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Foto de Pau-branco

Foto: (c) vitordematos12, some rights reserved (CC BY-SA), uploaded by vitordematos12 (cc-by-sa) via iNaturalist

Pau-branco

Cordia glazioviana

Boraginaceae CaatingaMata Atlântica
  • até 16 mAltura
  • Médio portePorte
Crescimento rápidoMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: pau-branco-louro, louro, folha-larga, pau-de-velha, guiada

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Seguindo a classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à família Boraginaceae e ao gênero Cordia, sendo seu nome científico completo Cordia glazioviana (Taub.) Gottschling & J. S. Mill., publicado pela primeira vez em 2006. Já foi descrita sob o sinônimo Auxemma glazioviana Taub. O nome do gênero Cordia presta homenagem ao médico e botânico alemão Euricius Cordus e ao seu filho Valerius Cordus, enquanto o epíteto glazioviana faz referência ao botânico Glaziou.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore semidecídua, cujos exemplares adultos de maior porte alcançam cerca de 16 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco apresenta-se reto e cilíndrico, com fuste de até 7 m, e a ramificação é cimosa, formando uma copa pequena e globosa. A casca, de até 10 mm de espessura, tem ritidoma liso e tom quase branco. As folhas são alternas espiraladas, simples, obtusas e subcoriáceas, com pelos na face inferior e tufos de pelos nas axilas das nervuras; medem de 4 a 15 cm de comprimento por 2 a 7 cm de largura, sustentadas por pecíolos ásperos de 3 a 25 mm. As flores, brancas e delicadas, reúnem-se em panículas terminais amplas de 10 a 14 cm. O fruto é densamente hirsuto e cerca de duas vezes menor que o de C. oncocalyx, e as sementes são elíptico-acuminadas, ásperas e de aspecto normal.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticopaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente entre 0,70 e 0,84 g/cm³), de textura média e cerne pardo-escuro, embora a árvore tenda a produzir mais alburno que cerne; sua durabilidade é considerada inferior à de C. oncocalyx. É empregada em tabuados, caibros, vigas, ripas, estacas e mourões, e fornece lenha de excelente qualidade, mas não serve para celulose e papel. A planta também produz boa forragem para os animais e tem grande potencial melífero, ofertando néctar e pólen. Suas cascas, com propriedades adstringentes e cicatrizantes, são usadas na medicina popular no tratamento de cortes e feridas, possivelmente pela presença de alantoína. Do cerne extrai-se, por hidrodestilação, um óleo essencial com ação comprovada contra larvas do mosquito da dengue (Aedes aegypti). Entre seus constituintes químicos, pesquisadores isolaram três benzoquinonas, uma hidroquinona, uma alantoína e dois sesquiterpenos, destacando-se a oncocalyxona A, com atividades antileucêmica, antiagregante plaquetária e tripanossomicida. Pela beleza das flores, possui ótimo apelo ornamental, e por ser uma planta de usos múltiplos é muito valiosa em plantios ambientais na Caatinga nordestina.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial, é uma árvore característica do sertão nordestino, especialmente no Ceará, onde se concentra no sopé de serras e serrotes. Na Caatinga, ocorre na Savana-Estépica do sertão semiárido em Alagoas, Ceará, norte de Minas Gerais e Rio Grande do Norte, podendo atingir até 186 indivíduos por hectare. No bioma Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Semidecidual do norte de Minas Gerais.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: ocorre em janeiro na Bahia, em abril no Ceará e de junho a setembro no Rio Grande do Norte. Os frutos amadurecem entre dezembro e fevereiro, no Ceará.

Fauna associada

É uma espécie monoica, visitada e polinizada com frequência por duas espécies de moscas da família Syrphidae. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, feita pelo vento, facilitada pelo cálice que cresce e envolve os frutos.

Plantio e silvicultura
Sementes

A árvore produz anualmente grande quantidade de sementes viáveis. Os frutos devem ser colhidos diretamente da planta no início da queda espontânea ou recolhidos do chão logo após caírem, removendo-se em seguida o envoltório paleáceo que recobre a semente. Cada quilo reúne cerca de 3.700 sementes. Como apresentam forte dormência tegumentar, recomenda-se imergi-las em solução branda de soda cáustica a 30% por três dias, a fim de eliminar o verniz que as reveste e permitir a entrada de umidade no tecido suberoso, o que acelera o amolecimento e favorece a germinação. Armazenadas, mantêm viabilidade por mais de 10 meses.

Produção de mudas

As sementes devem ser semeadas logo após a colheita e o preparo, em canteiros semissombreados com substrato de solo argiloso enriquecido com esterco bem curtido. Por serem grandes, também podem ir direto para saquinhos individuais ou tubetes grandes. Em ambos os casos, cobre-se com cerca de 1 cm de terra peneirada e irriga-se diariamente. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares; a emergência é lenta e difícil, levando de 70 a 100 dias, e a taxa de germinação costuma ser baixa.

Características silviculturais

Heliófila e bastante sensível ao frio, a espécie geralmente cresce com forma irregular em plantio, ramificando-se desde a base e formando touceiras de dois a três troncos, de modo que a obtenção de um bom fuste exige desbrota e desrama. Recomenda-se o plantio misto, associado a espécies pioneiras de crescimento rápido. Em sistemas agroflorestais, é indicada para compor quebra-ventos e faixas arbóreas entre cultivos, em renques ao longo de cercas e divisas. Devido à germinação difícil e demorada e ao corte indiscriminado, vem desaparecendo da região Nordeste e necessita, com urgência, de um programa de conservação.

Crescimento e produção

Há poucos dados de crescimento em plantios, mas em campo o desenvolvimento das plantas é lento.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência varia de 600 mm, no Rio Grande do Norte, a 1.000 mm, no Ceará, com chuvas periódicas e forte deficiência hídrica em toda a região. A temperatura média anual fica entre 24 °C (Monte Azul, MG) e 27,3 °C (Serra do Mel, RN); a média do mês mais frio vai de 21,8 °C a 25,3 °C e a do mês mais quente de 25,5 °C a 28,7 °C, tendo sido registrada mínima absoluta de 8,8 °C em Espinosa, MG. Não há ocorrência de geadas. Pela classificação de Köppen, predominam os tipos Aw (tropical com inverno seco) e Bsh (semiárido quente).

Solos

Em condições naturais, desenvolve-se em solos de fertilidade fraca a média e de textura argilosa.