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Foto de Pau-amargo

Foto: LPB (CC BY) via GBIF

Pau-amargo

Picrasma crenata

Simaroubaceae Mata Atlântica
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasMedicinaisOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: tenente-josé, cedrico, cedrinho, erva-de-raposa, pau-josé, pau-tenente, queina, quineira, casca-amarga, catarina, quássia, quássia-do-sul, quina, timbó, quassia-do-sul

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à divisão Angiospermae, clado Eurosídeas II, ordem Sapindales e família Simaroubaceae, no gênero Picrasma. O binômio válido é Picrasma crenata Engl., descrito originalmente em 1896 na obra Nat. Pflanzenfam. (Engler & Prantl). São reconhecidos como sinônimos botânicos Aeschrion crenata Vell., Picraena vellozii (Planch.) Engl. e Picramnia crenata (Vell.) Hassl. O nome do gênero, Picrasma, tem origem desconhecida, enquanto o epíteto crenata faz referência ao recorte da margem das folhas.

Descrição botânica

Árvore de folhagem decídua, cujos maiores exemplares chegam a aproximadamente 15 m de altura e 40 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco costuma ser tortuoso e o fuste é curto, com no máximo 8 m. A ramificação é cimosa, com gemas ocráceo-tomentosas e râmulos vináceos, lustrosos, levemente pubérulos e lenticelados. A casca alcança até 10 mm de espessura: a parte externa (ritidoma) é fina, castanha e apresenta fendas longitudinais, ao passo que a casca interna tem sabor intensamente amargo, característica que ajuda muito na identificação da espécie. As folhas são alternas e imparipinadas, medindo de 10 cm a 32 cm de comprimento, em geral com 9 a 11 folíolos de 6 cm a 13 cm e margem serreada. As inflorescências surgem em cimeiras compostas, axilares, uníparas e escorpioides, com 7 cm a 12 cm de comprimento. As flores são unissexuadas e de coloração branco-esverdeada. O fruto reúne de 1 a 5 carpídios drupáceos de polpa suculenta, cada um contendo uma única semente. A semente tem endocarpo globoso a largamente elipsoide, com ápice mucronado e uma sutura lateral que vai de um lado do mucron até a base, onde há uma cicatriz circular (o hilo) de cerca de 1 mm.

Uso e ecologia
medicinalapícolapaisagismorecuperação de áreasartesanato
Produtos e utilizações

A madeira é leve a moderadamente densa, com massa específica aparente entre 0,47 g/cm³ e 0,57 g/cm³. O cerne é branco-palha-amarelado, com manchas mais amareladas que se destacam na face radial; a superfície é lisa ao tato e lustrosa, com textura média, grã direita, cheiro indistinto e gosto bastante amargo. É inadequada para celulose e papel, mas fornece lenha de boa qualidade. Antigamente, era trabalhada artesanalmente na fabricação de utensílios domésticos como pratos, copos e diversos recipientes. Ainda hoje seu lenho é empregado na confecção de copos comerciais, que deixam a água quase instantaneamente muito amarga. Esse amargor deve-se aos quassinoides, compostos aos quais se atribuem as propriedades biológicas da planta. Na medicina popular, toda a árvore — sobretudo a entrecasca — é muito utilizada contra distúrbios gástricos e hipertensão, além de ter ação hipoglicemiante. Pela beleza do porte, a espécie é recomendada para arborização urbana.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária tardia, ou de posição sucessional indeterminada. É bastante rara nas matas do Sul do Brasil, onde aparece de modo descontínuo. Está associada à Mata Atlântica, ocorrendo na Floresta Estacional Decidual nas formações Submontana e Montana do Rio Grande do Sul, com até dois indivíduos por hectare (DAP ≥ 5 cm); na Floresta Estacional Semidecidual nas formações Aluvial e Submontana do Paraná, com cerca de um indivíduo por hectare; na Floresta Ombrófila Densa do Vale do Itajaí, onde é muito rara; e na Floresta Ombrófila Mista (com araucária), na formação Montana do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, podendo chegar a 60 indivíduos por hectare. Aparece ainda em matas ciliares do Paraná, com até 31 indivíduos por hectare, em brejos de altitude e disjunções da Floresta Ombrófila Aberta em Pernambuco, em floresta higrófila no Paraná e em restinga em Santa Catarina. Na Argentina, está presente na Selva Missionera.

Floração e frutificação

A espécie é monoica. No Paraná, a floração ocorre de setembro a janeiro e os frutos maduros surgem entre novembro e janeiro. No Rio Grande do Sul, Andreis e colaboradores não registraram floração no período de 16 de novembro de 2001 a 10 de novembro de 2002.

Fauna associada

A polinização é realizada por abelhas e por diversos pequenos insetos. A dispersão dos frutos e sementes ocorre essencialmente por zoocoria, ou seja, pela ação de animais. Os frutos são muito procurados pela avifauna, o que reforça o valor da espécie em plantios de finalidade ambiental. Pelo expressivo potencial melífero, a planta produz néctar e pólen e é considerada de interesse para a apicultura.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore, cortando-se as infrutescências inteiras e batendo-as sobre uma lona para soltar os frutos; em seguida, eles ficam guardados em sacos plásticos por alguns dias, o que facilita a retirada das sementes em água corrente. Cada quilo reúne cerca de 5.000 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento recalcitrante no armazenamento, perdendo a viabilidade rapidamente em condições ambientais.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em sacos de polietileno com pelo menos 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Quando se usam sementeiras, a repicagem deve acontecer entre 1 semana e 1 mês após a germinação. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência começa de 15 a 75 dias depois da semeadura. O poder germinativo é elevado, chegando a 95% e ficando em média em torno de 80%. As mudas atingem o porte adequado para plantio cerca de 6 meses após a semeadura.

Características silviculturais

Espécie heliófila que suporta baixas temperaturas. Apresenta crescimento monopodial e boa desrama natural. Para o plantio, recomenda-se o sistema misto. A espécie consta na Lista Oficial da Flora Ameaçada de Extinção do Rio Grande do Sul, na categoria vulnerável.

Crescimento e produção

Há poucos dados a respeito do desenvolvimento da espécie em plantios, mas seu crescimento é considerado lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.300 mm, no Paraná e em Pernambuco, a 2.000 mm, no Rio Grande do Sul, com chuvas uniformes no Planalto Sul-Brasileiro e mais periódicas em Pernambuco; a deficiência hídrica é nula no Planalto Sul-Brasileiro. A temperatura média anual vai de 15,5 °C (Caçador, SC) a 21 °C (Triunfo, PE); a média do mês mais frio fica entre 10,7 °C (Caçador, SC) e 18,4 °C (Triunfo, PE), e a do mês mais quente entre 19,9 °C (Curitiba, PR) e 24,7 °C (Florianópolis, SC). A mínima absoluta registrada foi de -7 °C, em Tenente Portela (RS), em junho de 1987. As geadas são frequentes no Planalto Sul-Brasileiro, de 1 a 40 por ano (média de 20), e ausentes em Pernambuco. Conforme a classificação de Köppen, ocorre nos tipos As (tropical com verão seco) em Pernambuco, Cfa (subtropical com verão quente) no norte do Paraná e noroeste gaúcho, Cfb (temperado com verão ameno) no centro-sul do Paraná e Cwb (subtropical de altitude) no sul de Minas Gerais.

Solos

Desenvolve-se em solos úmidos, tanto de planícies quanto de encostas de declive suave.