma espécie heliófila, que tolera temperaturas baixas, embora alguns autores a considerem suscetível a geadas. O crescimento é monopodial, com galhos finos, e há boa desrama natural quando ocorre em alta densidade na regeneração. Pode ser cultivada a pleno sol em plantio puro ou misto, associada a outras pioneiras ou servindo de tutoramento para espécies secundárias e clímax. A rebrota a partir da touça ou cepa é fraca a irregular.

Crescimento e produção

O desenvolvimento é rápido, tanto em plantios quanto na regeneração natural.

Clima

A precipitação anual média varia de 900 a 2.100 mm (ambos os extremos registrados na Bahia). As chuvas são uniformemente distribuídas na Região Sul (exceto no norte do Paraná), na Serra da Cantareira e no litoral paulista; uniformes ou periódicas na faixa costeira baiana; e periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica vai de nula, no Sul e no litoral de SP, a forte no inverno do centro de Mato Grosso, passando por níveis intermediários em MG, ES, DF e GO. A temperatura média anual fica entre 16,5 ºC (Curitiba, PR) e 25,6 ºC (Cuiabá, MT); a média do mês mais frio entre 12,2 ºC (Curitiba) e 22,8 ºC (Chapada dos Guimarães, MT) e a do mês mais quente entre 19,9 ºC (Curitiba) e 27,4 ºC (Cuiabá). A mínima absoluta registrada foi de -7 ºC, em Irati (PR), com média de 0 a 11 geadas por ano e máximo de 33 no Paraná. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Am, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Desenvolve-se naturalmente em solos dos mais variados tipos.