Pau-de-andrade
Persea pyrifolia
- até 25 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: pau-de-andrade, canela-rosa, massaranduba, maçaranduba, nicurana, pau-andrade, abacate-do-cerrado, abacate-do-mato, canela, canela-do-brejo, abacate-bravo, canela-santa
Botânica
A espécie foi descrita por Nees como Persea pyrifolia Nees, com publicação em Linnaea 8: 50, no ano de 1833. Pertence à família Lauraceae, gênero Persea. Persea major Kopp. é o sinônimo botânico mais citado na literatura, embora a espécie reúna outras sinonímias. Sobre a origem do nome, o gênero Persea provavelmente homenageia Perseu, herói da mitologia grega que decapitou a Medusa, não tendo relação com a Pérsia.
Trata-se de uma árvore perenifólia que, na fase adulta, alcança cerca de 25 m de altura e 60 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto, com fuste de seção cilíndrica e base reforçada, e a ramificação é dicotômica e simpódica, irregular, formada por galhos robustos sem traços marcantes; a copa apresenta-se alta e densamente folhosa. A casca chega a 1 cm de espessura: a parte externa é marrom-clara-acinzentada, fendilhada e mais ou menos reticulada, soltando-se em pequenas escamas grossas que se quebram em pedaços retangulares ou quadrangulares, enquanto a casca interna é rósea, de textura arenosa, compacta, heterogênea e pegajosa, com odor e sabor picantes que lembram outras lauráceas. As folhas são simples, alternas e espiraladas, de consistência membranácea a papirácea e recobertas por muitos tricomas, sobretudo na face inferior; a lâmina mede de 12 a 28 cm de comprimento por 3,5 a 11,5 cm de largura, é obovada a elíptica, com ápice e base agudos a obtusos. As nervuras são bem desenvolvidas, salientes na face inferior e amareladas, com 14 a 20 pares de nervuras secundárias subopostas ou subalternas formando ângulos de 45º a 55º com a nervura principal; os pecíolos medem de 1,5 a 4 cm. As inflorescências são axilares, paniculadas, submultifloras, menores que as folhas e densamente recobertas por pelos ferrugíneo-pardacentos, e as flores têm coloração esverdeada. O fruto é uma drupa globosa e achatada no ápice, com 8 mm de diâmetro, endocarpo esclerosado e preso a um pedicelo engrossado; a semente é ovóide, de 4 a 7 mm de diâmetro, com tegumento membranáceo amarelado e envolvida pelo endocarpo.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente de 0,68 g/cm³, cerne de cor vermelho-escura e anéis de crescimento bem distintos. Serrada ou em forma roliça, presta-se à construção civil, à marcenaria, à fabricação de móveis, a tabuados e ao desdobro em geral, e chega a ser usada em canoas escavadas de tronco inteiro; também fornece lenha de boa qualidade, mas não é adequada para celulose e papel. Em análises fitoquímicas foram identificados esteróides ou triterpenos, aminogrupos, fenóis, glicosídeos saponínicos e ácidos graxos. A casca do lenho contém 8,0% de tanino por grama, com 18,61% de catequinataninos e 32% de catequinas. No uso medicinal, a planta tem ação adstringente e depurativa do sangue: o decocto da casca serve para lavar feridas e fazer gargarejos, e o emplastro da casca é tradicionalmente aplicado para cicatrizar ferimentos.
É classificada como espécie secundária tardia, presente tanto na vegetação secundária (capoeirão) quanto no interior da floresta. Na Mata Atlântica, ocorre na Floresta Estacional Semidecidual, nas formações Montana e Alto-Montana de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, com 1 a 22 indivíduos por hectare; na Floresta Ombrófila Densa, nas formações Submontana e Montana do Paraná e de São Paulo, com até quatro indivíduos por hectare; e na Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária), nas formações Aluvial e Montana do Paraná, com até dois indivíduos por hectare. No Cerrado, aparece na Savana (Cerrado lato sensu), em São Paulo. Também é encontrada em ambientes fluviais ou ripários de Minas Gerais e São Paulo.
A floração varia conforme a região: de junho a dezembro em São Paulo, de outubro a novembro no Rio Grande do Sul, de novembro a janeiro no Paraná e de dezembro a janeiro em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de dezembro a fevereiro em São Paulo, de janeiro a março no Rio Grande do Sul e de fevereiro a março no Paraná.
A espécie é monóica e tem como principais polinizadores abelhas e diversos insetos pequenos. A dispersão de frutos e sementes é zoocórica, feita por várias aves. Em Lavras (MG), foram registradas consumindo seus frutos espécies como o tucano (Ramphastos toco), o pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens), o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), o bentevizinho (Myiozetetes similis), o peitica (Empidonomus varius), o suiriri (Tyrannus melancholicus), os sabiás Turdus leucomelas e T. amaurochalinus, o sanhaço-cinza (Thraupis sayaca), o sanhaço-cara-suja (Tangara cayana), o saí-azul (Dacnis cayana), a saí-andorinha (Tersina viridis) e a japu (Psarocolius decumanus).
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começarem a cair espontaneamente e, em seguida, postos para secar à sombra, reduzindo a umidade da polpa. Cada quilo reúne cerca de 6.200 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. As sementes são tipicamente recalcitrantes e têm vida curta no armazenamento, mantendo a viabilidade por no máximo 90 dias.
Recomenda-se semear duas sementes diretamente em sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno de 15 cm de comprimento por 3 cm de diâmetro. Quando necessária, a repicagem deve ser feita logo após a emergência da parte aérea ou até a muda atingir 7 cm de altura. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, com emergência entre 25 e 40 dias após a semeadura e índice de germinação geralmente baixo (menos de 50%). As mudas ficam aptas ao plantio cerca de 9 meses depois da semeadura.
O pau-de-andrade é heliófilo e tolerante ao frio. Seu hábito é variável, indo do crescimento monopodial à ramificação irregular, com bifurcações e brotos-ladrões na base do colo; até os 10 anos cresce de forma monopodial. Convém fazer poda de condução para formar um único fuste e poda anual dos galhos. É indicado para plantio misto a pleno sol, para abertura de faixas em vegetação secundária e para plantio em linhas. Por suportar encharcamento e inundação, presta-se à recuperação de áreas degradadas e à restauração de ambientes ripários.
Há poucos dados disponíveis sobre o crescimento da espécie em plantios.
Em São Paulo, a precipitação pluvial média anual vai de 1.100 mm a 2.000 mm. As chuvas distribuem-se de forma uniforme na Região Sul (exceto no norte do Paraná) e são periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica é nula na Região Sul (exceto norte do Paraná) e na região do Parque do Itatiaia (RJ); de pequena a moderada no inverno, no centro e leste de São Paulo, no sul de Minas Gerais e no sudoeste do Espírito Santo; e de moderada a forte no inverno, no oeste de Minas Gerais. A temperatura média anual oscila entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 21,9 ºC (Uberaba, MG), com média do mês mais frio de 8,2 ºC a 18,5 ºC e do mês mais quente de 19,1 ºC (Bom Jesus, RS) a 23,6 ºC. A mínima absoluta registrada foi de -7,7 ºC em Campos do Jordão, podendo chegar a -12 ºC na relva. O número de geadas por ano vai de 0 a 30 em média, com máximo absoluto de 81 na Região Sul e em Campos do Jordão. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.
Cresce naturalmente em diversos tipos de solo, desde os secos até os úmidos.